[EXCLUSIVO] Entrevista com Peruzzo Urzedo

313957_238680702833780_6597377_n[1]

Foto: Arquivo Pessoal Peruzzo

Tirar fotografias é sim uma arte, e dominada por poucos.

Não é exagero nenhum dizer que somente porque alguém fez algum curso, ou ter uma câmera profissional faz desta um fotógrafo.

Da mesma maneira que alguém portando um bisturi não se torna médico.

Além de talento é necessário a conhecida “transpiração” para chegar a um nível de excelência desejada por muitos, porém atingida por poucos.

281658_226083674093483_2149173_n[1]

Foto: Arquivo Pessoal Peruzzo

Por transiração entenda que é o contínuo e disciplinado trabalho para lapidar o talento.

Um destes talentos da  fotografia é o mineiro Peruzzo Urzedo, que não cansa de presentear a todos com seu seu trabalho de alta qualidade.

Além deste talento citado, Peruzzo também é escalador, e impressionou a todos em um pequeno vídeo divulgado na internet para mostrar as belezas e o potencial de “Terra Ronca”.

578317_356133551088494_1063443022_n[1]

Foto: Arquivo Pessoal Peruzzo

Não bastasse a beleza de suas fotos e vídeo , ainda disponibilizou as fotos para download em alta resolução para quem se interessasse.

Atitude esta que já o coloca diferenciado perante a tantos aspirantes a fotógrafos um tanto mesquinhos.

Por todos estes motivos Blog de Escalada procurou o Peruzzo para uma entrevista e foi prontamente atendido, brindando com respostas estremamente lúcidas e relevantes.

Leia a entrevista de Urzedo abaixo:

 Peruzzo, primeiramente a pergunta mais clichê para fotógrafos: Canon ou Nikon? e porque?

Hoje eu fotográfo com Canon mas já fotografei com Nikon.

Na realidade, minha escola de fotografia foi sair por ai “atirando” com uma Nikon F-401s analógica doada por uma amiga.

168970_173636789338172_5171644_n[1]

Foto: Arquivo Pessoal Peruzzo

Na realidade, ao meu ver a câmera não faz muita diferença.

Você tem se destacado por muitas fotos de natureza, e de escalada. Será a sua temática dominante na sua carreira de fotógrafo?

Desde criança esse contato com a natureza rege minha alma.

Acredito que qualquer trabalho que eu venha desenvolver seja na fotografia ou não terá a natureza como sustentação.

Esta conexão entre o homem e o que é natural é fundamental para que possamos nos conhecer melhor, nos sentir unificados e nos curar dessa grande loucura que é a separação: HOMEM X “O RESTO”.

253573_426475000721015_1772350222_n[1]

Foto: Arquivo Pessoal Peruzzo

Já a escalada é algo que vibra dentro de mim me coloca frente a frente com meus medos e me faz querer sana-los, logo ela teria que estar presente no que eu venha desenvolver.

Quais são seus objetivos que traçou para sua carreira de fotógrafo?

A fotografia é só um pretexto para que eu possa conhecer e sentir o mundo.

A uso como uma ferramenta de aproximação, comigo mesmo e com aquilo que fotografo.

Quando olho pelo visor tenho a sensação que posso ir mais fundo, que posso atingir outras camadas de sensibilidade e assim elaborar com mais consciência e atenção o aprendizado que abstraio.

tumblr_inline_mks7dxTlZL1qz4rgp[1]

Foto: Peruzzo

Não trago muitas expectativas com a fotografia, simplesmente a faço com o coração aberto, deixo que flua sem muitas cobranças, “sem futuros brilhantes apenas um presente sincero e honesto com meus sentimentos mais puros” já disse em um de meus trabalhos, estaria eu muito feliz se a fotografia continuasse a me prover alimento e aventuras cada vez mais produtivas.

Você recentemente realizou uma viagem à Terra Ronca, e teve até mesmo seu vídeo divulgado à extensão em redes sociais. Você acredita que lá pode mesmo ser um novo paraíso de escalada brasileira?

Olha, já estive em alguns locais bem especiais, mas Terra Ronca é diferente.

tumblr_inline_mks849Tiqv1qz4rgp[1]

Foto: Peruzzo

É um santuário, é misteriosa, acalentadora e ao mesmo tempo desestabilizadoras, é selvagem, no melhor sentido da palavra.

O que aprendi em 5 dias ali talvez demorasse anos para aprender.

Muitos não voltam da viagem de Terra Ronca e com muita razão.

O potencial para escalda é nítido paredes de calcário intermináveis, uma imensidão de pedras que eu só via em fotos e vídeos estrangeiros.

Lá tem tudo para ser o paraíso da escalada Brasileira, me arisco a dizer que com as devidas máximas que são: respeito, consciência e preservação teremos um dos melhores picos de escalada do mundo.

Alguns escaladores mais animagos sugeriram a realização de um Petzl Roc Trip no local. Você concorda com a realização de um evento assim lá?

Não participei do Petzl RocK Trip, só senti a famosa “VIBE” de alguns amigos que estiveram por lá.

284427_226092147425969_4839240_n[1]

Foto: Arquivo Pessoal Peruzzo

Ainda não tenho uma opinião formada com relação ao evento em si, mas com certeza é algo bom para a escalada resta saber se é bom para o lugar.

Como é feito o manejo de tantas pessoas, dos dejetos dessas pessoas, do impacto que isso causa na realidade, enfim é algo para ser conversado, acredito piamente que a escalada e os escaladores, sejam eles esportivos ou tradicionais são agentes poderosos de preservação desse ambiente natural e um evento como esse coloca isso na pauta, provoca o diálogo e isso por si só já é interessante.

As atividades outdoor e de escalada estão popularizando novamente no Brasil. Como você visualiza este crescimento?

Isso é ótimo, como eu disse quanto mais la fora estivermos, quanto mais na natureza nos encontramos, mais conectado com o todo estaremos, mais compreensão e compaixão teremos para com a terra.

294802_261928157175701_1143758891_n[1]

Foto: Arquivo Pessoal Peruzzo

Ao meu ver essa popularização é inevitável.

É o que eu chamo de retorno ao natural.

Nos Brasil há festivais de filmes outdoor sendo os mais relevantes o Festival de Filme de Montanha do Rio de Janeiro, Reel Rock Tour em São Paulo e Rio e o Get Out! em Belo Horizonte. Neles a maioria dos filmes são realizados com as DSLR. OS fotógrafos que filmam são uma tendência do mercado?

527764_432939130074602_1586198433_n[1]

Foto: Arquivo Pessoal Peruzzo

Sim, são um tendência. As DSLRs que filmam trouxeram facilidades impressionantes, a possibilidade de mudança de lentes é incrível, para o mercado “OUTDOOR” de registros foi uma “mão na roda” diminui e muito a bagagem do filmmaker ou fotógrafo.

Claro que ela não substitui algumas filmadoras, mas é um recurso compacto e muito eficiente. 

É uma tecnologia relativamente nova e que tem muito ainda pra crescer. Eu particularmente gosto de explorar os dois recursos, mas isso vai de cada um.

Quais são os fotógrafos que servem de inspiração para você?

Todos aqueles que colocam suas almas no visor. Tem muitos trabalhos que me tocam, do quais eu olho e agradeço por ter tido contato. 

165361_173629602672224_3062327_n[1]

Foto: Arquivo Pessoal Peruzzo

Cada segmento da fotografia tem seus expoentes.

Citarei alguns clássicos que fazem minha cabeça desde minhas primeiras fotografias: Sebastião Salgado, Mario Cravo Neto, Araquém, Walter Firmo, Chikaoka, Pedro Martinelli, Vick Muniz, Carlos Levistrauss, Capa, Bresson, MacCurry, Mckenna e muitos outros.

  Qual conselho que você teria a dar para quem deseja aprofundar em fotografia?

A técnica é importante, leia, busque referências, vá atrás de informação, mas não deixe nunca de escutar o seu coração.

Sentir uma foto é muito mais importante que tirar uma foto.

peruzo

Foto: Peruzzo

Nossa sociedade já sabe trabalhar com a lógica, com a razão, temos que aprender com o sentimento agora, deixar que aquilo que queremos vibre em todas as nossas células.

Feito isso, nada pode dar errado.

Na sua opinião o que faz um fotógrafo ser bom ou ruim?

Isso é muito relativo o que agrada meus olhos pode não agradar os de outrem.

Na faculdade de psicologia aprendi uma coisa que se chama subjetividade, o ser humano é impar cada pessoa um universo gigante, bom ou ruim é só uma questão de ponto de vista.

Engenheiro e Analista de Sistemas, começou a escalar em 2001 e escalou no Brasil, Áustria, EUA, Espanha e Argentina. É totalmente dedicado ao esporte de escalada em rocha e é aficionado em filmes Outdoor. Para aproveitar melhor esta paixão fez curso de documentário na Escola São Paulo, além dos cursos de “Linguagem Cinematográfica” e “Crítica de cinema” e jurado do Rio Mountain Festival. Já viajou de mochilão pelo Brasil, EUA, Áustria, República Tcheca, República Eslovaca, Hungria, Eslovênia, Itália, Argentina, Espanha, Uruguai e Paraguai, Holanda, Alemanha e Canadá.

There is one comment

Comente agora direto conosco

Comment moderation is enabled. Your comment may take some time to appear.