Saiba quais são os 5 erros mais comuns que cometem escaladores experientes

Não há dúvida que em esportes de risco, como a escalada e montanhismo, a experiência é uma grande vantagem para quem é praticante. Importante não confundir experiência com o número absoluto de anos desde a primeira atividade. Isso porque alguém que é praticante esporádico com 12 anos de experiência não pode ser comparado com outra pessoa que é praticante assíduo no mesmo período.

Há várias pessoas que alertam para os principais erros que praticantes iniciantes cometem. Entretanto, há também uma série de erros que escaladores experientes cometem. O mais curioso disso é que os comete exatamente por serem experientes. Indiscutivelmente todos escaladores conhecem (ou pelo menos deveriam conhecer) os procedimentos básicos de segurança. Da mesma maneira também todos já possuem internalizados os movimentos de pés, mãos e equilíbrio do corpo. Também controlam o medo de cair e maximizam a concentração.

Mas esta mesma experiência de vida, às vezes, joga contra os escaladores experientes. Fazendo com que a displicência e desatenção acabem colocando estas mesmas pessoas que possuem anos de experiência nas costas em situações delicadas. Talvez a qualidade mais importante de um praticante experiente é saber que acidente podem acontecer a qualquer um, por isso sempre deve ser criterioso com a sua segurança e de quem estiver próximo.

Erro 1: Guias de escaladas incompletos

Parte do novo guias de escaladas da lapa do Seu Antão

Se alguém acreditar que acidentes não acontece consigo, já é meio caminho andado para abrir as portas para acidentes bobos. Infelizmente os erros mais inocentes e pueris são os que vitimizam mais pessoas na escalada. Dificilmente um acidente de escalada é por culpa de falha de equipamento. A porcentagem de acidentes por falha de equipamento é abaixo de 1% da porcentagem total das ocorrências.

Caso fosse necessário dissecar os motivos dos acidentes, abrindo a caixa-preta como nos acidentes de avião, verificaremos que os acidentes que envolvem escaladores experientes possuem as características abaixo:

  • São simples e fáceis de executar
  • Não é necessário equipamentos especiais ou específicos
  • Procedimentos pouco discutidos com a comunidade quanto à sua efetividade (como alguns nós)
  • Pouca execução de procedimentos ao longo da “carreira”

Verifique em quantos guias de escalada existem ilustrações dos procedimentos básicos de segurança. Muito provavelmente se houver uma estatística desde dado, verificará que é uma porcentagem tão pequena que denota um certo descaso dos autores de guias de escalada quanto a isso. Isso porque são exatamente estes mesmos guias experientes, que gastam horas e horas trabalhando em um livro sobre um local de escalada, mas esquecem de dedicar duas páginas aos procedimentos básicos.

Outros escaladores experientes, quem compram o livro, concentram somente também em reclamar de aspectos frugais destas obras. Mas todos (experientes e iniciantes) acabam nem reclamando da importância de intrusões básicas de segurança em um guia de escalada. Grande parte destes escaladores experientes foca em aspectos superficiais de um guia como o tipo de papel e foto da capa.

Um guia de escalada de verdadeira qualidade deve ter, antes de tudo, informações confiáveis e instruções de procedimentos básicos de escalada.

Erro 2: Não aposentar equipamentos desgastados

Grande parte dos escaladores compra os equipamentos e os vão usando indefinidamente. Muitos, especialmente os experientes, acabam usando os equipamentos e estes acabam gastando com o tempo. Especialmente os mosquetões de costuras, deixadas nas vias. Este “pequeno” desgaste, no caso de uma queda mais brusca (não necessariamente Fator 2) pode cortar a corda.

Este perigo é notável em vias muito escaladas, mas de grande dificuldade, as quais sã deixadas costuras “fixas” para serem aproveitadas por quem quer experimentar a linha. Mesmo verificando que estes mosquetões estão desgastados, algumas pessoas fazem vista grossa e não os trocam. O mais problemático deste procedimento é que a cada uso, o mosquetão se desgasta mais e mais, ficando mais perigoso com o tempo.

Há também escaladores que possuem mosquetões e costuras “de estimação”, e mesmo apresentando desgaste guardam e utilizam na esperança de que não aconteça nenhum problema no futuro.

Este tipo de negligência pode fazer com que, ao de emprestar o mosquetão a outra pessoa, aconteça algum acidente, por nenhuma das duas estarem cientes de que quedas podem acontecer em qualquer momento de uma escalada.

Erro 3: Não usar capacete quando provê segurança

O uso de capacetes na escalada é importante e já foi discutido largamente ao longo do tempo. Muitos escaladores não têm o costume de usar capacete, o que já demonstra descaso com a própria segurança. Mesmo em lugares os quais o uso de capacete é obrigatório, como Piedra Parada na Argentina e Cochamó no Chile, é comum verificar escaladores arriscarem a sua integridade.

Mas não somente os escaladores que não gostam de capacete estão correndo perigo. Aqueles escaladores que usam capacete apenas para escalar, mas quando faz a segurança de outra pessoa não. Entretanto o capacete protege o praticante de queda de pedras, tanto quem escala quanto quem está dando segurança.

Erro 4: Não realizar procedimentos de segurança em rapel

Há uma grande parte dos escaladores que possuem preconceito com respeito aos praticantes de rapel. Talvez por isso acabem não executando o procedimento adequadamente com prussik ou outro tipo de back-up que conheça. Como já realizaram o procedimento infinitas vezes, acabam ficando displicente quando realizam o procedimento.

Muitos encontros de escalada hoje se concentram muito em idolatrar pessoas e menos em oficinas de reciclagem de conhecimentos. As próprias pessoas que comparecem a estes encontros de escalada se preocupam em suas palestras, enaltecer suas próprias conquistas as quase nada em lembrar da importância da segurança e procedimentos. O desejo de ganhar aplausos e receber chuvas de confetes é muito maior que minimizar a segurança no esporte que prática.

Um outro erro é esquecer de checar o equipamento de descida (mosquetão+corda+freio) e se estão corretamente montados. Há vários exemplos de pessoas que montam rapel sem passar a carda por dentro do mosquetão quando o montam. Desta maneira caem do alto da via em acidente que prejudica ainda mais a imagem do esporte e da comunidade de pessoas que o pratica.

Erro 5: Esquecer de checar o parceiro

Com o tempo, escaladores experientes acabam esquecendo de checar o parceiro. E vice-versa. Nesta pequena negligência, cadeirinhas não são ajustadas, nós são mal feitos e freios montados de maneira errada. Este tipo de erro acontece em todos os ambientes: escalada tradicional, esportiva e dentro de um ginásio. Há estabelecimentos que provê cursos de segurança de escalada, mas são obrigados a colocar um “bedel” para circular na academia para verificar a atenção das pessoas.

Quantas vezes em uma roda de amigos ao pé de uma via, muitos esquecem de levar costuras, termina o nó ou mesmo de colocar o freio de maneira correta. Este erro é muito mais comum que se parece. Inegavelmente é responsabilidade de cada um dos procedimentos individuais para a segurança da escalada. Mas não verificar se a pessoa o realizou, também é uma forma de negligência.

Engenheiro e Analista de Sistemas, começou a escalar em 2001 e escalou no Brasil, Áustria, EUA, Espanha e Argentina. É totalmente dedicado ao esporte de escalada em rocha e é apaixonado em filmes Outdoor. Para aproveitar melhor esta paixão fez curso de documentário na Escola São Paulo, além dos cursos de “Linguagem Cinematográfica” e “Crítica de cinema”. Foi jurado do Rio Mountain Festival. Já viajou de mochilão pelo Brasil, EUA, Áustria, República Tcheca, República Eslovaca, Hungria, Eslovênia, Itália, Argentina, Espanha, Uruguai e Paraguai, Holanda, Alemanha e Canadá.

There is one comment

  1. Marcel Leoni

    Discordo em alguns pontos. O primeiro é em relação a informações sobre técnica em guias de escalada. Um guia de escalada destina-se a pessoas experientes. O segundo ponto é sobre o rapel. Quando adotamos um procedimento, adotamos e ponto final. Não existe isso de fazer uma coisa hoje e amanhã outra no caso de um escalador experiente. Mas no geral está boa.

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