Entrevista com Patricia Antunes Silva

Foto: Bruno Graciano

Foto: Bruno Graciano

Ainda não conhecida pelos praticantes de escalada no Brasil, há uma nova geração já preparada para despontar e ser o divisor de águas, e começar a escrever um novo capítulo na escalada brasileira.

Enquanto imbróglio das competições de escalada no Brasil parece sem solução, há atletas mais interessados em desfilar seu talento do que fazer politicagem realizando boicotes.

Este é o caso da mineira Patricia Antunes Silva, que não se intimidou com a distância entre Belo Horizonte e Rio de Janeiro e viajou para competir na etapa do campeonato brasileiro de Boulder e ser a vencedora da categoria feminina.

Ainda desconhecida por muitos demonstrou força, determinação, elegância e, principalmente, espírito competitivo na primeira etapa realizada no Rio de Janeiro na Abertura de Temporada de Montanhismo.

Para sabermos mais deste destaque da escalada no Brasil a Revista Blog de Escalada procurou Patricia para uma conversa, para conhecermos mais sobre esse novo destaque da escalada brasileira.

Patricia , você foi a vencedora do campeonato brasileiro de boulder no Rio de Janeiro. Como foi isso para você?

Desde que entrei para a Ekipe Rokaz, em dezembro de 2012, comecei uma rotina completamente diferente na escalada: alimentação, treinos, preparação física, fisioterapia, toda uma estrutura dedicada aos atletas da Ekipe.

Foi um momento diferente, único e de muita responsabilidade.

Desde então venho me dedicando cada dia mais.

Disciplina para mim é o segredo de tudo e quando nos empenhamos e nos dedicamos este é o resultado que buscamos.

Mas apesar disso, é sempre uma emoção maravilhosa subir no lugar mais alto do pódio!

Foto: Joe Voador

Foto: Joe Voador

O seu plano para 2014 é confirmar a sua colocação que obteve no Rio de Janeiro?

Meu plano para 2014 é continuar treinando e com isso conquistando o pódio.

Seja na pedra ou em campeonatos, minha dedicação é sempre a mesma pois o que busco é fomentar o esporte afim de que seja cada vez mais reconhecido e que ganhe novos adeptos.

No ano de 2013 não houve competições de escalada. Você acredita que par 2014 será diferente?

Foto: Acervo pessoal Patricia Antunes

Foto: Bruno Senna

Em 2013 realmente não tivemos muitos eventos.

Porém me recordo de alguns: participei do ATM de boulder no Rio de Janeiro do qual conquistei o segundo lugar do pódio .

Também do Rokaz Bloc, do qual me consagrei campeã nesta última edição, evento que vem se consolidando como maior festival de Boulder.

O ano de 2014 já está sendo diferente.

Além do ATM, já foi lançado um calendario oficial pela ABEE.

Ainda, já estão rolando diversos festivais informais a todo vapor:

1° Festival de Escalada de Itanhandú, realizado no início do ano pela Tropical de Altitude;

o 2° Festival Moquiwa, que rolou no último dia 24 em Belo Horizonte, além do Festival de Itajubá que rola agora no próximo dia 7/06 e de muitos outros que já estão marcados em outros estados.

A galera vai se organizando pois o que vejo é que, o que a maioria quer, é ter a motivação do treino convertida em oportunidades de usufruir tudo o que aprendeu aonde todo mundo possa se divertir e colocar toda sua gana a prova!

Você acredita que somente quando os escaladores valorizarem as marcas que patrocinam eventos mostrará a força da comunidade escaladora?

Foto: Christian Sens

Foto: Cristian Sens

Sim, acredito que temos muitas marcas no Brasil exclusivas para a escalada e montanhismo que se dedicam a produzir e oferecer qualidade, variedade e outros benefícios.

Tem muita gente querendo apoiar o esporte.

Acredito também que os escaladores precisam dar uma chance a essas marcas que por sua vez são tão boas quanto outras produzidas fora.

Reconhecer essas marcas mostrará que o escalador brasileiro confia e indica o equipamento logo.

Sempre há vídeos de altleras de competições publicados na internet. Você acredita que seus treinamentos estão no mesmo nível? Porque?

Para mim meu treino é perfeito pois meu técnico o faz personalizado e vem surtindo efeito e trazendo resultados positivos.

Existem sim muitos vídeos na internet, mas não sou muito adepta a eles, talvez porque não tenha visto nenhum tão completo ou que realmente acrescente sobre treinamentos de escalada.

De qualquer maneira o que acredito é na dedicação e disciplina que o atleta precisa ter para que qualquer treino dê certo e um ótimo termômetro são os bons resultados.

Foto: Joe Voador

Foto: Joe Voador

Você não possui patrocinadores. Como são pagos todos os gastos que realiza com a sua preparação?

Foto: Acervo pessoal Patricia Antunes

Foto: Acervo pessoal Patricia Antunes

Como falei na 1ª pergunta, meus treinos, preparação, recuperação e até mesmo o controle da alimentação são sim patrocinados.

Hoje conto com o patrocínio da Rokaz Academia de Escalada, que me oferece uma estrutura completa para treinos de escalada, treinamento funcional e musculação.

Além disso, conto com o patrocínio da Fisioterapeuta Flávia Petri e seu estúdio de Pilates e Gyrotonic, a Ativar Studio.

Ainda, conto com o apoio da 5.10 que oferece as sapatilhas, da Nutricionista Gabriela Bolzan e do Ortopedista Dr. José Carlos Vilela, especialista em ombro.

O mais interessante é que todos os profissionais envolvidos no meu dia a dia como atleta também escalam ou já escalaram, permitindo um atendimento muito mais aprofundado e um entendimento muito mais amplo da minha rotina e necessidades.

O número de escaladores aumentou muito nos últimos anos, etnretanto as competições definharam. Na sua opinião qual seria o motivo deste declínio?

Particularmente fico muito triste por este declínio.

Para mim a emoção de participar de um campeonato não há igual: motiva, anima, encoraja e chama novos adeptos.

Desconheço o motivo para este declínio, mas penso que possa ser um possível esgotamento por parte dos organizadores por ser eventos de porte maior e que pedem muita dedicação, doação de si próprio e de alto investimento.

Por não ser um esporte olímpico e pouco conhecido ainda no Brasil, é mais um impedimento para que seja apoiado também pelo País, sem gerar respaldo perante a população.

Foto: Acervo pessoal Patricia Antunes

Foto: Acervo pessoal Patricia Antunes

Quais são as pessoas que mais inspiraram você? Porque?

Foto: Bruno Graciano

Foto: Bruno Graciano

Inicialmente o que mais me motivou a escalar foi o ambiente, a liberdade e emoções que este esporte proporciona.

Mas falando de pessoas, quem mais me motivou a escalar foi a família Ouriques, que hoje se tornou minha família também.

Todos eles começaram a escalar juntos e hoje vivem para a escalada e amam o que fazem.

Até a pequena Giulia, integrante de apenas 4 anos de idade, já foi “picada pelo bichinho da escalada” e mostra ter um futuro promissor na esporte.

Há a expectativa de haver dois campeonatos de escalada por organizações diferentes. Qual a sua opinião a respeito disso?

Na minha opinião os atletas que resolveram se organizar e enfrentar toda a dificuldade e grandeza de se realizar um evento de escalada de âmbito nacional são pessoas conscientes de que o esporte precisa ser ajudado, apoiado.

E na minha opinião ninguém tem mais respaldo do que os próprios escaladores, dentre eles atuais campeões, ex-competidores e por aí vai.

Não acredito em nenhuma rivalidade, é preciso se ter dedicação e organização e penso que as pessoas deveriam se unir e se apoiar já que o objetivo final é o mesmo para todos, atletas, organizadores e realizadores.

Foto: Acervo pessoal Patricia Antunes

Foto: Acervo pessoal Patricia Antunes

 Patricia Antunes Silva tem Patrocínio de Rokaz Academia de Escalada e Ativar Studio Pilates. Apoios: 5.10; Gabriela Bolzan Nutricionista e Dr. José Carlos Vilela Ortopedista

Formado em Engenharia Civil e Ciências da Computação, começou a escalar em 2001 e escalou no Brasil, Áustria, EUA, Espanha, Argentina e Chile. Foi jurado do Rio Mountain Festival e já viajou de mochilão pelo Brasil, EUA, Áustria, República Tcheca, República Eslovaca, Hungria, Eslovênia, Itália, Argentina, Chile, Espanha, Uruguai, Paraguai, Holanda, Alemanha e Canadá. Realizou o Caminho de Santiago, percorrendo seus 777 km em 28 dias.

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