Escalada nas Olimpíadas: Como o Brasil está se preparando?

A apresentação da escalada esportiva, nas Olimpíadas do Japão em 2020, parece ter acendido os escaladores e escaladoras no Brasil. Muita gente está treinando, os ginásios e paredes estão aumentando (após muito tempo, a cidade de São Paulo ganhou mais um), procuram-se especialistas para melhorar o desempenho e as rochas estão cada vez mais populares. Mesmo em tempos de crise, há várias marcas de agarras sendo fabricadas no país, vendem-se mais equipamentos e quem ressola sapatilhas está cheio de serviço.

Na internet difundem-se vídeos sobre treinamento às centenas e cada um procura mostrar as melhores formas de se obter resultados e encadenar vias com mais alto grau e no menor tempo possível. Uma corrida às alturas. É muito bom ver esse movimento, principalmente para quem começou a trabalhar com a iniciação de jovens escaladores há mais de vinte anos atrás.

Escaladora Camila Macedo | Foto: Carol Coelho

Porém há 10 anos publiquei um artigo sobre o treinamento de escaladores competitivos (PEREIRA, D. W.; MANOEL, M. L. O treinamento de Escaladores de competição do Estado de São Paulo. Revista Mineira de Educação Física. Viçosa – MG, v. XVI, n. 2, p. 102 – 135, 2008). Nele constatamos que muitos escaladores não sistematizam seu treinamento, não possuem acompanhamento profissional e não consideram a formação em Educação Física como relevante na escolha deste profissional.

Agora, em 2018 com o advento do Campeonato Brasileiro de Boulder realizado na Casa de Pedra, tive a oportunidade de retomar o tema, contando com a colaboração de meus alunos Diogo, Rene e Rafael.

Juntos fomos coletar dados sobre o perfil dos escaladores brasileiros na atualidade.

Estamos iniciando as análises, porém vou adiantar algumas informações referentes aos atletas da categoria PRO: 66% dos atletas PRO que foram para a final tem treinador e 34% não tem treinador. Já entre os atletas que não foram para a final 34% tem treinador e 66% não tem treinador.

Entre aqueles que têm treinador 90% considera que ser praticante de escalada é fundamental para fazer o acompanhamento do treino. Ainda entre aqueles que têm treinador 70% destes tem formação em Educação Física/Fisioterapia.

Esses dados apontam para o fato de que a melhoria do resultado competitivo está associada ao treinamento com alguém que tem experiência na escalada e no treinamento das capacidades físicas, psicológicas e técnicas e que há uma considerável mudança na escolha do treinador em relação a uma formação acadêmica, sendo que a formação deve estar associada à prática do esporte.

Bons treinos a todos.

Dimitri Wu é Escalador, professor do curso de Educação Física da UNINOVE-SP, doutorando em Educação, autor dos livros Escalada e Pedagogia da Aventura

There are 2 comments

  1. Patrick Givisiez

    Para quem já teve a oportunidade de treinar com um bom profissional formado e atualizado, não resta dúvidas que esta figura é indispensável.

    Em tempo: O segundo gráfico da primeira imagem está com as % trocadas.

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