Escalada de velocidade: Como é o processo de classificação do IFSC

A escalada de velocidade (speed) é, de longe, a mais polêmica das modalidades que International Federation of Sport Climbing (IFSC) implementou para as olimpíadas. Possui baixíssima aceitação dos escaladores, pouco interesse do público presente e uma fixação quase visceral da TV para esta modalidade. Mas, como muitos já explicaram, ela irá acontecer e não há maneira de mudar isso em curto prazo.

Não resta dúvida de que, ao menos na atual geração, a escalada de velocidade nivela por baixo a capacidade de escalada dos competidores.

Porém, para classificar-se para as olimpíadas o atleta deve pontuar em TODAS as modalidades, não somente em velocidade. Portanto atletas que se dedicaram unicamente a uma única atividade, terão de sair da zona de conforto e aprimorar-se nesta modalidade.

Pelo que foi apresentado nos Jogos Olímpicos da Juventude, nos quais a Revista Blog de Escalada foi o único veículo outdoor da América Latina a cobrir o evento in loco, a maneira de classificação desta modalidade ainda é um pouco confusa. Especialmente para quem não conhece em nada a modalidade. Uma análise mais detalhada da modalidade, como inclinação da parede, tipos de agarras e histórico, já foi publicada. Mas o sistema de classificação nas finais ainda não.

Formato Olímpico para a velocidade

A escalada olímpica terá 20 atletas, selecionados de acordo com as regras já publicadas pelo International Federation of Sport Climbing (IFSC). Como todo e qualquer esporte olímpico, a classificação será difícil para quem for especialista em apenas uma modalidade. A velocidade está sendo vista como um fator imponderável que fará com que não exista favoritos.

Portanto o formato de competição para a velocidade, assim como para todas as modalidades, possui duas etapas: classificatória e final. Portanto, o sistema de pontuação para vias guiadas e pontuação de boulders continua o mesmo. Ambos os sistemas de pontuação foram explicados em artigos completos e detalhados aqui mesmo. As classificatórias para a velocidade são levadas em consideração apenas uma ascensão e o tempo gasto nela. Assim como acontece com as vias guiadas (lead), somente há uma chance.

Para a final, classificam-se os seis melhores tempos. Para a grande final, é utilizado um sistema de playoffs. Nas quais cada duelo, chamado pelo IFSC de “corrida” (race), há um vencedor e um perdedor. O vencedor segue para a seguinte etapa. O quadro abaixo há uma explicação mais compreensível deste sistema.

Sem sombra de dúvida, o vencedor com o melhor tempo leva uma vantagem considerável, pois sempre irá competir com um atleta com rendimento, ao menos em teoria, mais inferior. Como a média de subida de cada competidor é, em média, em torno de 7 a 8 segundos, a competição final dura aproximadamente 15 minutos. Para que se tenha uma ideia, os recordes mundiais são:

Importante lembrar que as provas de escalada são realizadas na seguinte ordem: velocidade, boulder e vias guiadas. Cada atleta terá aproximadamente duas horas entre uma prova e outra para se recuperar nas classificatórias e três horas nas finais.

Formado em Engenharia Civil e Ciências da Computação, começou a escalar em 2001 e escalou no Brasil, Áustria, EUA, Espanha, Argentina e Chile. Foi jurado do Rio Mountain Festival e já viajou de mochilão pelo Brasil, EUA, Áustria, República Tcheca, República Eslovaca, Hungria, Eslovênia, Itália, Argentina, Chile, Espanha, Uruguai, Paraguai, Holanda, Alemanha e Canadá. Realizou o Caminho de Santiago, percorrendo seus 777 km em 28 dias.

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