Crítica do Filme “Brasil Vertical”

brasil_verticalO escalador Felipe Camargo passou o último ano dedicando seu tempo na realização de um filme que servisse de vitrine para os outros escaladores do mundo.

Procurou neste período escalar nos locais de escalada mais populares e prestigiados do Brasil, sempre em vias de graduação altíssima.

O curta “Brasil Vertical”, de pouco mais de 24 minutos, tem como ambição mostrar o suprassumo das vias de escalda esportiva existentes no Brasil, porém esbarra em um problema recorrente em filmes brasileiros: ausência de roteiro consistente.

“Brasil Vertical” começa de maneira bastante direta, já apresentando o escalador a quem tiver interesse de conhecer mais sobre a sua vida, e utilizando a narração do próprio Felipe Camargo.

O curta inicia de maneira eficiente, porém não utiliza recursos em sua totalidade.

Muito por ter utilizado várias pessoas para a captação de imagens, ficou evidente em muitas passagens a diferença de qualidade tanto de imagem quanto de técnica.

Esta falta de padronização de captação de imagens influenciou também no ritmo do filme.

Felipe, por exemplo, apenas apresentou verbalmente a Serra do Cipó, deixando de fazer o mesmo nos outros lugares como “Sitio do Rod-MG”, “São Bento do Sapucaí-SP” e “Rio de Janeiro-RJ”.

Como um dos principais objetivos do vídeo era mostrar o Brasil, é um detalhe que qualquer produtor, ou editor, deve prestar atenção.

Houve alguns recursos de animações gráficos que deram um estilo mais profissional ao filme, porém não foram aproveitados para, por exemplo, mostrar a localização geográfica de cada lugar em um pequeno mapa do país.brasil_vertical_erro

Porém há um erro que por melhor que seja o filme, algum patrocinador não deixará passar despercebido: Erros de português básicos.

Por exemplo no final do vídeo há uma legenda com “mais pra fugir do Rio de Janeiro, a cadena de verdade rolou de noite” (O correto seria: MAS PARA fugir do calor do Rio de Janeiro a cadena rolou à noite”).

Tanto é evidente que a legenda em inglês logo abaixo corrige o erro.

O filme é um bom entretenimento, porém possui pouco interesse na humanidade e vida dos locais de escalada.

Não há imagens da vida de nenhum deles, nem mesmo de viagens, ou convívio com as pessoas.

Este tipo de escolha deixou o filme um pouco frio e distante do ponto forte o qual o Brasil é reconhecido: pessoas simpáticas, simples e alegres.

Como esta é a primeira produção realizada por Felipe Camargo, seguramente irá aprender com os erros, e a tendência a evoluir é natural.

Cabe a ele, e aos seus produtores, se dedicarem mais a contar uma história, e não somente costurar seguidamente vídeos de escalada com música ao fundo.

 Nota do Blog de Escalada:

Engenheiro e Analista de Sistemas, começou a escalar em 2001 e escalou no Brasil, Áustria, EUA, Espanha e Argentina. É totalmente dedicado ao esporte de escalada em rocha e é apaixonado em filmes Outdoor. Para aproveitar melhor esta paixão fez curso de documentário na Escola São Paulo, além dos cursos de “Linguagem Cinematográfica” e “Crítica de cinema”. Foi jurado do Rio Mountain Festival. Já viajou de mochilão pelo Brasil, EUA, Áustria, República Tcheca, República Eslovaca, Hungria, Eslovênia, Itália, Argentina, Espanha, Uruguai e Paraguai, Holanda, Alemanha e Canadá.

There are 28 comments

  1. Blog de Escalada on Facebook

    A critica esta no Mountain Voices deste mês. Acredito que se alguém disposto a fazer um filme e divulgar como tal deve ter a maturidade de aceitar criticas. Concordo que há filmes para diferentes publico. Porém comparar roteiro , conteúdo e técnica de conduzir uma história con blablabla é demonstração de falta de conhecimento sobre o que é um filme e o que é um clip de música. Antes de qualquer um dar chilique eu reafirmo : o filme ganhou 3 estrelas de um total de 5. Não achei ruim. Somente não achei fantástico. Idem para rocklands. Porém vi muitos filmes de outros Escaladores que foram mais elaborados como o do Oswaldo Baldin , Bruno Senna, Eliseu frechou e outros. Não deixei em momento algum de desmerecer o esforço de x ou y. Porém algumas pessoas estão mal acostumadas a criticas . Eu analisei o filme e citei o que poderia melhorar assim como faço em todos. Fazendo este chilique cada vez menos teremos festivais de filmes de escalada porque quem produz não aceita critica para melhorar deseja somente confete. Realizar um VIDEO é difícil mas tem uma enorme diferença de fazer um VIDEO para internet e outro para ter o adjetivo de filme. Filmes outdoor são categorizados dentro de documentários . Portanto não é simplesmente mostrar imagens com música. Querer mostrar somente escalada em um filme existem em vários , mas. A maneira con que se aborda o assunto é o diferencial. Existem sim filmes que é para um publico digos pouco interessado em conversa e so interessado no “escalada pornô” porém existem maneiras de abordar o assunto e até mesmo editar o q se mostra con o dialogo. Exemplo cristalino de que alguém maduro sabe aceitar criticas e evoluir veja os vídeos do pedra viva de Goiás que após algumas consultas evoluíram muito no que produziram e hoje tem um trabalho de qualidade reconhecida. Lá teve dialogo personagem e ação sem cansar. Ja critiquei filmes medíocres como o do “pra caramba” e western gold. Há de entender que videoclipe e curta são diferentes assim como elogiei muitos filmes do rio de janeiro e o trabalho do pessoal do foca no Climb. Até mesmo o Murilo Vargas de Bh elogiei e fiz analise de seu trabalho. Todos deixariam um degrau abaixo se depois de ganhar 5 estrelas cada um eu colocasse em um que não merecesse. A vida é feita se aprendizado con os erros e criticas se vocês dois ja sabem tudo da vida parabéns conseguiram algo que nem mesmo o coppola conseguiu

  2. Eric Dornelles on Facebook

    Em primeiro lugar gostaria de parabenizar ao Felipe Camargo pelo filme e por todo trabalho que vem fazendo pela evolução e divulgação do esporte. Sem muitos artifícios ele conseguiu produzir um excelente trabalho. Gostei muito do vídeo e em minha opinião atingiu o propósito desejado que era de mostrar, atrair e motivar escaladores do mundo inteiro em virem conhecer o Brasil e tudo o que temos a oferecer se tratando de escalada.
    Brasil Vertical, assim como o nosso filme ( Rocklands South Africa 2012 ) Não foram feitos por diretores com as melhores câmeras e os melhores cinegrafistas do mundo. Foram feitos por Escaladores, pessoas normais a fim de mostra um pouco sobre o esporte que amamos, e com isso tentar de alguma forma contribuir um pouco para evolução do esporte, cada um com o seu propósito como o Felipe mencionou anteriormente.
    Não vi a sua Critica Luciano, feita sobre o Filme Rocklands, gostaria muito de ler, se puder mandar o link fico agradecido.
    Concordo com o Felipe que existem filmes diferentes com propostas diferentes, pra você e pra muitas pessoas acham que todos os filmes devem conter história, roteiro e muito “bla bla“. Ao se produzir um filme ou um vídeo deve-se destinar a um público, a proposta dos dois filmes era atingir o público da escalada e o que esse público quer assistir é escalada e musica rolando.
    No mais Parabéns pela iniciativa, o Brasil precisa de produzir mais vídeos como esse.

  3. Hugo Castro De Barcellos on Facebook

    Cheguei atrasado por aqui, eu diferente do Francisco adoro participar de discussões. São momentos sensacionais para se aprender com o outro e ainda abrir a cabeça para novas possibilidades de raciocínio. O que eu percebo nos comentários aqui não é uma discussão, tá mais pra rasgação de calcinha! Brincadeiras a parte, parece-me que a discussão aqui não é mais propriamente sobre o filme, que por sinal achei IRADO, mas sobre a defesa dos disses e não disses e da forma de criticar do Blog de esclada.

    Sinceramente não acompanho o Blog para ter opinião formada sobre a “formatação” das críticas. É importante ressaltar que como o Felipe Camargo eu sou apenas um escalador, a crítica colocou o Felipe como produtor do filme, isso procede? Provavelmente abusando de quem quer que esteja escrevendo as críticas do blog, você citou ter formação na produção de cinema, não existe a possibilidade de um filme não possuir roteiro tradicional? Como nesse filme; o foco era mostrar o trabalho que está sendo feito no país para a escalada, com a ajuda indispensável do Felipe temos hoje vias de graus altíssimos já mandadas. Acredito que o filme mostrou bem o trabalho dele estabelecendo esses novos patamares de dificuldade de escalada.

    Vamos seguir o exemplo do Felipe e deixar o ego de lado! Acho que na crítica faltou talvez um embasamento teorico sobre a produção de filmes, dessa forma para nós, leigos, as mesmas pareceram infundadas e sem sentido. Por exemplo, porque um filme de 20 e tantos minutos, constituido de imagens de escalada costuradas com musicas ao fundo não pode ser um bom formato de filme? Eu não sei responder…Quem souber sinta-se à vontade para explicar!

  4. Thalita

    Oi!
    Também quero dar a minha opinião!!
    Pessoalmente gosto de diversos formatos na composição do filme, da vida e energia, e foge do “padrãozinho bonitinho”.
    Oliver Stone arrebentou com “Assassinos por natureza” misturando super8, video, 35mm, animação e tudo o mais que já foi inventado.
    A produção de videos outdoor no Brasil ainda esta engatinhando e acho que Felipe está de parabéns por mais este passo, não só por divulgar, mas também por contribuir para a memória do esporte .Os mesmos comprimentos se estendem ao Blog.
    O Blog é feito com paixão e na raça e abre um importantissímo espaço para a discussão. Não concorda com a opinião publicada? Discorde. A vida é simples, o que não da é as pessoas justificarem eventuais erros ou criticas “pelo esforço empreendido”, tudo da trabalho, mas nem tudo fica bom.
    Posso não concordar com toda a critica e ter enxergado outros erros no filme, mas nunca atacaria o blog ou o diretor.

  5. Felipe Camargo on Facebook

    Vamos lá luciano! aceito todo tipo de criticas e peço pra que todo mundo de sua opinião sincera…pq com ctz serve de crescimento pra futuros trabalhos! Mas o que eu acho que vc não entende (venho acompanhando isso em algumas outras criticas suas como a do filme de rocklands do pessoal de bh ( Eric Dornelles, Hugo Castro De Barcellos) é que filmes diferentes tem propostas diferentes…o que percebo com suas criticas é que pra você todos os videos tem que ter uma história , um roteiro, e muito bla bla bla…mas muitas vezes o que o escalador quer ver é ação..escalada, musica e pronto. e essa era a proposta do meu video…fazer um video com varias vias pode facilmente ficar monótono…se eu ainda ficasse falando muito de cada lugar e cada via, aposto que muitos não assistiriam até o final. E em compensação com esse ritmo, muitos me falaram que queriam ver até mais se tivesse. A mesma coisa com o video dos mlks de BH..a ideia era transmitir as imagens de rocklands e mostrar um pouco da energia da viagem deles pra lá…e não fazer um video sobre a historia do lugar e da africa do sul! e na minha opinião mandaram bem no que se propuseram a fazer.
    No meu a proposta era mostrar imagens dos lugares e das vias ( e não informar exatamente onde fica o que no mapa do brasil, ou dar informações de como chegar e onde ficar), motivar mais gente a vir pro brasil…e tbm ser editado de uma maneira rapida e dinâmica, pra motivar a galera a ir escalar, so isso.
    Claro que seria muito melhor se apenas uma pessoa filmasse todo o processo…mas ja imaginou no custo pra levar um camera comigo em todos os lugares? ficaria inviável…

    No fim..foi bom ouvir sua opinião e com ctz vou tirar algo de bom dela…mas acho que tbm está na hora de vc rever seus conceitos pra futuras criticas.

  6. Francisco

    Nao tenho o costume de participar de discussões na internet, mas este assunto me interessa. Sou fotografo profissional à 13 anos e comecei a realizar pequenos projetos de filmes com os melhores escaladores do mundo. E minha opinião como realizador e fotografo é a seguinte:
    Melhor uma critica detalhada, mostrando todos os erros presentes no filme, que uma critica dizendo “Adorei”, “Incrivél”, “Arrebentou” e etc…
    Pois quando alguém, utiliza o seu tempo para analisar um trabalho e detalhar os erros existentes nele, ele esta simplesmente (no meu ponto de vista) trabalhando ao seu favor, pois muitas das vezes, quando estamos envolvidos nos projetos, e que passamos horas, dias ou até mesmo meses, trabalhando, e quando tentamos fazer tudo dentro do projeto (escalador, camera, etitor e etc..), por falta de verbas ou de parcerias, nao temos a distancia que deveria-mos ter para fazer essa tal critica e precisamos de pessoas, profissionais ou nao para criticar nosso trabalho.
    Eu acho isso muito importante para o crescimento de qualquer pessoa e sobretudo de qualquer profissional.

    Francisco Taranto Jr.

  7. Luana Riscado on Facebook

    O Felipe é escalador e não editor… sem falar que por muitas vezes tem q tirar dinheiro do próprio bolso em prol da evolução da escalada, não só ele mas como muitos escaladores de ponta no Brasil! O filme é sobre ele e pra mostrar um pouco do potencial incrível da escalada brasileira…e que pra mim sinceramente ficou bem evidente….não é um errinho de digitação que vai desmerecer seu trabalho…Criticar, falar mal é fácil quero ver é ter a iniciativa de fazer alguma coisa….q sá melhor!!! Ele fez o papel dele e muito bem, mostrou o qt é focado, no Brasil a escalada tbm é hard e tem um potencial enorme!! Mandou bem demais Felipe Camargo!! Parabéns mlk!

  8. Blog de Escalada on Facebook

    Caio

    Leia o Post . Esta evidente que não leu. Não falei mal e nem sequer considerei lixo.
    Para mim, que estudei cinema e documentários para poder escrever não é um filme 5 estrelas. É um filme 3 , não elogio algo só porque ninguém faz nada e ele fez. O que tb não é verdade. Há dezenas de filmes no festival do Rio de janeiro . So. Porque vc tem amizade com alguém não é garantia de ficar mentindo. Se vc esta acostumado a mentiras e a mentir aos amigos o mané é vc não eu

  9. Caio Gomes on Facebook

    Não sei por onde eu começo! Tu já editou um formato 24′ sozinho? É foda! Eu acho que o Felipe arrebentou. Um projeto Crowdsourcing como esse é muito massa! Os escaladores locais se fizeram presente sim, mas na seg e nas filmagens! O filme é sobre ele, sobre o quanto ele é motivado, dedicado, focado, e isso fica claro! Acho muito mais massa a comunidade participar “behind the scene” do que aparecer po pura satisfação de ego! E outra, você corrige uma letra que o mlk colocou a mais no “mais” mas posta em seu blog um erro muito maior: a via do final é o Coquetel de Energia e não o Massa. Uma fica no 2000 e a outra na Barrinha! Errou mais do que uma letra, errou quase 20Km! A propósito, na frase “a quem deseja conhecer mais sobre a sua vida”, você esqueceu da crase e de colocar o verbo “desejar” no infinitivo! Corrija os seus textos antes de falar dos outros. Parabéns Felipe Camargo, arrebentou mlk!

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