Entrevista com Rodrigo “Genja” Chinaglia

Foto: Daniel Hirata

Foto: Daniel Hirata

Por todo o mundo, desde o início da civilização,  há pessoas que assumem naturalmente a missão de representar a comunidade a qual está inserido.

Por isso seguramente a comunidade de escaladores da região de São Carlos tem em Rodrigo “Genja” Chinaglia sua personalidade mais ativa e representativa.

Procurando sempre realizar algo diferente sem medo de errar nestas tentativas, Chinaglia é de certo modo  referência por todos os seus projetos realizados e idealizados com o claro objetivo de tornar a escalada região de São Carlos mais conhecida e desenvolvida.

Muito apaixonado pelo que faz e pelo que acredita, Rodrigo protagonizou em 2013 uma das discussões mais calorosas da internet : a relação sobre preço de custo e seu cisto final de equipamentos aos público final.

Para saber mais sobre quem é na atualidade uma das pessoas mais empreendedoras da escalada no interior de São Paulo, a Revista Blog de Escalada procurou Rodrigo “Genja” Chinaglia para uma conversa para que ele falasse tudo e sem rodeios.

Para saber todas as respostas, sua conclusão sobre confusão realizada e os planos para implementar na região de São Carlos leia abaixo

Rodrigo , você administra uma loja virtual de equipamentos outdoor. Ter uma loja virtual é tão glamoroso quanto parece?

Foto: Isabela Denzin

Foto: Isabela Denzin

Depende do que você considera “glamour”.

Eu sou apaixonado por equipamentos de escalada.

Pode-se dizer que eu tenho transtorno obsessivo compulsivo (TOC) para com os equipamentos em geral e quando vejo alguém usando um equipamento da maneira errada no pico de escalada ou equipamentos inadequados é como se o mundo pudesse acabar a qualquer momento.

Procuro oferecer um serviço que além de filtrar o que me é “oferecido” através dos fornecedores optando somente pelo que realmente está com preço justo aplicado a produtos que tenham o mínimo de qualidade.

Me dá uma tristeza ver gente com equipamentos (mosquetões, cadeirinhas, etc..) com “tecnologias” de 20 anos atrás, comprados novos por um preço mais que suficiente para comprar o que há de melhor em equipamentos para escalada (mais confortáveis, leves, modernos, seguros, etc…).

Quando eu fazia Engenharia Ambiental eu não suportava ler o material de faculdade, mas passava hoooraas “destrinchando” os manuais dos equipamentos, catálogos de produtos e livros de escalada (tanto de treino quanto de técnicas de segurança).

Ficava me perguntando porquê eu não tinha o mesmo entusiasmo com a engenharia, e ficava pensando que já que eu gostava tanto disso, que eu devia mesmo era me jogar de cabeça nesse mundo que alguma coisa boa pudesse vir a dar certo.

Então, respondendo à questão do glamour: Sim, meus olhinhos brilham toda vez que tenho que responder um email a algum amigo/cliente sobre equipamentos, técnicas e quando recebo estoque novo de equipos.

E me corta o coração não poder sair abrindo e usando tudo novo.

Nesse sentido meus “toc´s” me ajudam pois por exemplo: tenho um jogo de costuras que eu considero perfeito e as coloco sempre na mesma ordem na cadeirinha quando vou escalar.

Por isso, acrescentar mais equipos ao jogo criaria uma “desordem” que tiraria o equilíbrio dessa equação. (e poderia fazer o mundo acabar rsrs)

Você protagonizou um dos debates mais calorosos na internet sobre a relação de marcas e preço final ao consumidor. Como foi que surgiu a iniciativa de levantar a discussão?

Foto Daniel Hirata

Foto Daniel Hirata

Desde o começo (antes da Quero Escalar, quando eu ainda trazia encomendas para os amigos das viagens) eu percebi que existiam vários públicos distintos para a mesma atividade.

Meus amigos e eu nunca tivemos muita grana.

Trabalhávamos aos finais de semana e com o pouco que ganhávamos como guias em Analândia (de Rafting, de Escalada, arvorismo) tínhamos que manter equilibrada uma equação: Equipamentos de escalada e viagens para escalar.

Comprar algo na loja significava comprar menos coisas e obrigatoriamente não ir escalar.

Preferíamos o plano B de comprar fora do Brasil para que pudesse sobrar grana para podermos viajar para escalar.

Até então não tinha nenhuma loja voltada para o público no estilo “estudante fudido” no Brasil, e as lojas que existiam focavam sempre o público com maior poder aquisitivo.

Mas o mercado fechou os olhos para o “grupo B” da escalada, que cresceu absurdamente nos últimos anos certamente não pagando R$500 (que só para lembrar é quase o valor de um salário mínimo) por uma cadeirinha no Brasil que custa 150 reais comprada na “gringa”.

Para esse público eu procuro filtrar e oferecer produtos de qualidade com preços justos, que às vezes tem como vilão os impostos, mas muitas vezes são as lojas mesmo que colocam as margens de lucro lá na lua, numa mentalidade dos anos 90 de vender caro para vender pouco e lucrar muito.

Eu procuro o outro extremo de, ao oferecer preços justos, ganhar na quantidade de vendas, que é o que a China faz (e faz muito bem, diga-se de passagem).

Se engana quem acha que tem pouco escalador no Brasil.

Tem é pouca gente rica, isso sim.

Eu não sei o que as outras empresas fazem, mas eu sei muito bem o que eu estou vendendo.

Cada detalhe. Cada vírgula.

Sei quantas gramas pesam cada mosquetão ou cadeirinha que eu vendo.

Quando alguém me liga perguntando, eu não posso dizer O QUÊ a pessoa deve comprar, mas oriento, baseado no que a pessoa faz ou quer fazer, o que é mais indicado para ela relacionando opções de preço e quem decide é ela, baseada nos argumentos que eu coloco para ela.

Não raro faço skype com clientes para gente medir com a trena o tamanho de uma sapatilha para ver se servirá no pé da pessoa.

Rodrigo-Genja-Chinaglia---Ives-Leonarczyk

Foto: Ives Leonarczyk

Na minha opinião, o debate todo foi um grande mal entendido com uma empresa e que virou uma bola de neve que trouxe à tona outros problemas maiores que já estavam engasgados.

Eu fiz uma promoção de Natal em dezembro, na qual coloquei alguns produtos com desconto, principalmente os com quase de um ano de estoque para girar e fazer um pedido novo em janeiro.

Isso significou que muita coisa de determinada marca caiu do preço mínimo de revenda de 70% de margem de lucro que eles nos obrigam a praticar, para em torno de 30 a 50%.

Normal, todas as lojas fazem desconto, isso não é nenhuma novidade.

A discussão começou quando no dia seguinte eles me mandaram e-mail pedindo para que eu “aumentasse” os preços.

Como assim? Não pode fazer promoção de natal igual meus concorrentes?

Resposta: Pode, mas suba os preços para o mínimo estabelecido.

Aí eu pensei: hmmm.. Então aquela margem mínima poderia ter sido maior, e agora, na promoção, é que eu deveria ter abaixado para margem minima.

Aì fui pesquisar e em qualquer site que você entra, todos os produtos daquela marca estão com o mesmíssimo preço mínimo.

E quando esses sites quiserem fazer promoção, como de fato fazem, vão poder abaixar e eu não?

Aí rolou uma série de emails e no fim das contas ou eu “SUBIA” os preços ou eles não venderiam mais para mim.

Fiquei puto e botei a boca no mundo, usei meu blog pois não achei certo o que estava acontecendo.

Claro que de cabeça quente acabei falando de outras coisas de outras empresas que me incomodavam, critiquei outras posturas de concorrentes por exemplo, mas para quem lê, fica com a impressão de que eu estou me referindo àquela marca inicial.

Acredito que gerei uma exposição desnecessária àquela marca, ao dono da empresa.

A primeira coisa que eu quis fazer foi pegar o telefone e ligar pro dono da empresa e falar: Viu, seu funcionário está louco, você viu o que está acontecendo?

Mas a troca de e-mails continuou de maneira tão inflexível, que acabei fazendo aquela publicação.

Após toda esta discussão, e exposição (positivas e negativa) que você teve você acha que valeu a pena? Porque?

Foto: acervo pessoal

Foto: acervo pessoal

Tem um conto budista chamado a vaca no penhasco.

Na minha opinião foi mais ou menos isso que aconteceu para mim.

Estou buscando ser mais autossuficiente e oferecer produtos melhores para os meus amigos/clientes.

Não estou dizendo que aquela marca não é boa, mas também não vou ser hipócrita em dizer que um produto importado não seja melhor.

Eu acredito que a exposição daquela marca foi ruim sim.

Foi desnecessário, e eu peço desculpas mais uma vez (como de fato já havia pedido e tentado explicar ao dono da marca em meu blog junto com seu direito de resposta).

Poderia ter contado o caso, criticado o sistema, proposto soluções sem levantar supostos vilões.

Cada um está no mercado para fazer a sua parte, e cada um deve encontrar e seguir seu próprio caminho e eu acho que eu devo respeitar isso.

Mas eu prefiro chegar no pico de escalada e ver as pessoas escalando com produtos de qualidade pelos quais pagaram o preço justo, mesmo que isso me faça ter os donos das “grandes marcas” não querendo vender para mim como se eu dependesse delas mais do que elas dependessem de mim.

Toda essa história fez alguns egos se exaltarem e algumas pessoas levantaram bandeiras por uma causa meio inocente demais.

Com aquele discurso de comprar dessas lojas e marcas que cobram caro para caralho (ou não tem qualidade) porque elas investem no montanhismo, a gente se perguntou: “Ah, é mesmo? Fale mais sobre isso…”.

Eu odeio falar e que falem mal das pessoas, e podemos incluir marcas.

Prefiro falar sobre as coisas positivas que nós mesmos temos feito.

Nós da “Quero Escalar” temos aberto vias, ensinado as pessoas a escalar, sugerimos treinos, oferecemos produtos de qualidade com preços reais, apoiamos campeonatos e encontros, fazemos guias de escalada, tudo porque eu tenho paixão, porquê essas coisas movem a minha vida, são coisas que eu tenho que por para fora se não o mundo acaba.

Foto: Beto Severian

Foto: Beto Severian

O mais legal de tudo isso é ver como tem um mooonte de gente que pensa igual a nós.

Parece que fomos os primeiros a levantar uma bandeira contra esses preços absurdos e de repente uma galeeera chegou para mim e falou: To contigo mano. Kamon!

Saber que um monte de gente que eu não conheço (e mais ainda que eu conheço) veio me dar a maior vibe, quer dizer que realmente devemos estar no caminho certo.

Que estamos lutando por uma causa justa e propiciando com que muito mais pessoas que antes não teriam acesso, estão aderindo à escalada.

É claro que também teve quem falou que somos inocentes e não entendemos nada de mercado.

Que nós somos um ponto insignificante num mercado devorador e voraz.

A realidade é que não considero grandes lojas tradicionais meus concorrentes.

Elas que disputem o público com grande poder aquisitivo entre si.

Meu verdadeiro concorrente é a galera que traz equipamento na mala para vender no Face, pois meus preços são mais próximos dessa galera, que das lojas.

Se eu vejo que não vou poder oferecer um produto por um preço decente, nem compro.

Tenho pouco orçamento então prefiro investir com parcimônia no que realmente é um bom negócio para quem está comprando, não só para quem está vendendo.

As principais marcas de produtos outdoor no Brasil parecem adotar uma postura conservadora com marketing e patrocínio. Qual seria a razão disso na sua opinião?

Várias coisas me vêem a mente mas realmente seria especulação da minha parte.

A primeira coisa que me veio a mente é o medo.

Medo de que não terão retorno ao patrocinar um atleta.

Medo de que o mercado seja pequeno demais para justificar esse investimento.

Segundo que essas marcas não tem (ou tinham) um veículo onde investir com marketing.

Terceiro: Inexperiência.

Não precisa fazer MBA em Harvard para saber o poder que o marketing tem, mas tem gente que duvida.

Quarto: Desconhecimento real do universo da escalada.

Muita coisa fica no achismo, as pessoas vêem muita televisão, veem a elite aparecendo na mídia e acha que é daquele jeito.

Quando você viaja para escalar, conversa com gente, conhece gente, se comunica, se relaciona, você passa a conhecer melhor como as coisas funcionam e como seu público alvo (vulgo escaladores) se comporta e espera de você.

Foto: Julia Mara Martins

Foto: Julia Mara Martins

 No Brasil a maioria das federações possui a mesma administração realizada pelas mesmas pessoas a 10 anos. Na sua opinião porque esta permanência na representatividade do esporte?

Rodrigo-Genja-Chinaglia2---Julia-Mara-MartinsHmm.. aqui eu vou dar a minha opinião pessoal que eu suponho não ser uma verdade absoluta (nada do que eu falei até agora é, mas tudo bem) mas que eu considero que tem uma certa lógica.

Essas pessoas ficam lá pois não tem ninguém mais para por no lugar.

Primeiro porque é um esporte caríssimo para começar a ser praticado e teoricamente poucas pessoas começam a praticar e a se envolver com ele todos os anos.

Estamos lutando para que esse custo caia para que o número de pessoas aumente, o que sem dúvida vai ser bom para o montanhismo.

Segundo que quem escala está mais preocupado em ir para o mato escalar do que com burocracia.

Mas isso é reflexo de uma coisa muito simples.

Talvez eu seja um alienado, mas faz 10 anos que eu escalo e não sei direito o que a federação do meu estado faz além de por plaquinhas na Divisa e no Baú.

Acho muito válida aquela de “O que a mão direita dá, a esquerda não fica sabendo”, mas acho que a federação poderia fazer um pouco mais de publicidade sobre seus feitos *atuais*.

Aqui em São Carlos nós do CUME – Centro Universitário de Montanhismo e Excursionismo por muitos anos discutimos a filiação ou não à Federação.

Mas temos aproximadamente 20 membros dos quais entre 5 e 10 membros pagam a semestralidade (agora estamos tentando melhorar esses números).

Não temos caixa para bancar a anuidade.

E mesmo que tivéssemos, não sabemos que vantagem Maria leva.

Aqui no cuscuzeiro e Itaqueri quem cuida das trilhas e conquistas é a gente mesmo.

Quando temos problema de acesso em algum pico de escalada somos nós quem vamos resolver com o dono.

Quando uma via precisa de manutenção, somos nós quem fazemos.

As competições de escalada definharam no Brasil nos últimos anos, e no ano de 2013 sequer houve campeonato brasileiro. Na sua opinião quais seriam as atitudes a se tomar para reverter este quadro?

Foto: Guilherme Oliveira

Foto: Guilherme Oliveira

Eu tenho pouco contato com o pessoal dos grandes centros urbanos que fazem acontecer esses grandes eventos.

Mas aqui no interior ajudei a organizar algumas etapas do já tradicional Campeonato Caipira entre São Carlos e Campinas.

Me parece que em Campinas eles têm bastante gente ajudando a organizar.

Já aqui os dois últimos foram organizados pelas mesmas pessoas.

Pelas mesmas sei lá, tipo 5 pessoas.

As quais praticamente fizeram tudo: De remanejar as agarras e fazer o routesetting à cuidar do som, dar seg, ficar de juíz, correr atrás de patrocinio e brindes, etc.

É meio cansativo pois com exceção de mim, todos tem uma vida a parte fazendo mestrado, doutorado ou algo relacionado à Universidade ou trabalho.

Esse ano estamos animados novamente e gostaríamos de organizar mais uma etapa, dessa vez vamos delegar mais funções ao sangue novo que chegou no grupo, mas em principio somos os mesmos 5 ou 6 novamente.

Eu acredito que o maior problema da falta de competições é que ninguém ganha dinheiro com elas.

É uma dúvida que eu sempre tive.

Sempre ouço todo mundo falando que organização de campeonatos é coração, é raça.

Eu fico muito feliz com isso, mas se for verdade, isso explica muita coisa.

Talvez se alguém ganhasse dinheiro com isso as etapas seriam mais frequentes.

Se o routesetter ganhasse uma boa grana.

Eu não sei como é lá no âmbito nacional, mas me passa a impressão que é tudo “em troca de divulgação”, o que não enche barriga de ninguém.

Suponho que alguém já tenha tentado, mas não seria de todo mau o “Campeonato Brasileiro “ENERGÉTICO AZUL COM O TOURINHO” de Escalada Esportiva, Etapa São Paulo.

Você é organizador de um grupo de escalada muito animado e engajado. Como surgiu a idéia de forma-lo?

Foto: Julia Mara Martins

Foto: Julia Mara Martins

Bem, o CUME tem aproximadamente 23 anos de fundação e é referência aqui no interior no que tange a divulgação de conhecimento de técnicas de escalada, mas principalmente, de atualização delas.

As técnicas de segurança vão evoluindo e nós procuramos sempre estar a par com tudo, somos um grupo bastante dedicado à isso e sempre abertos ao novo que melhora a segurança.

Em compensação por aí vemos gente ainda ensinando que se deve rapelar nos dois pontos da caderinha, o que é um absurdo desnecessário desde o começo dos anos 2000.

O Grupo a que você deve estar se referindo, no entanto, é o São Carlos Pression Team.

É uma brincadeira bem humorada (como tudo que fazemos) mas que serviu muito bem para motivar a galera que está começando, para que treinem e sempre estejam evoluindo sua escalada, sendo aumentando a base de sua pirâmide de quintos e sextos graus, seja entrando 4x no dia para mandar seu primeiro 7b, ou indo viajar com a galera no feriado.

Aqui quem manda décimo grau escala junto com quem escala quinto.

Descobrimos que não se deve cobrar resultados de ninguém.

É mais legal estar sempre com a motivação em alta e ensinar através do exemplo e da parceria que todos podem evoluir na escalada.

Quando a gente vai escalar, é sempre uma grande festa (seja no carro, seja no pico), e até lembramos de escalar um pouco entre uma piada e outra.

Os encontros de escalada e montanhismo cresceram sensivelmente nos últimos anos. Você acredita que a comunidade de escalada é unida? Porque?

A comunidade escaladora é Unidíssima.

É espantoso mas é muito verdade.

Tenho grandes amigos no Paraná. No Rio de Janeiro. Em Minas Gerais.

No Rio Grande do Sul, Espírito Santo, Santa Catarina, enfim.

Eu acho que cada um escolhe a maneira como quer praticar sua escalada, seja escalando sempre os mesmos quintos graus e se divertindo horrores no quintal de casa, seja viajando o Brasil em busca de vias lindas.

Eu particularmente me identifico com o segundo grupo, e praticando isso descobri um mundo de pessoas que fazem a mesma coisa, e que adoram nos mostrar o “seu quintal de casa”.

Sempre somos bem recebidos em todo lugar, assim como adoramos receber os amigos aqui em São Carlos e levá-los no Cuscuzeiro e em Itaqueri.

Os encontros são ótimas oportunidades para conhecer picos novos, gente nova, e sem a exigência de um campeonato de “ser o melhor”.

O encontro de escalada é um dia qualquer de escalada só que com um monte de via equipada e de gente que está ali disposta a mostrar as vias para quem vem pela primeira vez, com gente que vai ficar para a confraternização no fim do dia, enfim, dar muita risada.

É claro que sempre tem aquelas pessoas que você considera com ressalvas, mas isso tem em todo lugar do mundo.

Melhor focar nas coisas boas!

Você está realizando o guia do Cuscuzeiro. Como está sendo o desenvolvimento deste trabalho?

Foto: Julia Mara Martins

Foto: Julia Mara Martins

Nossa, isso é uma coisa que me está tirando o sono.

Sou um prefeccionista e por isso está demorando mais que o esperado.

Quero que fique perfeito, então muitas vezes tive que recomeçar ou arrumar muitas coisas.

E quando o guia estava praticamente pronto e todo diagramado, inventei de abrir uma via nova lá e pronto, tive que ajeitar tudo de novo.

Estava fazendo a maior parte das ilustrações no photoshop e agora finalizando no InDesign.

Sobre as vias, acho que tem uma meia dúzia de vias que eu não entrei, mas todas as outras eu fiz e tenho repetido sempre (quintal de casa, sabe como é!) então sei como são quase todas de cabeça.

É engraçado que praticamente nenhuma marca nacional quis patrocinar esse guia de escalada.

Alegaram que estavam com vendas abaixo da média ano passado (quando pedi o apoio em troca de espaço para divulgação).

Aí eu ofereço espaço para que divulguem a marca e seus produtos para que aumentem as vendas e eles recusam.

Vai entender. O mesmo aconteceu com o Guia do Morro do Canal, em Piraquara – PR que meu amigo Andrey recém publicou.

Várias marcas “grandes” não quiseram apoiar.

O que o usuário deste guia deve esperar dele em termos de qualidade e quantidade?

Será um guia com aproximadamente 100 páginas, colorido formato um pouco maior que A5.

Fotos coloridas com o traçado das vias sobre as fotos, grau brasileiro, francês e americano.

Número de proteções de cada via, se é pino colado, chapa ou móvel, se tem corrente ou argola na parada, quantos metros, como chegar em cada setor, e ainda uma breve descrição de cada uma das 61 vias.

É para qualquer um que gosta de escalar vir e poder desfrutar do seu fim de semana escalando, e não procurando as vias, abandonando cordim porque entrou em via errada como acontece em alguns lugares por causa de croqui ruim.

Sobre o Autor

Luciano Fernandes

Luciano Fernandes

Engenheiro e Analista de Sistemas, começou a escalar em 2001 e escalou no Brasil, Áustria, EUA, Espanha e Argentina. É totalmente dedicado ao esporte de escalada em rocha e é apaixonado em filmes Outdoor. Para aproveitar melhor esta paixão fez curso de documentário na Escola São Paulo, além dos cursos de “Linguagem Cinematográfica” e “Crítica de cinema”. Foi jurado do Rio Mountain Festival. Já viajou de mochilão pelo Brasil, EUA, Áustria, República Tcheca, República Eslovaca, Hungria, Eslovênia, Itália, Argentina, Espanha, Uruguai e Paraguai, Holanda, Alemanha e Canadá.

There are 3 comments

  1. Breno Botelho

    Parabéns Luciano e Rodrigo ótima matéria.
    Queria dar uma sugestão para matéria. Trabalho
    com treinamentos voltados para socorro em montanha
    é Areas Remotas para profissionais de Emergência.
    Observamos nas operações de resgate em ambientes remotos
    que há varios tipos de escaladores. Os dedicados e aqueles
    que aprendem nós no YouTube e se aventuram ( geralmente são
    os que empenham equipes de socorro). Mas observo também
    que há um grande desconhecimento nas questões de auto socorro.
    Se o parceiro se acidenta a grande maioria não sabe o que fazer.
    E o pior sempre estão em regiões de difícil acesso e se esquecem
    que vivemos em um país onde até o próprio sistema de socorro não sabe
    socorrer. Enfim sugestão – Atendimento a emergência em cenários remotos.

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