Entrevista com Pedro “Graveto” Pires

De maneira silenciosa, mas constante e ininterrupta, a cara dos praticantes de escalada esportiva vêm mudando com a nova geração de escaladores.

Chamado de millennials, estes jovens possuem desejos, cultura e até mesmo estilo de vida diferentes e que irão revolucionar (para o bem ou para o mal) a maneira com a qual vemos a sociedade e, consequentemente, o esporte que praticam.

O capixaba Pedro Pires, conhecido entre seus amigos pelo apelido de Graveto, é mais um exemplo desta nova geração que pouco a pouco vêm conquistando seu espaço com marcas, e idéias, diferentes das que foram estabelecidas pelos primeiros praticantes.

Foto : Acervo Pessoal Pedro Pires

Foto : Acervo Pessoal Pedro Pires

Graveto encadenou recentemente um 9a em seu estado antes mesmo de fazer 18 anos, e já desponta como grande destaque da escalada esportiva do Espírito Santo.

Sempre muito simpático, humilde, dedicado aos estudos, possui estilo diferenciado em sua escalada, além de ter a capacidade de aprendizado impressionante.

Graveto, com apenas 17 anos você já encadenou uma via 9a no espirito Santo. Você possui alguma meta a atingir em 2016 ?

Fechei o ano de 2015 conseguindo essa cadena, um dos maiores objetivos que eu possuía !

Nesse contexto, eu fiquei muito empolgado para competir novamente no campeonato brasileiro da CBME em 2016, porém, devido ao cancelamento da 1ª etapa, no dia do campeonato em janeiro, fiquei  desmotivado para competir no brasileiro esse ano.                     

 Logo no começo do ano realizei uma grande meta: escalar a famosa Pedra Azul !

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Foto : Talles Mendonça

O capixaba pode não conhecer a escalada no Espírito Santo, mas todos conhecem a Pedra Azul, devido sua imponência na região serrana do estado !

 Somente esse ano é que o parque foi reaberto para escalada, depois de ficar muitos anos fechado.

São 300 metros de uma escalada histórica e muito bonita no cartão postal do Espírito Santo.  

Após a conquista desse cume, minha meta é competir na segunda edição do “Serra Master” – campeonato capixaba de escalada! Ano passado tive a oportunidade de competir em alguns Estados; uma experiência muito bacana poder treinar Boulder, algo novo para mim.

Esse ano desejo voltar a participar de algumas competições, em especial no Espírito Santo.

Devido ao sucesso do ano passado, o “Serra Master 2016” com certeza será maior e mais disputado.

Estou muito animado, mesmo eu não podendo treinar freneticamente como no ano passado, devido aos estudos.

A escalada é um esporte que depende de sempre ter bons companheiros, quem você Gostaria de apontar como os seus melhores amigos na escalada?

Um dos grandes motivos pelo qual a escalada se tornou tão agradável e divertida para mim foi a companhia dos escaladores !

É impressionante como o esporte atrai gente bacana. São muitos quem eu poderia falar, mas o espaço é curto !

Foto : Acervo Pessoal Pedro Pires

Foto : Acervo Pessoal Pedro Pires

Eu gostaria de destacar o Roney ‘’Dunada’’, o Caio ‘’Afeto’’ e o Naoki Arima que estão sempre me ajudando e presentes na escalada ! Fico muito feliz escalar e apreender ao lado deles.

O grande problema é que quando vamos realizar peripécias e aventuras na escalda, eu sempre acabo carregando um haul bag de 50 L, mais a corda !!

É o preço a pagar, sempre sobra equipamento para o “estagiário” carregar, quando não é pedra !

Não há uma grande academia de escalada no ES. Como você faz para treinar para as suas escaladas?

A ausência de uma grande academia de escalada faz muita falta para o Estado, inclusive foi um dos motivos pelo qual não comecei a escalar mais cedo.

Atualmente no ES existe apenas um pequeno ginásio, conhecido por “Muro”, onde eu treino. Mesmo assim, o local é bem equipado e organizado.

No Muro, quem auxilia meu treino é o escalador e fotógrafo Naoki Arima, dispensa comentários ! Ele trabalha não só a força física, como também a mental !

Foto : Acervo Pessoal Pedro Pires

Foto : Acervo Pessoal Pedro Pires

Tem que aguentar o terrorismo psicológico! (risos). Atualmente tenho trabalhado com vias de resistência, característica das vias esportivas capixabas.

Além do campo da escalada, eu fortifico meu treino fazendo pilates !

É uma prática excelente para escalada, quando comecei o pilates não imaginava o quão bom seria para meu desempenho.

E para usufruir o treino, nos finais de semana eu troco as agarras coloridas pelo granito capixaba !

Como está fazendo para conciliar os estudos com a escalada?

Sempre soube que ia chegar o ano em que eu teria que me dedicar muito mais aos estudos do que a escalada – 2016 está sendo esse ano.

Estou cursando o 3° ano do ensino médio, onde a carga horária de aulas e estudo aumentou e muito, inclusive com aulas no sábado!

Foto : Acervo Pessoal Pedro Pires

Foto : Acervo Pessoal Pedro Pires

Nesse contexto tive que abrir mão de vários dias de treino; porém o que mais me afeta é não conseguir ir para pedra todo final de semana !

Tenho me organizado bem, sempre nas horas vagas priorizando a escalada. Minha maior motivação é pensar no concurso do Corpo de Bombeiros, meu maior objetivo !

Nada me deixará mais feliz e orgulhoso do que conseguir entrar no Corpo de Bombeiros.

O desejo de ser um Bombeiro Militar é o que me motiva para estudar e diminuir o ritmo na escalada.

Como os seus pais enxergam você se destacando como escalador ?

O principal motivo pelo qual eu consegui crescer na escalada foi por causa de todo apoio que tive dos meus pais.

No Brasil é difícil um pai incentivar o filho à pratica de escalada em rocha, ainda mais no Espírito Santo, ao contrário de outros países onda a escalada é um esporte mais acessível.

Foto : Acervo Pessoal Pedro Pires

Foto : Acervo Pessoal Pedro Pires

Meus pais me enxergam corajoso e determinado por estar persistindo no esporte mesmo enfrentando várias dificuldades.

Eles tiverem uma visão diferenciada da escalada vendo o quão bom seria para o meu desenvolvimento, não ficando presos aos estereótipos de que a escala é um esporte ‘’mortal’’.

Atualmente quais são os escaladores que mais te inspiram ? 

Eu me inspiro muito no escalador e fotografo Naoki Arima, não só pelo fato dele possuir um estilo de escalada diferente, mas principalmente porque ele conseguiu conciliar a escalada com o trabalho e o estudo, conseguindo se dedicar bastante no esporte.

Quando eu crescer espero poder escalar no Brasil e mundo a fora, mas com um bom emprego e estudo assim como Naoki !

Sobre o Autor

Luciano Fernandes

Luciano Fernandes

Engenheiro e Analista de Sistemas, começou a escalar em 2001 e escalou no Brasil, Áustria, EUA, Espanha e Argentina. É totalmente dedicado ao esporte de escalada em rocha e é apaixonado em filmes Outdoor. Para aproveitar melhor esta paixão fez curso de documentário na Escola São Paulo, além dos cursos de “Linguagem Cinematográfica” e “Crítica de cinema”. Foi jurado do Rio Mountain Festival. Já viajou de mochilão pelo Brasil, EUA, Áustria, República Tcheca, República Eslovaca, Hungria, Eslovênia, Itália, Argentina, Espanha, Uruguai e Paraguai, Holanda, Alemanha e Canadá.

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