Escaladas em Cederberg e Rocklands – Veja como escalar na África do Sul

Próximo a Cape Town (capital da África do Sul), descobrimos Cederberg, uma região montanhosa, com uma beleza única. Conhecida como os Alpes africanos, a região é destino certo para quem procura uma interação com a natureza, atividades outdoor como escalada, hiking, montanhismo, mountain-bike, game viewing, natação, equitação, pesca, degustação de vinhos e paisagens de tirar o fôlego.

Com mais de 500 km de trilhas não marcadas, mas com manutenção em dia e excelente oportunidades de escalada em rocha, não poderíamos perder a oportunidade de conhecer esse lugar incrível.

Foto: Carlos Eduardo

Cederberg

A região de Cederberg fica a 250 km de Cape Town e conta com mais de 182.000 hectares (1.820 km²) de montanhas dentro do parque Cederberg Wilderness Area.

Existem três províncias próximas ao parque, CLANWILLIAM, CITRUSDAL, e WUPPERTHAL.

Citrusdal é a mais ao sul, Clanwilliam é a mais ao norte e Wupperthal é uma cidade parada no tempo bem no meio das montanhas e próximo a região que produz o famoso Rooibos Tee, chá muito utilizado em toda África do Sul.

Foto: Carlos Eduardo

Cederberg também abriga diversos projetos de conservação ambiental, afinal a região toda é um parque protegido.  O parque foi constituído em 1997 através de um acordo espontâneo de 22 proprietários de terras na região, para assim gerenciar de forma sustentável toda a biodiversidade do lugar.

Atualmente projetos que visam conservar a Cedar Tree (árvore que da nome a região), facilitar e promover a pesquisa dos predadores da região, como o leopardo, gerenciar e proteger de forma inteligente a área, gerenciar a coleta de lixo (que não recebe ajuda da prefeitura), entre outros, estão contemplados no acordo de 1997.

O que fizemos

Nossa viagem teve 2 propósitos, fazer algumas trilhas e escalar.

Saímos de Cape Town pela manhã em direção ao Cederberg Backpackers Oasis, onde passaríamos duas noites. O lugar é perfeito para quem quer conhecer as principais atrações do parque, localizado ao sul da cadeia de montanhas conta com uma estrutura impecável.

O camping também é próximo dos dois primeiros locais de escalada da região: Rooiberg e Truitjieskraal.

Foto: Carlos Eduardo

Acordamos cedo e fomos para dois destinos. Primeiro fomos para a trilha que leva até a Maltese Cross, aproximadamente 8 km do camping.  A trilha, de dificuldade média, tem duração de 3 a 4 horas, contando o tempo de fotos na cruz e o caminho de volta. A trilha é bem marcada e cuidada.

Para ter acesso ao local é necessário autorização e o pagamento de uma taxa, efeito do acordo de 1997. Isso pode ser feito na vinícola próxima a entrada, Cederberg Winery. O preço para a entrada é de ZAR$ 60,00 (R$15,00), por pessoa, e após o pagamento você recebe um comprovante que deve ser carregado durante a trilha. Também recebe o código que libera o cadeado do portão de acesso.

Não adianta pular o portão e ir caminhando, pois este fica a quase 5 km do início da trilha.

Foto: Carlos Eduardo

Nosso segundo destino foi o parque Truitjieskraal, de acordo com o dono do camping o melhor lugar para escalada esportiva da região. Também é necessário o pagamento de uma taxa que libera a escalada, acesso e o código do cadeado, desta vez, conseguimos no próprio camping por ZAR$ 40,00 (R$10,00), por pessoa.

O local é de fácil acesso e as bases das vias estão a no máximo 10 minutos de caminhada do estacionamento. A formação é arenito grosso de boa qualidade, conta com seis setores de escalada e um total de 121 vias, onde 85% são esportivas e 15% são de escalada tradicional.

Foto: Carlos Eduardo

Todas as vias são de apenas uma enfiada com altura de no máximo 30 metros e todos os tipos de dificuldade. Não é permitido acampar no local, mas existem várias ótimas opções por perto.

Sugerimos ficar ao menos 5 dias no local, consultar o site Climb ZA, levar corda de 60 ou 70 metros e 15 costuras: http://www.climbing.co.za

Foto: Carlos Eduardo

Foto: Carlos Eduardo

Outro local próximo para escalada é o Rooiberg, este localizado em uma propriedade particular e para a escalada deve-se solicitar o acesso, mas o dono do camping nos informou que atualmente o acesso não estava sendo liberado.

Rocklands

No terceiro dia pela manhã acordamos e fomos até a famosa Rocklands, ao norte do parque. Fomos por dentro das montanhas, caminho mais demorado e com uma estrada muito precária, sem 4X4 é impossível percorrer o caminho.

Passamos, mas não paramos, por mais dois locais de escalada Wolfberg e Tafelberg, as duas localizações são praticamente só escalada tradicional. Também é necessário obter permissão para a escalada e entrada. Outro local para escalada é o Krakadouw, este não passamos e não tem muita informação.

Foto: Carlos Eduardo

Rocklands é mundialmente famosa pelos boulders, mas atualmente já conta com algumas vias de escalada esportiva. Região semi-árida com rocha em arenito fino e de alta dureza, cuidado com os dedos.

Todos os boulders de Rocklands estão localizados em fazendas privadas ou em regiões de parque, então é necessário pagar uma taxa ou uma permissão para a prática do esporte.

Por ser muito procurada, essa região conta com um site onde a permissão pode ser adquirida via internet e pode ser diária, por final de semana, semanal, mensal ou trimestral, para maiores informações consulte o link.

Foto: Carlos Eduardo

Existem seis grandes áreas onde é possível encontrar diversos boulders com incontáveis vias. Como estávamos com pouco tempo para explorar todas as áreas, decidimos nos concentrar em somente uma, a Campground Boulders.

Localizada a alguns minutos de caminhada do camping chamado Kliphuis campsite.

Este é o melhor lugar para ficar hospedado, próximo a todas as outras regiões, o camping, recém reformado (2013), conta com 12 áreas para camping, campings spots com água mesa e churrasqueira além de três casas para até oito pessoas cada.

Foto: Carlos Eduardo

Se a ideia é ficar mais tempo e explorar várias regiões, alugue um carro e fique na cidade de Clanwilliam, a cidade fica a apenas 20 minutos da Rocklands e possui diversas opções de acomodação e alimentação.

Exploramos a área próxima ao famoso TeaPot boulder, onde gastamos um tempo, deste local é possível facilmente acessar outros boulders. Depois encontramos um pessoal que estava no Beginners boulder e ficamos em alguns problemas por ali também.

Conversamos com os escaladores que estavam em uma turma de 10 pessoas, de vários lugares do mundo, França, Espanha, Canada e até EUA,alguns estavam em viagem de 15, 30 dias e até três meses. Junto com eles estavam dois garotos de 12 e 8 anos, Sul Africanos, que estavam guiando este grupo pelos boulders.

No quarto dia pela manhã, fomos para a mesma área, porém mais a Leste do Teapot. Ali não encontramos muitos boulders ativos, mas como a região possui muitas rochas com potencial para o esporte, acabamos abrindo duas vias por conta própria (“pra quem é tá bom” V2 e “Boulder da AMES” V3).

Foto: Carlos Eduardo

Rocklands tem um total de sete áreas de escalada: Campground Boulders, Champside Boulders, Fortress Area, Roadside Boulders, Upper Campground Boulders, Ceder Rouge Area e De Pakhuys, esta última é a região de escalada esportiva, com diversos setores.

Rouge Area é onde está localizado o boulder BLACK EAGLE SITSTART-V15, um dos 3 boulders mais difíceis do mundo.

Caso queira explorar a área melhor, recomendamos ficar no mínimo 10 dias na Rocklands, comprar o guia da região , e se possível, encontrar um escalador locar para auxiliar na busca dos boulders. Alguns boulders são altos ou tem pedras ao redor, por isso leve dois crashpad´s.

Foto: Carlos Eduardo

A tarde voltamos para Cape Town com a sensação de que a região de Cederberg é um espetáculo, tanto para escalada quanto para outras atividades outdoor ou somente para aproveitar a natureza em um acampamento .

Se estiver em Cape Town coloque a região no seu roteiro, alugue um carro e curta no mínimo quatro dias de muita aventura.

Foto: Carlos Eduardo

Links úteis

Foto: Carlos Eduardo

Foto: Carlos Eduardo

Ana Carolina e Carlos Eduardo são um casal apaixonado por esportes outdoor, viagens, fotografia, gastronomia e natureza. Ela bióloga, ele chef de cozinha, sommelier, cervejeiro e fotógrafo amador, escalam desde 2015 com o objetivo de conhecer os locais mais inusitados do mundo. Atualmente sem residência ou emprego fixo, rodam o mundo ajudando a quem precisa em trabalhos voluntários e buscando novos locais para escalar. Levam na bagagem 16 países, uma máquina fotográfica, duas sapatilhas de escalada, um saco de magnésio e muitas histórias para contar.

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