Crítica do filme “Autana”

347688787_640-e1349261039703[1]Por despertar muito interesse de todo o tipo de público, expedições a lugares inóspitos são uma boa motivação para a realização de um filme.

Apostando neste tipo de proposta o produtor Alaister Lee idealizou a produção “Autana” e convidou dois escaladores experientes neste tipo de “roubada”: Leo Holding e Sean Leary.

O filme é , em linhas gerais, muito bem realizado tecnicamente  e retrata desde a ansiedade dos participantes da expedição até a tentativa de realizar do objetivo que é escalar o Cerro Autana na Venezuela. autana-web-ready[1]

“Autana” entretanto derrapa, e muito, na tentativa de transformar um filme outdoor em artístico adicinando elementos que desarmonizam ao longo de sua exibição.

O Cerro Autana é um Tepui venezuelano que foi declarado monumento natural do país em 1978.

Mostrando nos mínimos detalhes todos os detalhes da viagem dos aventureiros, o filme passa a impressão de lentidão, dada a preocupação com cada detalhe de cada local e integrante do filme.

Autana-Newcastle-2012[1]Porém a partir de certo instante, com crueza de detalhes, começam a aparecer os imprevistos de uma típica expedição: trilhas sob floresta densa, nuvens de mosquitos na cabeça de todos, calor e umidade fortes e impiedosos e “pequenos” machucados.

As aspas se justificam por conta de uma bicheira adquirida por Holding e que foi se agravando no decorrer de toda a trilha de aproximação ao Tepuy.242435_3547_L[1]

No desejo de mostrar o quão difícil é uma expedição, praticamente 2/3 do filme  passa sem que o objetivo principal seja a escalada em si.

Porém esta escolha parece agradar mais a quem deseja ver mais detalhes de como é inóspito um lugar como este do que quem espera ver algo de escalada.

Para a escalada, fica reservado mais “surpresas” aos personagens como: chuva, pedras caindo, animais peçonhentos na parede além da natural dificuldade da escalada.

Tudo isso com destaque pequeno.

Fosse apenas pontuado com as imagens da escalada, timelapses do céu estrelado e conversas que lembram levemente diálogos de filmes de Tarantino, o filme poderia ser considerado excelente: sua edição, e fotografia são primorosas.

Porém, por um motivo não explicado durante todo o filme, a inserção de efeitos especiais 3D semelhantes aos videoclipes de Peter Gabriel na década de 80 parece destoar da qualidade técnica do filme.

Momentos em que a tensão de imagens prendia a atenção do público são quebrados por efeitos especiais e músicas que são a antítese de filmes de aventura.

Além de efeitos especiais e animações gráficas bizarras, o objetivo principal que era a escalada em si, teve pouco destaque, assim como não houve descritivo da viagem de volta à civilização.

Por ter investido tanto nos detalhes de ida dos integrantes, era natural esperar que fosse mostrada a volta dos mesmos.

Com esta decisão a sensação de que não houve um final, ou mesmo uma conclusão satisfatória, é grande.

O filme “Autana” apesar de grandes qualidades técnicas decepciona em que deveria ser seu principal atrativo, que era mostrar uma escalada nos Tepuys venezuelanos.

A produção pecou por não cuidar com esmero seu roteiro como teve em sua captação de imagem e fotografia.

Nota do Blog de Escalada:

Engenheiro e Analista de Sistemas, começou a escalar em 2001 e escalou no Brasil, Áustria, EUA, Espanha e Argentina. É totalmente dedicado ao esporte de escalada em rocha e é apaixonado em filmes Outdoor. Para aproveitar melhor esta paixão fez curso de documentário na Escola São Paulo, além dos cursos de “Linguagem Cinematográfica” e “Crítica de cinema”. Foi jurado do Rio Mountain Festival. Já viajou de mochilão pelo Brasil, EUA, Áustria, República Tcheca, República Eslovaca, Hungria, Eslovênia, Itália, Argentina, Espanha, Uruguai e Paraguai, Holanda, Alemanha e Canadá.

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