Entrevista com Marta Palou

A melhor maneira de percebe como será o futuro de qualquer esporte, é reparar em jovens talentos que apontam no horizonte. Exatamente por isso que é imprescindível que a geração que está próxima a aposentar, dedicar seu tempo a incentivar e descobrir novos talentos. Quanto mais os principais praticantes, aqueles que se destacam em sua modalidade ignorar-se este fato, menor será a expressão do esporte no futuro.

Um dos jovens talentos da atualidade para a escalada é a escaladora catalã de 20 anos Marta Palou. Figurinha carimbada em Rodellar, Palou já vem colecionando até o momento 11 ascensões em 8º grau francês (9c a 11b brasileiro) e, por isso, chamando a atenção da comunidade espanhola de escalada.

Marta demonstra grande potencial e já é considerada dos grandes nomes da escalada espanhola, apesar dela não se considerar da “nova geração da escalada espanhola”.

Para conhecer mais desta jovem escaladora, a Revista Blog de Escalada entrou em contato com Marta Palou e teve a oportunidade de saber um pouco mais sobre o pensamento da nova geração da escalada. Com respostas bem educadas, sem procurar ficar agradando demais, a catalã esbanjou simpatia e charme.

“Maskoking” (8b Fr) na la Cueva de los Cazadores | Foto: Gullermo Dominguez

Marta, você é escaladora e mora na Calatunha. É o melhor lugar para uma escaladora viver?

A verdade é que tanto a Catalunha, como também a Espanha, é o paraíso da escalada.

Há muitíssima rocha já conquistada e muita ainda por conquistar.

No ano passado encadenou seu primeiro 8b francês (10b brasileiro). Para 2018 tem algum projeto mais difícil que isso?

Até o verão passado só tinha encadenado dois 8a+ francês (10a brasileiro) e no verão de 2017 passei dois meses em Rodellar escalando quase todo dia. Foi quando encadenei meus primeiros 8b francês (10b brasileiro): “Gladiator” e “Maskoking y Alter Ego”.

Além disso, escalei muitas vias, passando um bom tempo com todo os meus amigos e amigas.

O objetivo deste ano 2018 é o mesmo que os anteriores: escalar até morrer e todo dia dar um “pegue”. tentar não me lesionar e, se consigo fazer isso, já estarei contente. Ainda que, evidentemente, depois de encadenar meu primeiro 8b+ francês (10c brasileiro) já estou pensando no 8c francês (11a brasileiro). Mas sei que este grau é muito difícil…

Agora estou instalada em Rodellar e tentando voltar a escalar um 8b+ francês, que seria um bom objetivo para este verão. Fazer um 8c francês seria um sonho tornando-se realidade.

“Maskoking” (8b Fr) na la Cueva de los Cazadores | Foto: Gullermo Dominguez

Como é a sua rotina de treinos para escalar neste nível?

Estou estudando Ciências do Esporte (Educação Física), desta maneira sou a minha própria treinadora. Nos meus treinamentos, faço de tudo um pouco. Mas sobretudo foto em trabalhar meus pontos fracos.

Quando estou treinando duro, às vezes o faço treino todos os dias da semana. Quando tenho semanas de recuperação, vou dois ou três dias somente à academia de escalada. Nos finais de semana obviamente estou cansada dos treinos e não escalo na rocha.

Antes de treinar, sempre me coloco um objetivo. Por exemplo, este ano queria chegar à primeira competição espanhola no meu pico da forma. Mas como eu me lesionei em um dedo, mudei o objetivo. Isso porque não podia competir e queria chegar em forma para Rodellar este verão. Isso é o que tenho feito. Tenho treinado o que o dedo me permite e escalando muito, que é o que me faz melhor ao meu dedo.

Claro que ao final de tudo, é necessário escutar o que seu corpo diz e dar-lhe razão. Se me deixar treinar mais forte, treino mais. Se me sinto cansada, ou me dói alguma coisa, baixo o volume de treino.

Foto: Doke – Miguel Navarro Pérez

Você faz parte da nova geração de escaladores da Espanha. Como você vê a escalada de seu país hoje?

Na verdade que não me considero a nova geração. Me sinto um pouco velha (ahahah).

Vejo que a escalada na Espanha está evoluindo e pouco a pouco teremos melhores recursos para poder treinar. Isso fará com que haja meninos e meninas muito fortes que, caso sigam, poderão conseguir tudo o que se propõe.

Também acredito que com as Olimpíadas, haverá escaladores de academia e escaladores de rocha.

Na Copa do Mundo de Escalada, a Espanha não possui muitos escaladores entre os 20 melhores. Saberia explicar o por que?

Suponho que é por causa de como as coisas foram feitas aqui na Espanha… Tivemos muitos anos de atraso em relação a outros países.

As instalações que temos aqui, não se pode comparar com a que existe fora da Espanha: nem as agarras, nem os treinadores, nem as ajudas, nem a maneira de trabalhar…

Agora com as Olimpíadas, parece que estão mudando as coisas e já se verá os resultados.

Foto: Doke – Miguel Navarro Pérez

Além de Rodellar, quais são os lugares de sua preferência para escalar na Espanha? Por que?

Sem dúvida Rodellar é um dos meus lugares preferidos. Estou enamorada de Rodellar! Além de Rodellar, gosto muito de Margalef, que tem um estilo de escalada curioso, cheio de buracos e agarrões.

Estes dois lugares são onde mais se escalo, ainda que nem estejam próximo à minha casa (Rodellar esstá a 3 horas e Margalef a 2h30min).

Próximo de casa há locais de escalada muito bons como Sant Llorenç de Munt, Montserrat, Sant Miquel del Fai, La Cova del Ocell… Quando somente posso escalar um dia, ou somente uma tarde, vou aí.

Foto: Doke – Miguel Navarro Pérez

A pergunta é muito clichê, mas… Possui planos de escalar por aqui na América do Sul? Onde?

No momento não tenho planos para viajar para América do Sul, pois no próximo ano vou ficar na Espanha e talvez alguma saída pela Europa. Mas não descarto, pois as fotos e vídeos que vejo de aí, me parecem incríveis.

As pessoas que conheci daí me falaram muito bem, assim que em um futuro nos vemos pelas rochas de América do Sul em alguns anos!

Foto: Doke – Miguel Navarro Pérez

Formado em Engenharia Civil e Ciências da Computação, começou a escalar em 2001 e escalou no Brasil, Áustria, EUA, Espanha, Argentina e Chile. Foi jurado do Rio Mountain Festival e já viajou de mochilão pelo Brasil, EUA, Áustria, República Tcheca, República Eslovaca, Hungria, Eslovênia, Itália, Argentina, Chile, Espanha, Uruguai, Paraguai, Holanda, Alemanha e Canadá. Realizou o Caminho de Santiago, percorrendo seus 777 km em 28 dias.

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