Estudo faz análise biomecânica do “drop knee” na escalada e comprova risco de lesão

Da mesma maneira que em qualquer esporte, cada movimento na escalada possui um nome. O movimento conhecido como “drop knee”, também conhecido pelo francês “lolotte” (conhecido pelo mesmo nome em italiano) ou espanhol “bicicleteo”, é constante alvo de críticas e elogios por técnicos de escalada, estudiosos de repertório de movimentos e professores de educação física em todo o mundo.

Na Europa, mais especificamente, o “drop knee” é dominado por atletas de alto rendimento e é amplamente usado em campeonatos regionais e internacionais no continente. A plasticidade do movimento, que permite resoluções corporais em passagens de trechos difíceis em escalada, colabora para que sempre esteja em pauta de algum assunto sobre movimentação no esporte. O movimento, portanto, é considerado fundamental para a escalada moderna. Infelizmente, especialmente para quem está começando, é relativamente simples em teoria, mas leva um pouco de tempo para ser dominado.

A ideia é girar seus quadris perpendicularmente à parede (indoor ou rocha), de modo que o joelho (o mais próximo da parede) possa descer, proporcionando uma tensão cruzada nos pontos de apoio e mantendo massa central próxima à superfície que se escala. Usar o “drop knee” pode ajudar um escalador a alcançar agarras que parecem mais distantes. O movimento ajuda o quadril a mover mais facilmente em relação á parede, aliviando o peso nele e na outra perna, mas sem perder o contato com a parede.

Os pesquisadores Alessio Artoni , Matilde Tomasi e Francesca Di Puccio buscaram fazer análise biomecânica do “drop knee” realizado pela grande maioria dos escaladores. O trabalho (Kinematic Analysis of the Lolotte Technique in Rock Climbing), publicado no meio do ano de 2017, fez uma análise cinemática específica do movimento e do atleta, com o objetivo de quantificar as trajetórias angulares do quadril e do joelho e as consequências nos ligamentos do joelho.

Para a análise um sistema de captura de movimento baseado em marcadores foi empregado para rastrear a execução do “drop knee” em uma parede de escalada projetada propositadamente para a análise, forçando quem escalasse a executar o movimento. Com um processamento adicional, feito pelo programa programa OpenSim, foi possível estimar a deformação do ligamento colateral medial do joelho.

Essa análise cinemática revelou padrões característicos do ângulo do quadril e joelho e destacou uma fase crítica em que o joelho é abduzido consideravelmente (como consequência, o ligamento colateral medial é notavelmente recrutado). Após a análise, os cientistas conseguiram comprovar a alegação difundida entre os escaladores de que o “drop knee” pode causar lesão ligamentar.

Para ter acesso ao texto da pesquisa: https://www.researchgate.net

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