Entrevista com Fanny Gibert

Desde o anúncio da inclusão da escalada indoor nas Olimpíadas de Tóquio, foi criado quase que imediatamente em muitos praticantes da modalidade m poder ostentar o título de atletas olímpicos. Inegavelmente, muitos destes que sonham em estar em Tóquio em 2020, ainda estão longe de qualquer mico possibilidade de classificar-se para os jogos. Por ser o esporte muito novo, muitos escaladores aproveitam o interesse de profissionais de mídia, ainda leigos no assunto, que ainda não entenderam a modalidade e as reais chances de uma atleta classificar-se para os jogos.

Quem acompanha assiduamente os resultados da Copa do Mundo de Escalada do IFSC, sabe que há uma turma de escaladores muito jovem disposta a participar de maneira marcante em Tóquio em 2020. Maioria esmagadora dos atletas possui menos de 26 anos de idade.

Fanny Gibert

Foto: Guillaume Pellion

Uma destas revelações, sendo grande esperança de medalha para seu país, é a francesa Fanny Gibert, de apenas 25 no de idade e um dos grandes nomes da escalada em boulder da Europa. Neste ano de 2018, Fanny já se destacou em diversas etapas (estando em praticamente todas as finais) chegando, inclusive, a estar constantemente no pódio. Além disso, já conquistou três títulos de campeã francesa e uma medalha de bronze no campeonato mundial de escalada.

Fanny Gibert é estudante do curso de engenharia e a atual terceira colocada no ranking geral de boulder do IFSC. Para saber um pouco mais sobre esta atleta, a Revista Blog de Escalada procurou a francesa para sabermos um pouco mais desta que será, sem dúvida, um dos grades destaques da escalada olímpica.

Fanny, você está tendo uma excelente temporada na Copa do Mundo de Escalada. Existe algum segredo para estar em todas as finais de boulder?

Ahahah… Segredo eu não sei…

Eu acredito que são anos de treinamento, dedicação e paciência que estão sendo recompensados.

Fanny Gibert

Foto: IFSC/Eddie Fowke

Treinar para campeonatos é muito difícil. Como você organiza a sua vida pessoal com o treinamento para escalada?

Mmmm… Sim é duro. Por sorte eu sou uma pessoa bem organizada e um pouco superativa também.

Estou seguindo um planejamento que fiz com meu técnico, passo a passo e com muito feedback, para ter certeza que não estou treinando demais.

Sou muito focada, sempre quero fazer o melhor que posso em tudo que faço. Sempre tento otimizar meu tempo.

Eu amo treinar e às vezes é difícil porque estou cansada, mas me divirto muito fazendo treinamento físico, que é o ponto principal para estar 100% motivada quando faço algo.

Fanny Gibert

Evgenia Alekseeva | http://ealekseeva.com

Em sua opinião, a escalada para campeonatos está empurrando os limites da escalada em rocha também? Por que?

Eu não estou segura se entendi sua pergunta.

Mas acho que todo mundo que treina para competições e evolui na escalada indoor, melhora na mesma proporção que na escalda em rocha com certeza.

Tanto indoor e rocha é escalada, existem algumas diferenças entre elas, mas melhorando em uma coisa, irá melhorar na outra.

Você consegue se ver em Tóquio 2020? Por que?

Eu comecei a treinar escalada de velocidade há poucos meses atrás. Achei que iria me ajudar a melhorar no boulder, e na verdade ajudou.

Não sou muito fã de escalada de velocidade, mas é muito divertido praticar como treinamento. Eu estou ainda mais focada em boulder este ano, porque estou saindo bem nas competições da modalidade.

Mas eu gostaria de voltar a treinar para competições de vias guiadas, podendo ser um desafio bem legal. Então eu acho que provavelmente começarei depois do Campeonato Mundial a preparação olímpica. Pode ser que esteja em Tóquio 2020.

Quero ver como as coisas vão, mas meu principal foco será ficar no boulder com certeza.

Fanny Gibert

Foto: Guillermo Dominguez

Qual a sua opinião a respeito do formato Olímpico (velocidade/boulder/guiada)?

Eu não gostei nada do formato. Para mim não tem sentido, porque velocidade é um esporte diferente de boulder e de vias guiadas.

O formato não está mostrando o espírito da escalada, o qual é fazer o movimento mais difícil possível, não?!

Eu acho que as três disciplinas merecem suas próprias medalhas, então acredito que irão disponibilizar para cada uma na próxima olimpíada.

Fanny Gibert

Foto: Acervo pessoal Fanny Gibert

Nas suas férias, você está planejando algum projeto na escalada em rocha?

Infelizmente eu tenho um problema no joelho.

Além disso, quando eu puder tirar férias, logo depois do campeonato mundial, terei de voltar para conseguir meu diploma.

Por isso meu tempo para a escalda em rocha não será muito. Quem sabe depois.

Como escaladora europeia, como você enxerga a escolada na América do Sul?

Eu conheci muitos escaladores legais e super motivados da América do Sul em algumas competições. Mas não tanto quando eu gostaria, o que é uma pena.

Eu sei que existem lugares muito legais para a escalada em rocha.

Eu gostaria de visitar a América do Sul, espero que eu possa ir em breve.

 Fanny Gibert

Foto: Acervo Pessoal Fanny Gibert

 Fanny Gibert

Foto: Jannovak

Formado em Engenharia Civil e Ciências da Computação, começou a escalar em 2001 e escalou no Brasil, Áustria, EUA, Espanha, Argentina e Chile. Foi jurado do Rio Mountain Festival e já viajou de mochilão pelo Brasil, EUA, Áustria, República Tcheca, República Eslovaca, Hungria, Eslovênia, Itália, Argentina, Chile, Espanha, Uruguai, Paraguai, Holanda, Alemanha e Canadá. Realizou o Caminho de Santiago, percorrendo seus 777 km em 28 dias.

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