Escaladores do Chile rompem com Federação e fazem campanha para abrir associação de escalada esportiva

Um grande grupo de escaladores, proprietários de ginásio e profissionais de educação física que se dedicam a treinamentos de escalada romperam com a Federación de Andinismo de Chile (entidade responsável pela administração do esporte olímpico) e buscam assinaturas para a criação de uma associação independente de escalada esportiva. A iniciativa foi tomada no último dia 25 de setembro e teve presença maciça dos principais ginásios de escalada do país. Escaladores, além das principais mídias especializadas no esporte no país, correm para viabilizar nova entidade.

Na reunião, que teve uma mesa redonda sobre a situação do esporte no país, Helmut Kocking (presidente do Club El Muro e Árbitro Continental do IFSC), Gabriela Sandoval (atleta Árbitro Continental do IFSC), Yuri Cubillos (Árbitro Continental do IFSC), Francisco Acevedo (Árbitro Continental do IFSC), Christian Negront (Presidente Club Casa Boulder), junto com o subsecretario de esportes Kael Becerra analisaram o panorama atual da escalada chilena.

Foto: Gonzalo Riobó

Desta análise, chegaram à conclusão que de que sempre que a escalada chilena era capaz de mostrar unidade, a incorporação de uma nova federação ao Comitê Olímpico Chileno, e consequentemente ao IFSC, é possível em curto prazo. O processo, segundo explica integrante da nova associação, seria semelhante ao que o próprio IFSC realizou em 2007 junto ao UIAA. A separação entre as duas entidades foi amigável, aparentemente não deixando rusgas entre elas. Porém, não é o que está acontecendo em grande parte da América Latina. No continente, muitas federações de montanhismo se recusam, chegando até mesmo boicotar politicamente, a criação de entidades voltadas exclusivamente para a administração do esporte.

Com relação ao Chile, muitos escaladores esportivos do país reclamam que a entidade pouco os representa, ou mesmo se interessa pela prática do esporte no país. De acordo com declarações disponibilizadas junto à redação da Revista Blog de Escalada por pessoas envolvidas no processo, a Federación de Andinismo de Chile enxerga a escalada esportiva no país de uma maneira preconceituosa. Muitos desta tradicional associação, consideram a prática de escalada esportiva uma atividade “menor”, se comparada ao montanhismo e atividades de alta montanha, o seu principal foco.

Os envolvidos no processo ressaltam que a separação é meramente administrativa, não sendo de maneira nenhuma filosófica. Desta maneira, a aquisição de patrocínios a atletas para competições internacionais, assim como a realização de competições nacionais, ficaria menos engessada e desburocratizada. Ao todo participam aproximadamente 10 dos principais academias de escaladas chilenas, além de vários clubes de escaladas, dando a entender que a cisão é necessária.

Foto: Jeremias Marinovic | https://chile.as.com

No Brasil uma cisão semelhante aconteceu há cerca de alguns anos, quando foi criada uma liga independente com o objetivo de organizar campeonatos de escalada a partir da Confederação Brasileira de Escalada e Montanhismo. Um dos motivos que geraram o conflito foi a não realização de campeonatos brasileiros e regionais, em um período de grande retração que o esporte viveu, mas ainda pagava a taxa de filiação no IFSC. Muitos associados questionavam a contribuição ao IFSC, já que não havia organização de nenhum torneio. Porém a criação da liga independente ficou restrita a poucas academias (especula-se um total de quatro, dividido em apenas três estados brasileiros), não tendo o alcance nacional que escaladores do Chile dizem ter conseguido.

No Chile, especialmente no ano de 2014, foi promulgada uma nova lei chamada Ley del Deporte (19.712), que incluiu um capítulo que obriga federações a cumprir um processo de credenciamento, para poderem ser consideradas de fato uma “federação esportiva nacional”. Os associados acreditam que com um abaixo-assinado, que está sendo realizado por meio dos principais sites de escalada do país, possam dar continuidade do processo e, desta maneira, sacramentar a cisão.

Atualmente existe no país a FENAE (Federación Nacional de Escalada), há aproximadamente três anos. De acordo com a Ley del Deporte, é necessário pelo menos dois anos para que uma federação seja reconhecida. Como o comitê olímpico chileno somente reconhece uma federação por esporte, para poder organizar, planejar e desenvolver um projeto esportivo, é necessária uma boa batalha jurídica pela frente. Portanto, a pedido do subsecretário no momento e necessário determinar o número exato de escaladores esportivos no país que estejam dispostos a apoiarem a nova instituição. A instituição, segundo os organizadores do movimento, será administrada por pessoas que busquem o desenvolvimento esportivo chileno, tal qual obriga a nova lei chilena 19.712.

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