Estudo avalia se a sacudida dos braços realmente melhora o rendimento do agarre em escaladores

Em um estudo realizado por uma equipe de pesquisadores da República Tcheca, a recuperação de tendões e articulações de escaladores, foram estudadas mais a fundo. Os resultados da pesquisa foram publicados com o título de “Active recovery of the finger flexors enhances intermittent handgrip performance in rock climbers” (Recuperação ativa dos flexores dos dedos melhoram o rendimento do agarre intermitente das mãos nos escaladores em rocha). O estudo teve como objetivos avaliar se o ato de sacudir as mãos durante as fases de recuperação muscular no rendimento da oxigenação muscular, além de avaliar qual o tempo ideal para esta técnica.

A técnica é conhecida como G-Tox. Embora pessoas acreditem que é uma técnica recente, ela já possui mais de uma década de “vida”, como método de recuperação do antebraço de escaladores. Mas mesmo assim ainda é muito pouco utilizada pela comunidade de escaladores (sobretudo pelos iniciantes). Já no ano de 2005 foi publicado um estudo científico que comparou esta técnica com o padrão. O estudo demonstrou uma melhora estatisticamente significativa nos antebraços “tijolados”.

Este novo estudo, concluído em 2016 (mas disponibilizado para a comunidade mundial este ano) provê uma versão interessante sobre qual a melhor forma de descansar na escalada e como obter um melhor rendimento nas contrações dos músculos flexores do antebraço. Estes músculos são os encarregados de possibilitar os escaladores agarrarem o reglete, ou abaulado, no momento do “crux”. Se no momento o escalador estiver “tijolado”, os dedos não irão mais aguentar a pressão.

Para aferir se a técnica era válida ou não, foram realizados testes com contrações intermitentes e constantes, chegando à conclusão de que sacudir o antebraço ao lado do corpo melhora o rendimento e faz com que a reoxigenação muscular seja mais rápida. Esta reoxigenação diminui o “tijolamento” e a fadiga muscular do antebraço.

Na escalada, sobretudo em vias, podemos afirmar que os descansos são tão importante como a técnica de escalada em si. Um exemplo cristalino deste conceito pode ser visto no filme “Silence”, protagonizado por Adam Ondra, que primeiro procurou identificar pontos de descanso na via, para que pudesse otimizar o descanso e realizar um novo trecho.

No estudo, pode ser observado que o alongamento para escalar deve ser incluído para uma uma recuperação efetiva durante os descansos.

Para ler o estudo acesse: https://www.ncbi.nlm.nih.gov

Formado em Engenharia Civil e Ciências da Computação, começou a escalar em 2001 e escalou no Brasil, Áustria, EUA, Espanha, Argentina e Chile. Foi jurado do Rio Mountain Festival e já viajou de mochilão pelo Brasil, EUA, Áustria, República Tcheca, República Eslovaca, Hungria, Eslovênia, Itália, Argentina, Chile, Espanha, Uruguai, Paraguai, Holanda, Alemanha e Canadá. Realizou o Caminho de Santiago, percorrendo seus 777 km em 28 dias.

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