Evento em Curitiba tem objetivo de incentivar mulheres a dedicar-se ao esporte e montanhismo

Desde criança tenho dois sonhos que se repetem incansavelmente: um é de que estou voando sobre as montanhas, rios, mares e cidades, dando voos rasantes, ou apenas planando, nesses momentos, posso sentir o vento e o deslocamento de ar no meu rosto, é uma sensação espetacular. E em algumas vezes ainda tive a oportunidade de levar pessoas comigo e compartilhar esses sentimentos e experiências.

E o outro sonho recorrente é de que estou escalando montanhas, e posso sentir o cheiro da terra, da pedra, da vegetação, bem como ver os animais pelo caminho, e ter a sensação de frio na barriga, a presença, a tensão de alguns momentos e a satisfação de chegar ao cume.

Assim, quando tive a oportunidade de escalar pela primeira vez, senti que aquilo me era familiar, e a conexão com a rocha foi instantânea, foi literalmente a realização de sonho. Já com relação ao sonho de voar, trabalho para despertar minhas faculdades adormecidas para um dia realizar (rs).

Quando conheci a escalada jamais imaginei a revolução que estava prestes a acontecer em minha vida, até o cabalístico dia 12 de janeiro de 2013. Minha existência era totalmente tragada pela vida cotidiana, me desdobrava numa rotina de dois empregos, que somados com o deslocamento entre três cidades distintas, consumiam quinze horas do meu dia.

Assim eu vivia “feliz e realizada”, porque até então não tinha noção do real gosto da vida, meu mundo se resumia em trabalhar para comprar, a fim de alimentar meus delírios de consumo e liberdade.

Então, na medida em que meus finais de semana eram totalmente dedicados à escalada, fazer as unhas para estar impecável para a semana de trabalho se tornou inviável, porque me dei conta que as unhas feitas deixavam meus dedos mais sensíveis e menos funcionais para escalar, comprar roupas novas para a vida social também não fazia mais sentido, porque a vida social passou a não existir mais.

E assim os desapegos começaram a fluir naturalmente. Até que em outubro do mesmo ano saí para um ano sabático, porque me vi rodeada por tanta insatisfação com minha vida cotidiana que não havia outra maneira de repensar a vida e tentar encontrar meu propósito.

Passei três meses alucinantes escalando pela Argentina, dormindo na montanha, passando os perrengues mais inusitados, típicos de uma Trip de escalada. Esse período foi uma escola, foi aí que a meditação entrou na minha vida e que por alguns instantes me conectei de forma consciente com o Agora.

Voltando ao Brasil, passei mais nove meses viajando e escalando. Assim, ao término de um ano, resolvi voltar ao trabalho, mas mal sabia eu que o universo tinha outros planos para mim. Pois em minha primeira tentativa de voltar ao mundo corporativo, acabei investindo dinheiro, tempo e expectativas numa oportunidade que era só mais uma ilusão.

E somente depois de dois anos me encontrei. Hoje posso dizer que estou a caminho do meu Darma, e que meu trabalho me representa e vem me realizando a cada dia, porque ele está alinhado com a minha forma de ver a vida, e meu propósito de contribuir com algo que traga benefício para as pessoas.

Minha vida já não se baseia mais nos desejos e realizações passageiras, hoje minha busca é ir ao encontro do despertar da minha consciência, e ser semente para que outros irmãos dessa aventura terrena possam se conhecer melhor, resolver seus conflitos internos, se liberarem de suas travas e fobias e dar um novo significado a sua forma de se comunicar com as pessoas e com mundo.

Vivo meus dias intuindo maneiras de chegar ao meu coração, de buscar a sabedoria que vem da prática, a fim de me tornar mais compassiva e viver no amor. E sim, quem deu o pontapé inicial na minha revolução pessoal foi a escalada, porque ela simplesmente me tirou da zona de conforto e me apresentou um mundo de simplicidade e conexão com o presente que eu definidamente desconhecia.

E nessa segunda-feira, 17 de julho, o Impact Hub Curitiba vai oportunizar um encontro de diversas mulheres que, assim como eu, foram impactadas pelo esporte, e que tem muito a compartilhar.

Para representar a escalada estarei lado a lado com a Camila Macedo, numa noite de muita celebração e troca de experiências.

Por isso, quem sentir de estar conosco, se inscreva através do link que estará ao final do texto e venha desfrutar do Impact Women – Mulheres no Esporte que será maravilhoso!

Para se inscrever visite: http://bit.ly/IW-Esporte

 

Sobre o Autor

Lilian Ponte

Lilian Ponte

Lílian Ponte e Silva, é formada em Segurança do Trabalho e Direito. Seu trabalho é voltado para o desenvolvimento humano e autoconhecimento, tratando de assuntos como escolhas conscientes, física quântica aplicada ao cotidiano e saúde, comunicação afetiva e efetiva, o poder da gratidão e desenvolvimento de potencialidades.
Ministra workshops, palestras e facilita vivências, bem como faz atendimentos individuais e familiares, juntamente com seu sócio que é terapeuta.

Comente agora direto conosco

Comment moderation is enabled. Your comment may take some time to appear.