Escalada nos Jogos Olímpicos: Tudo o que você queria saber e ninguém contou

Desde o anúncio oficial de que a escalada esportiva formaria parte dos Jogos Olímpicos de Tóquio 2020, veículos, atletas e marcas levantaram algumas preocupações a respeito da forma a qual serão realizadas as três disciplinas: velocidade, dificuldade e boulder, assim como as premiações e número de participantes. Ao mesmo tempo que houve comemoração de todos com a notícia, também houve muitas dúvidas e, inclusive, insatisfação.

Pouco a pouco algumas dúvidas e inquietações foram se dissipando e, de acordo com notícias publicadas na semana passada os Jogos Olímpicos de 2024 também terão escaladas. Inclusive, para os jogos de Paris 2024 é prometido um número maior de competidores e medalhas. Mas, para que todos entendam, vamos por partes e comecemos a entender o que acontecerá para selecionar os atletas que irão para 2020, que é a estreia oficial dos jogos olímpicos.

As informações foram todas obtidas por números oficiais do IFSC e, além disso, foi feito um relato imparcial baseado em números, não em expectativas. Portanto, na explicação abaixo, foram deixados de lado qualquer afago em “maiores esperanças olímpicas” de qualquer país. As reais chances de classificar-se, cada atleta já deve saber (se não sabe, deveria). Partindo deste premissa, de avaliar baseado em dados matemáticos, uma outra observação válida é a de que os números abaixo são para os Jogos Olímpicos de Tóquio 2020. Para os Jogos Olímpicos de Paris 2024 ainda não há nada concreto nem oficial (como pode ser lido no final do artigo).

Número total de competidores

 

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Os próximos Jogos Olímpicos de Tóquio 2020 poderão participar um total de 40 participantes, dos quais são 20 homens e 20 mulheres. Cada país poderá ter no máximo de quatro competidores representativos, dos quais somente dois homens e duas mulheres.

Com esta medida, entretanto, conclui-se que serão poucos países que terão representantes de escalada esportiva nas olimpíadas. Mesmo assim, o Comitê Olímpico Internacional anunciou que as classificações seriam realizadas em um número maior de países, com a finalidade de incluir o maior número de atletas no processo de seleção. Mas, levando em conta apenas a matemática, dos vinte contemplados com a vaga, existe uma “reserva” para o país anfitrião (Japão) e outra para a Comissão Tripartite (uma espécie de convite especial a um atleta). Portanto, em termos práticos, somente 18 vagas estarão abertas aos escaladores para lutar pela primeira medalha olímpica.

Calendário Olímpico de Classificatórias

 

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O calendário de competições classificatórias foi divulgado oficialmente pela International Federation of Sport Climbing (IFSC). O IFSC é para a escalada esportiva, o que a FIFA é para o futebol. As federações nacionais mais bem organizadas já se apressaram para divulgar suas próprias datas baseado nelas. Grande parte dos atletas planejam seus treinamentos (Macrociclo, mesociclo e microciclo), baseado nestas datas.

A princípio serão sete competições para que sejam conhecidos os atletas a competirem em Tóquio 2020.

  • Campeonato Mundial IFSC – Combinado (velocidade, boulder e velocidade)
    • Data: 20 e 21 de agosto de 2019
    • Hachioji (Tóquio) – Japão
    • Classificação Olímpica: 14 (7 homens e 7 mulheres)
  • Evento de classificação olímpica: atletas ainda não classificados pelo Campeonato Mundial IFSC
    • Data: 28 de novembro -1 de dezembro de 2019
    • Toulouse – França
    • Classificação Olímpica: 12 (6 homens e 6 mulheres)
  • Campeonatos Pan-americanos Continentais
    • Data: 27 de fevereiro a 1 de março de 2020
    • Academia Sender One (Los Angeles) – EUA
    • Classificação Olímpica: 2 (1 homem e 1 mulher: caso ainda não tenha sido classificado pelo seu país)
  • Campeonatos Continentais da Europa
    • Data: 16 a 18 de abril de 2020
    • Moscou – Rússia
    • Classificação Olímpica: 2 (1 homem e 1 mulher: caso ainda não tenha sido classificado pelo seu país)
  • Campeonatos Continentais de Oceania
    • Data: 16 a 18 de abril de 2020
    • Sidney – Austrália
    • Classificação Olímpica: 2 (1 homem e 1 mulher: caso ainda não tenha sido classificado pelo seu país)
  • Campeonatos Continentais da África
    • Data: 1 e 3 de maio de 2020
    • Sidney – Austrália
    • Classificação Olímpica: 2 (1 homem e 1 mulher: caso ainda não tenha sido classificado pelo seu país)
  • Campeonatos Continentais da Ásia
    • Data: 18 a 24 de maio de 2020
    • Sidney – Austrália
    • Classificação Olímpica: 2 (1 homem e 1 mulher: caso ainda não tenha sido classificado pelo seu país)

Como foi mencionado antes, cada país tem apenas duas vagas por gênero, pois se um grande número de competidores de um só pais finalizar nos primeiros lugares (por exemplo, sete competidores de um mesmo país entre os oito classificados) somente os dois primeiros seriam classificados para a olimpíada. A partir do terceiro lugar, estariam os atletas de outros países na lista de classificados.

Ao finalizar o último campeonato, que será na Ásia, será realizado o processo de classificação dos Jogos Olímpicos para estabelecer as listas de competidores de cada país (caso algum atleta seja desclassificado).

Polêmica das disciplinas

 

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Como foi afirmado no início do artigo, as três disciplinas para os Jogos Olímpicos de Tóquio 2020 são velocidade, boulder e vias guiadas. As disciplinas serão disputadas nesta mesma ordem: velocidade, boulder e vias guiadas, com um dia de classificatória para cada gênero. As finais são disputadas do mesmo formato que as classificatórias, mas somente com os 8 classificados. Serão, portanto, quatro dias de provas de escalada:

  • Dia 1 – Classificatória Feminino: 20 atletas
  • Dia 2 – Classificatória Masculino: 20 atletas
  • Dia 3 – Finais Feminino: 8 atletas
  • Dia 4 – Finais Masculino: 8 atletas

Entretanto, pelo que foi visto em diferentes competições internacionais, os especialistas em velocidade necessitam também treinar para as outras disciplinas e, com isso, terão dificuldades para sonhar com medalhas para os Jogos Olímpicos de 2020. A escalada de velocidade é considerada uma disciplina muito diferente das de boulder e vias guiadas.

Levando em conta os resultados obtidos nas Copas do Mundo de Escalada (a qual possui um calendário com várias provas ao longo do ano), os escaladores mais fortes em boulder e vias guiadas tendem a serem mais lentos na escalada de velocidade. Todos eles, aliás, tiveram de desenvolver suas habilidades em velocidade, algo que não tinham contemplado antes da escalada tornar-se olímpica.

A ironia é que tratar de incluir todos escaladores (velocidade, boulder e vias guiadas), o formato olímpico pode deixar de fora vários escaladores. Para muitos, o mais justo seria que as finais incluíssem dois especialistas de boulder, dois de dificuldade e dois de velocidade.

Portanto, o formato olímpico é certamente diferente e estranho desde a perspectiva clássica de escalada. Esta estranheza foi confirmada pelos escaladores mais fortes em todo o mundo. Entre eles o próprio Adam Ondra, que afirmou publicamente que “não entendia nada de escalada de velocidade”. Mas, olhando desde uma perspectiva de entretenimento, o formato poderia ser a chave para que a escalada conquiste os aficionados em olimpíadas. Observando do ponto de vista das casas de apostas, o formato também embaralha as possibilidades de favoritismo de vários atletas e criaria a expectativa do imponderável. Este imponderável seria a principal atração para o COI, que detém os direitos de transmissão dos Jogos Olímpicos.

Jogos Olímpicos Paris 2024

 

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No último dia 21 de fevereiro, como publicado em primeira mão para a América Latina pela Revista Blog de Escalada, o Comitê Organizador dos Jogos Olímpicos de Paris 2024 publicou que para a 33º edição, a terceira da capital francesa, que estão considerando a escalada esportiva para também fazer parte dos jogos. Desta maneira, a escalada esportiva teria garantida a participação em mais uma olimpíada.

Para a edição de 2024 está sendo considerada a separação das competições de boulder e vias guiadas das de velocidade. Desta maneira, caso seja aceito, duplicaria o número de medalhas disponíveis para a escalada e aumentaria a quantidade de escaladores olímpicos para 72 (52% mais atletas).

Para os jogos de Paris 2024, além da escalada, foram propostos ainda esportes como breakdance e patinação. O Comitê Olímpico Internacional revisará os esportes de 26 a 28 de março. Posteriormente a esta data, saberemos se a escalada seguirá como esporte olímpico. Como a escalada possui uma grande popularidade na França, a qual é considerada o berço do esporte, a possibilidade de acontecer é alta.

 

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Foto topo: Lukas Schulze – Jogos Olímpicos da Juventude Buenos Aires

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