Entrevista com Isabel Bolivar

Faz parte do processo de amadurecimento de toda e qualquer pessoa ter contato com pessoas de culturas diferentes, mesmo que este outro indivíduo tenha uma vida parecida com a que temos.

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Foto: Adam Arrazola

Qualquer praticante que insista a sempre estar no mesmo lugar, realizar as mesmas vias e se esquivar de experimentar locais, comidas, culturas e natureza diferentes, está fadado a não contribuir com o esporte que pratica, seja qual ele for.

Por conta disse a Revista Blog de Escalada segue conversando com atletas que vivem em outros lugares para saber o que eles pensam e qual é o ponto de vista do esporte.

Afinal como dimensionar o esporte, e saber comparar a realidade de cada local, se não temos noção de como é realmente vivenciado em outras localidades no mundo.

Por isso procuramos a mexicana Isabel Bolivar, forte escaladora de seu país dedicada à escalada esportiva e dedicada profissional da escalada.

Isabel gentilmente cedeu entrevista, e respondeu todas as perguntas de maneira completa e extremamente gentil e simpática.

A forte escaladora mexicana, patrocinada e apoiada por diversas marcas contou com detalhes sua visão particular da escalada no México.

Isabel, como é ser escalador no México? Já é um esporte desenvolvido?

Definitivamente a escalada no México deu um salto enorme nos últimos dois anos, cada vez mais inaugurando mais muros, organizando muitas competições, tanto federadas como independentes, e aumentou a participação de escaladores mexicanos na Copa do Mundo.

Caro que não se pode comparar com o grau de desenvolvimento que possuem países europeu, já que ser escalador no México é algo muito novo.

Dentro da comunidade escaladora pode ser muito conhecido, mas fora é outro mundo, no trabalho, na universidade, na família, quase ninguém sabe o que é escalada ou confundem com outros tipos  de montanhismo.

Quando se trata de conseguir apoio, é aí onde se nota que não se da a importância devida, como tem em outros esportes.

Mas este é o objetivo, de seguir fazendo a escalada ser conhecida já que no México a escalada está crescendo bastante e é perceptível.

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Foto: Adam Arrazola

Como é a organização de competições no México? Existe alguma liga esportiva ou federação?

Independente das competições organizadas, cada muro ou algumas organizações privadas, México tem a sorte de contar com sua própria Federação de Escalada e Montanhismo, que é encarregada de organizar competições oficiais regidas pelo regulamento do IFSC, nas quais se escolhem os escaladores que formarão a seleção que representará o país nas competições internacionais.

Acredito que temos sorte, já que nem todos os países da América Latina contam com sua própria federação e isso representa mais um obstáculo.

Muitas escaladoras realizam outras atividades enquanto treinam, Como você faz para se preparar para as competições?

Pessoalmente, com relação a treinamento, também gosto de pedalar, correr e fazer muitas outras atividades além de escalar.

Mais do que completar meu treinamento, faço porque gosto.

Claro que a escalada é a número um, é a que dedico mais tempo e esforço, mas complementar minha escalada com outras atividades me motiva muito.

Como preparação para uma competição, tenho um treinamento especializado, que no caso é para boulder, que é o que neste momento me motiva mais: seções de campus, travadas e mais travadas.

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Foto: Jon Gler

Na sua opinião, porque acredita que o número de mulheres escaladoras tem crescido tanto nos últimos tempos?
Acredito que tenha sido pelo grande números de muros que se abriram, já que se tornou muito mais acessível.
Na minha própria experiência, foi graças a abertura de um novo muro em Puebla: Rocódromo Fusión.
Já que minha primeira experiência com a escalada não foi muito boa, embora agora pareça impossível, houve um tempo que odiava e não gostava ahahah.

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Foto: Acervo pessoal Isabel Bolivar

Adorei a ideia de  poder ir escalar sem ter de depender de uma corda.
Acredito que talvez por esta primeira experiência é que agora já me inclino mais ao boulder pois é somente você um par de sapatilhas e magnésio.
Claro de depois conheci amigos incríveis e que gostei muito mais.
Agora onde quer que escale estou sempre rodeada de pessoas muito especiais.
Mas graças à abertura do muro na minha cidade é que pude ficar próxima da escalada como eu queria.
Na América do Sul há lugares incríveis como Florián Santander (Colômbia), Valle Encantado, Piedra Parada (Argentina) e Serra do Cipó (Brasil) e muito mais. Você planeja visitar um destes lugares em breve?
Claro que gostaria de conhecer estes lugares lindos que tem América do Sul, em especial Piedra Parada, que é um lugar que me fascina para visitar.
Quando puder o farei com certeza, mas depende do quanto de tempo se refere o seu “em breve” ahahaha.
Isso porque acabei de começar meu semestre na Universidade, e agora não tenho nenhuma viagem longa planejada até o final do ano quanto terei férias.
Mas se tudo sair bem, está nos meus planos visitar estes lugares em breve.
Foto: Acervo Pessoal Isabel Bolivar

Foto: Acervo Pessoal Isabel Bolivar

Alguns escaladores tem patrocinadores e outros não. Na sua opinião, porque acredita que exista esta realidade no esporte?
Como escrevi antes, acredito que é devido à que não muita gente conhece nosso esporte, e isso faz com que grandes marcas e apoios foquem nas coisas que as pessoas conhecem e com as quais se sentem familiarizadas. 
Por isso que se segue-se procurando divulgar a mais pessoas a escalada.
Um exemplo é o esforço que se está fazendo pela inclusão de nosso esporte nos Jogos Olímpicos.
 
Eu me sinto muito agraciada por ter tantos bons patrocinadores como MadRock, Black Diamond que sempre me apoiam, e pertencer à equipe Exposure Climbin é algo que me motiva muito, assim como o Rocódromo Fusión que me oferece todas as facilidades para seguir treinando, fazendo com que me sinta muito agradecida.
Mas como diz a pergunta, nem todos tem estas oportunidades e tem de seguir lutando por isso.
Recentemente obtive o aval de competir na Copa do Mundo em Munique, na Alemanha, e é algo que trabalhei muito, mas no momento de enfrentar a realidade foi dura e não pude ter o apoio econômico necessário.
Foto: Acervo Pessoal Isabel Bolivar

Foto: Acervo Pessoal Isabel Bolivar

Além disso tive de ser muito sincera comigo mesma e ver como estava no momento.
Tenho uma lesão um pouco séria no meu ombro, a qual estou tratando com se deve, mas vou seguir dando o melhor de mim, para recuperar-me e seguir fazendo o que amo fazer.
Porém não sou a única, há escaladores que neste momento estão na sua melhor forma e bem preparados, e também poderão ir pela mesma falta de recursos.
Mas creio que signifique que sempre vai ser assim, a realidade é que nosso país, tanto em apoio acadêmico, trabalhista ou desportivo não é fácil, mas também não é impossível.
Tem de seguir trabalhando, pois é uma luta constante para fazer que esteja melhor a cada dia.
Seria lamentável que escaladores mexicanos sigam ficando fora de Copas do Mundo por falta de recursos.
Qual é a reação de seus amigos quando diz que escala e treina muito forte para isso?
Acho que não creio que compreendem exatamente o porquê…hahaha  
Nunca perguntei a eles o que opinam sobre isso. Me lembro que sempre me diziam que sou esquisita ahaha
Mas sem importa que,eles me apoiam muitíssimo e sempre me incentivam. Alguns deles já tentaram escalar e gostaram bastante.
Para mim isso é o melhor, compartilhar com todos e com mais pessoas o que mais gosto e que me apaixona fazer.
Foto: Acervo Pessoal Isabel Bolivar

Foto: Acervo Pessoal Isabel Bolivar

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