Estudos científicos indicam quais dedos da mão são os mais fortes para escalar

Na escalada a força das mãos é inegavelmente importante para um bom desempenho. Os tipos de pegada, já abordados em um artigo sobre os tipos de agarras, também foram abordados aqui na Revista Blog de Escalada. Porém, no caso dos dedos das mãos, quais seriam os mais fortes para serem priorizados em treinamentos?

Além desta pergunta, quais combinações de uso dos dedos poderiam ser feitas para aproveitar ao máximo a sua força? Dedos estes que podem ser usados em reglete, bidedos, tridedos e outras maneiras de usar as mãos para escalar. A pesquisa com o título “Sport-specific finger flexor strength assessment using electronic scales in sport climbers” (Avaliação da força do flexor dos dedos, específica para o esporte, usando balanças eletrônicas em escaladores esportivos) tentou fazer exatamente isso. O objetivo do estudo foi avaliar a confiabilidade de quatro posições de pegada de escalada durante a mensuração da força dos flexores dos dedos.

Ao todo participaram 55 escaladores com experiência e força para encadenarem entre V e VII na escala do UIAA de dificuldade. As medidas de força foram obtidas por meio agarra primata (open grip – OG), reglete (crimp grip – CG), bidedo 1 (dedo indicador + dedo médio – IM) e bidedo 2 (dedo médio + anelar – RM), em um reglete de 23 mm de largura. No estudo pediu-se que os escaladores ficassem de pé na balança e que fosse carregado progressivamente o seu peso máximo no braço testado. A força para cada medição, foi calculada subtraindo o valor mais baixo mostrado durante a preensão da massa corporal do participante.

Na pesquisa foram comparadas diversos tipos de agarra, entre várias que exigiam combinações entre os dedos utilizados. O estudo obteve resultados que indicam que no caso de um bidedo, a combinação que teve melhor resultado eram usadas com o dedo médio (também vulgarmente conhecido como “dedo do meio”,”pai-de-todos” ou “dedo maior”). A combinação do dedo médio com o dedo anelar (vulgarmente conhecido como “seu- vizinho”) mostrou-se mais forte do que quando combinado com o dedo indicador.

O estudo deixa a entender que o dedo médio é o mais forte e, por isso, deveria ser priorizado no momento da escalada. Além disso, por ser o mais forte, é também o mais exigido, sendo necessário um trabalho particular de fortalecimento dos tendões e músculos antagonistas. Entretanto, um detalhe parece não ter sido contemplado no estudo foi o tipo de agarra, além do posicionamento desta em relação ao escalador. Além disso, cada escalador deve também estar consciente de que fatores como fisionomia, composição corporal e a maneira de escalar também influem nos resultados do “dedo mais forte”.

Para que técnicos e preparadores físicos tenham como parâmetro no momento de elaborar uma planilha de treinamento, um outro estudo serve de comparação. Com o título de “Detecting submaximal effort in power grip by observation of the strength distribution pattern“, 50 escaladores realizaram dois apertões de diferentes intensidades. Os cientistas observaram que dependendo de uma aplicação de forças, ela era distribuída de uma maneira diferente.

A força máxima total medida era distribuída de maneira relativamente uniforme nos quatro dedos. Cada dedo contribuía entre 23% a 27% da força total e que até mesmo o mindinho, desempenhava papel fundamental no agarre.

Treinamento de força de dedos

Foto; http://rockandice.com

Em um outro estudo, realizado pela especialista em treinamentos Eva López Rivera concluiu um resultado interessante, com relação a treinamento de força de dedos. Com o título de “The effects of two ma ximum grip s trength training methods using the same effort duration and different edge d epth on grip endurance in elite climbers”. Nele foram analisados quatro escaladores experientes, com capacidade de escalada em 8a+/8b francês, foram divididos em dois grupos. Ambos os grupos treinaram pendurados sustentação usando dois métodos diferentes: profundidade mínima da borda (MED) e peso máximo adicionado (MAW).

O Grupo A realizou o MED das Semanas 1 a 4 e depois realizou o MAW nas 4 semanas seguintes. O Grupo B realizou o MAW das Semanas 1 a 4 e depois realizou o MED nas 4 semanas seguintes. Os dados sugeriram que a sequência mais eficaz de métodos de treinamento de força dos dedos é utilizada pelo grupo B.

O estudo concluiu que o ganho de resistência foi de 34%, além tornar capaz com que o escalador segure regletes 60% menores. Desta maneira o resultado sugere que treinamentos intermitentes em fingerboard são mais eficientes para desenvolver a resistência. Isso em um programa de oito semanas em escaladores experientes. Entretanto, ambos os métodos (suspensão máxima e/ou intermitente) podem ser alternados por longos períodos de tempo.

Apesar de não ter sido o objetivo do estudo, ficou evidente que as variações encontradas evidenciam a necessidade de que, momento de elaborar vias de escalada em academias, é necessário levar em conta as distintas combinações de dedos em cada tipo de agarra. Este tipo de preocupação fará com que o desenvolvimento da força de dedos do escalador seja uniforme.

Uma outra maneira de realizar treinamento de força de dedos na escalada é com suspensões isométricas em agarras ou fingerboard. Entretanto, para este tipo de treinamento é imprescindível ter planejado e acompanhado por um técnico formado em educação física.

Bibliografia

Formado em Engenharia Civil e Ciências da Computação, começou a escalar em 2001 e escalou no Brasil, Áustria, EUA, Espanha, Argentina e Chile. Foi jurado do Rio Mountain Festival e já viajou de mochilão pelo Brasil, EUA, Áustria, República Tcheca, República Eslovaca, Hungria, Eslovênia, Itália, Argentina, Chile, Espanha, Uruguai, Paraguai, Holanda, Alemanha e Canadá. Realizou o Caminho de Santiago, percorrendo seus 777 km em 28 dias.

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