Estudos analisam as exigências físicas de atletas femininos e masculinos em competições de boulder

Constantemente é comparado o rendimento e treinamento de atletas na Europa e EUA, com atletas na América do Sul. Na escalada de competição, ainda há pouca valorização do profissional de educação física, sendo uma prática comum academias e atletas apostarem mais em treinamentos não embasados em conhecimento científico, mas em conhecimento empírico. Sem sombra de dúvida, a prática de confiar treinamentos para competições a ex-atletas, ou praticantes experientes, pode ser eficiente para quem deseja praticar uma modalidade como forma de entretenimento, mas não para quem quer alto rendimento na área competitiva.

Porém, para obter alto rendimento e poder competir de igual para igual com atletas de outros grandes centros, é imprescindível utilizar treinamentos embasados na ciência, com mensuração de resultados. Um exemplo prático, que pode facilmente ilustrar esta importância, é no futebol. No Brasil, mesmo um técnico não possuindo um diploma de educação física, ele tem profissionais com conhecimento científiico em sua equipe. Profissinais estes que estão constantemente fazendo cursos e reciclagem de conhecimentos. Este é um dos grandes motivos que o Brasil é reconhecido por ter as melhores equipes de futebol no mundo.

Foto: IFSC/Forrest Liu

A pesquisa científica é uma forma de produzir conhecimento e estabelecer respostas a hipóteses e problemas iniciais, sendo muitas vezes um processo complexo e que exige habilidades específicas. Portanto, para que qualquer esporte, é fundamental que treinadores e profissionais envolvidos em treinamento, possuam embasamento científico. Conhecimento científico este que deve ser constantemente atualizado e avaliado. Na Europa, por exemplo, há constantemente simpósios científicos para discutir métodos de treinemento e descobertas específicas sobre uma determinada modalidade esportiva. Na América do Sul, por exemplo, somente o Chile realiza um evento semelhante todos os anos.

Para quem ainda está cetico quanto a esta importância, basta observar os dois países que mais investiram em conhecimento científico e renovação de novos talentos: Japão e Eslovênia. Ambos os países, estão em um patamar acima de outros mais tradicionais, por ter investido pesadamente em conhecimento científico. Obviamente não é o único motivo, mas é um dos principais.

A existência ou não de estrutura para treinamentos não é, portanto fator decisivo. O investimento em ciência e conhecimento de metodologia de treinamento e mensuração de rendimento, é que está fazendo Argentina, com Valentina Aguado, e Chile, com Alejandra Contreras, atualmente possuír atletas com changes concretas de classificação para os Jogos Olímpicos de Toquio 2020.

Foto: IFSC/Eddie Fowke

Para as competições de boulder, há diversos treinamentos específicos que ainda não são plenamente desenvolvidos. Porém o caminho para isso está no estudo das exigências físicas de atletas em competições. Em um artigo publicado na Journal of Physical Education and Sport, os pesquisadores Prosper J. Medernach, H. Kleinöder e Hermann H.Lötzerich estudaram mais a fundo atletas, tanto masculinos quanto femininos, em competições de boulder, quais as exigências físicas necessárias. O estudo que usou como referência vários outros artigos científicos de educação física

O principal ponto de partida do estudo foi testar dados objetivos sobre como estabelecer regimes de força e condicionamento. Isso porque quanto estudo da técnica, as investigações científicas permanecem esparsas e numerosos métodos de treinamento publicados em manuais de treinamento e revistas de escalada não foram investigados empiricamente.

Entretanto um outro estudo, intitulado “A Time Motion Analysis of Bouldering Style Competitive Rock Climbing“, realizado por er Peter Olsen e Dominic J White, as competições de bolder foiram analisadas mais qualitativamente. O objetivo deste estudo foi quantificar a dinâmica de movimento de boulderistas de elite. Seis atletas foram filmados durante uma competição, composta de 5 novas linhas ou rotas de escalada.

Foto: IFSC/Eddie Fowke

Duas linhas foram selecionados aleatoriamente e a filmagem foi analisada usando o software Kandle Swinger Pro para determinar o tipo e a duração (segundos) dos movimentos de boulder. Em média, os atletas tentaram uma linha 3.0 +/- 0.5 vezes, com uma tentativa de 28.9 +/- 10.8 segundos e períodos de descanso de 114 +/- 31 segundos entre as tentativas.

No entanto, a contração prolongada dos músculos do antebraço indica a importância da força e resistência nesses músculos. Os dados coletados podem ser utilizados no projeto de testes específicos de esportes e programas de treinamento.

Ambos os estudos, claro, não irão propor nenhuma metodologia de treinamento, mas apontar caminhos e tendências a serem adotados. Cabe a um profissional capacitado, com conhecimento técnico adequado e profundo na área que trabalha, interpretar ambos os trabalhos e implementá-los em algum atleta que deseja obter um alto rendimento.

Bibliografia

Formado em Engenharia Civil e Ciências da Computação, começou a escalar em 2001 e escalou no Brasil, Áustria, EUA, Espanha, Argentina e Chile. Foi jurado do Rio Mountain Festival e já viajou de mochilão pelo Brasil, EUA, Áustria, República Tcheca, República Eslovaca, Hungria, Eslovênia, Itália, Argentina, Chile, Espanha, Uruguai, Paraguai, Holanda, Alemanha e Canadá. Realizou o Caminho de Santiago, percorrendo seus 777 km em 28 dias.

Comente agora direto conosco

Comment moderation is enabled. Your comment may take some time to appear.

This site uses Akismet to reduce spam. Learn how your comment data is processed.