Escaladores participam de abaixo assinado para impedir ameaça a local de escalada por mineradora

Os escaladores da região de Bagé-RS estão organizando um abaixo assinado para impedir que uma mineradora seja instalada a aproximadamente 5 km ao tradicional local de escalada conhecido como Casa de Pedra.

Para assinar acesse aqui: https://www.change.org/

O local fica às margens do rio Camaquã e grande parte dos idealizadores do manifesto querem evitar o acontecimento trágico semelhante ao que ocorreu em Mariana-MG.

O rompimento da barragem de Fundão com rejeitos de mineração que ficava a 35 km do centro do município brasileiro de Mariana-MG, ocorreu em 5 de novembro de 2015 e é considerado o maior desastre socioambiental da história do Brasil e o maior do mundo envolvendo barragens de rejeitos.

A avalanche de lama, causada pelo rompimento, chegou ao rio Doce, cuja bacia hidrográfica abrange 230 municípios dos estados de Minas Gerais e Espírito Santo. A avalanche de lama chegou até o litoral do Espírito Santo.

Ambientalistas consideraram que o efeito dos rejeitos no mar continuará por pelo menos mais 100 anos, porém não houve até o momento uma avaliação detalhada de todos os danos causados pelo desastre. Segundo a prefeitura  de Mariana, a reparação dos danos causados à infraestrutura local deverá custar cerca de 100 milhões de reais.

Por enquanto a mineradora, que planeja explorar chumbo, zinco e cobre em Caçapava do Sul, ainda é um projeto da Votorantim Metais e Mineração Iamgold Brasil.

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No início do mês de novembro deste ano houve uma manifestação que junto cerca de 400 pessoas em Palmas-RS com presença de moradores e representantes de entidades de cidades que fazem parte da região.

Os rejeitos da mineradora ficariam depositados às margens do rio Camaquã, nos limites das cidades de Bagé-RS e Caçapava do Sul-RS e próximo à nascente. Durante a manifestação foi criado e divulgado o  Manifesto de Palmas, que será  encaminhado ao governador do Rio Grande do Sul nesta sexta-feira, e declara a “resistência total e absoluta à instalação de uma mineradora de chumbo, cobre e zinco nas margens do rio”.

O local da instalação, caso seja realmente instalada, corresponde à porção mais preservada do Bioma Pampa que possui 80% das pastagens com cobertura nativa. Também conhecido como Campos do Sul ou Campos Sulinos, o Bioma do Pampa ocupa área de 176,5 mil km e é constituído principalmente por  gramíneas, herbáceas e algumas árvores. No Brasil, o Pampa está presente do estado do Rio Grande do Sul, ocupando 63% do território gaúcho e também territórios da Argentina e Uruguai.

Prefeitos da região já declararam que estão de acordo com a instalação da mineradora e junto de representantes da mineradora anunciaram que o projeto é sustentável, além de não oferecer nenhum risco para o meio ambiente.

Por outro lado integrantes da Frente de Autodefesa do Camaquã declaram que, de acordo com a análise que fizeram, existe a necessidade de estabelecimento de áreas de restrição à mineração na região. Grande parte dos ambientalistas em todo o mundo afirmam que nenhuma atividade de mineração é totalmente segura e à prova de falhas, e que a tragédia de Mariana-MG é um exemplo vivo deste perigo.

Após investigação dos Ministério Público Federal e Ministério Público Estadual, a Fundação Estadual de Proteção Ambiental (Fepam) teria subdimensionado os impactos ambientais da mineradora além de vários aspectos socioeconômicos ignorados ou tratados de maneira inconsistente.

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Escaladas Casa de Pedra

O local de escalada conhecido como Casa de Pedra fica localizado em Bagé-RS e fica a aproximadamente 350 km da capital do estado. Com opções para escalada tradicional, esportiva, além de alguns boulders, é um dos mais queridos lugares para a prática do esporte no estado do Rio Grande do Sul.

O tipo de rocha do local é o conglomerado. Distanciando 60 km do centro urbano mais próximo é uma espécie de “vestibular” para quem deseja experimentar um ambiente totalmente fora da Matrix.

Grande parte dos escaladores gaúchos procuram escalar por lá para ambientar para lugares isolados de civilização como Piedra Parada na Argentina ou Cochamó no Chile. Por conta de seu isolamento dos confortos da civilização a única preocupação dos visitantes é a escalada.

Para mais detalhes : https://www.facebook.com

Sobre o Autor

Cissa Carvalho

Cissa Carvalho

Cissa Carvalho é natural de São Paulo e praticante de esportes outdoor desde os 8 anos de idade. É alpinista fanática, e nas horas vagas tenta escalar em rocha, surfar e arranjar dinheiro para continuar viajando. Já esteve em todos os continentes e já escalou na América do Sul, África, Ásia e Europa

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