Escolhas ruins de um escalador: Qual a posição da mão que mais lesiona?

Geralmente ao escalar, de maneira instintiva, a mão procura tomar posições que fique na melhor posição possível para tracionar. Mas isso não significa necessariamente que não trará consequências ruins. Ao sentar em uma cadeira, a grande maioria das pessoas tende a perder a posição ereta que, supostamente, não trará nenhum problema para a coluna. Mas ao contrário disso, as pessoas começam a adquirir vícios de posicionamento que, por algum motivo, são mais “cômodos” a elas.

Com relação ao posicionamento ideal para a maneira mais cômoda das mãos para a escalada a história se repete. Realizei uma pesquisa em ginásios de escalada e deixei em aberto na internet uma pesquisa. A pesquisa tinha a seguinte pergunta: Qual o tipo de pegada ou agarre que é mais cômodo para escalar?

Os resultados foram os da figura abaixo:

Analisando os resultados

A pegada conhecida como”regletada” é o ganhador da grande maioria, chegando a ser 51% das preferências. Já escrevi um artigo com o título “regletar ou não regletar” que explica bem detalhadamente os motivos da posição dos dedos no arqueio realizado para produzir uma força de contato superior à mão aberta. Mas este posicionamento da mão cia uma sobre-exigência sobre as polias e, consequentemente, originando em uma grande incidência de lesões.

A agarrada aberta (também conhecida como primata) somente levou 16% das preferências, sendo este tipo o mais fisiológico e menos lesionante. Obviamente que ela produz menor força de contato, mas isso não significa que não se possa treinar para chegar a fazê-la tão forte como a regletada. O escalador Iker Pou, atleta com força inquestionável nas mãos, é dos escaladores que utilizam este tipo de pegada e, desta maneira, escala vias acima de 9a francês (10c brasileiro) praticamente sem regletar.

Já para 20% dos que responderam a pesquisa, 20% preferem o bidedo o que, na minha visão, pode ser algo superestimado. Isso porque não acredito que meia falange dos dedos seja preferido a uma regletada ou mesmo agarrada aberta. Desta maneira, fica entendido que o bidedo a qual escolheram os pesquisados se referem a buracos com boa profundidade e em posição de pressão. Desta maneira, a força exercida sobre a agarra pode ser a mesma que em um “agarrão”. Isso porque estes dois tendões da mão são parte de um músculo em comum para os quatro dedos (do indicador até o dedinho). Lamentavelmente nem todos os bidedos são da maneira descrita.

A pegada de abaulado ficou com 11%, um valor muito parecido com a da pegada aberta. Esta pegada é reconhecidamente difícil de dominar, tanto pela força quanto pela técnica (não subindo o cotovelo), também está supervalorizada. Mas com um bom treinamento é possível conseguir maravilhas nele.

É importante, evidentemente, que é imprescindível considerar que um treinamento lento e bem planejado pode gerar polias da mão de melhor qualidade que suportem uma escalada de dificuldade. Mas não esqueça que para atingir este ponto, são anos de paciência.

Tradução autorizada: http://rocanbolt.com

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Gonzo Rocanbolt é chileno, médico, escalador e indiscutivelmente uns dos mais completos autores de artigos sobre treinamento de escaladores existentes no mundo. Respeitado em todo o mundo é o organizador do Simpósio de Medicina de Montanha no Chile e palestrante de eventos de escalada no Chile, Argentina e Espanha

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