Saiba quais são os erros corriqueiros de segurança na montanha

Com a popularização das atividades de montanha, cada vez mais há pessoas interessadas em visitá-las. O reflexo deste interesse, além do aumento do mercado consumidor deste tipo de atividade, é o aparecimento cada vez maior do assunto em conteúdos que antes ignoravam o assunto. São filmes hollywoodianos, séries de TV, reportagens de jornais de alcance nacional, etc. Desta maneira cada vez mais os lugares estão mais visitados e, inevitavelmente, começam a aparecer incidentes de pessoas destreinadas em atividades de montanha se aventurar de maneira irresponsável.

A cada semana aparece a notícia de alguém que, por algum motivo, “perdeu-se” em trilhas tradicionais ou de grupos. Muitos utilizam o pretexto da economia para dispensar guias e equipamentos adequados para vivenciar a tão glamorizada aventura. Para resgatar estas pessoas, que muitas vezes são imprudentes e inconsequentes, resgatistas são acionados. Um volume considerável de dinheiro público é gasto em operações de resgate. Felizmente, ou infelizmente, no Brasil não há exigência de ressarcimento do resgatado caso seja comprovada imprudência e imperícia.

Acidentes de montanha

Foto: Dakota Snider.

A análise de acidentes ocorridos entre montanhistas é importante para saber as causas mais frequentes. Infelizmente, no Brasil, muitos ainda optam por esconder os acidentes. Tanto das autoridades civis, quanto da comunidade de escalada. Recentemente um acidente de escalada foi reportado, mas o comportamento dos envolvidos seguiu o triste padrão brasileiro: ofensas a quem noticiou, acusações genéricas e infundadas e, claro, posteriormente a admissão de que o ocorrido aconteceu de acordo com os relatos. Atitude que denota total despreparo de quem vive em sociedade.

Na Espanha, um dos países mais tradicionais em montanhismo e escalada do mundo, anualmente são levantadas junto às autoridades públicas, como corpo de bombeiros e corpo de resgatistas de montanha, dados referentes as acidentes. O motivo disso, ao contrário do que acreditam os abafadores de notícias, é mapear onde e como atuar na educação e conscientização da população em geral. Neste levantamento anual, foi mapeado que a incidência de acidentes acontece em pessoas entre 20 e 40 anos, mas a maior incidência está na faixa dos 20 a 25 anos.

Um outro dato curioso é que existe um número de acidentes fatais alto, mesmo que o numero absoluto seja relativamente baixo. Mas o mais preocupante é que nas investigações, 85% dos casos a responsabilidade foi do próprio montanhista. Nesta estatística, ficou comprovado que 4 em 5 acidentes de montanhistas acontece por negligência parcial ou total do envolvido. Curiosamente também é que grande parte dos acidentados sequer faz parte de alguma associação de classe que represente a atividade.

Principais erros de montanhistas

Foto: http://www.thetoc.gr/

O principal motivo que parques alegam para a obrigatoriedade de guias é o alto índice de pessoas que se perdem ou se acidentam no local. Muitos diretores de parque enxergam a obrigatoriedade de guias como uma espécia de “bedel de turista”, da mesma maneira que vários turistas enxergam o guia como “babá de montanhista”. Muitos reclamam de que, por alegarem ser montanhistas “experientes”, não necessitam de guias. Entretanto, praticante não há como turista comprovar esta dita “experiência”.

Mas quais são os erros mais corriqueiros dos turistas e montanhistas quando vão conhecer uma área. O primeiro, que é inerente do ser humano, é achar que sabe mais do que realmente sabe. Indivíduos que possuem pouco conhecimento sobre um assunto acreditam saber mais que outros mais bem preparados, fazendo com que tomem decisões erradas e cheguem a resultados indevidos. Todo turista acaba, por uma vez ou outra, tendendo a se superestimar em todas as áreas, incluindo a saúde, capacidade de liderança e a ética.

As pessoas menos qualificadas nem sequer têm a experiência necessária para saber o que estão fazendo de errado. As histórias pessoais e teorias que dão ao imprudente a impressão de terem um conhecimento confiável. No levantamento de motivos que ocasionaram em acidentes, existem dois tipos de categorias: preventivas e assistenciais

  • Principais erros preventivos
    • Não conhecer a montanha e seu entorno
    • Roupa e equipamento inadequado
    • Alimentação e hidratação inapropriada
    • Preparação física e técnica insuficiente
    • Conhecimento médico e esportivo superficial
  • Principais erros assistenciais
    • Desconhecimento, ou conhecimento superficial, em primeiros socorros
    • Desconhecimento de manobras essenciais de reanimação
    • Normas de comportamento durante a busca e socorro

Como prevenir?

A segurança em montanha e escalada é baseada fundamentalmente em aprendizagem constante de todas às disciplinas do esporte de montanha. O conteúdo a respeito do montanhismo é vasto e dificilmente dominado 100% por uma só pessoa. Exatamente por isso que existem cursos e certificações de guias de montanha, para que seja comprovada o conhecimento deste tipo de conhecimento.

A questão da prevenção de acidentes em montanha está longe de ser atacar quem se acidentou. Mais importante que aplicar uma multa a um acidentado imprudente e leigo, é também promover eventos, workshops, simpósios e cursos para a preparação de pessoas para a prática do montanismo.

Formado em Engenharia Civil e Ciências da Computação, começou a escalar em 2001 e escalou no Brasil, Áustria, EUA, Espanha, Argentina e Chile. Foi jurado do Rio Mountain Festival e já viajou de mochilão pelo Brasil, EUA, Áustria, República Tcheca, República Eslovaca, Hungria, Eslovênia, Itália, Argentina, Chile, Espanha, Uruguai, Paraguai, Holanda, Alemanha e Canadá. Realizou o Caminho de Santiago, percorrendo seus 777 km em 28 dias.

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