Entrevista com Flavia Dos Anjos

Foto: Marcelo Maragoni

Foto: Marcelo Maragoni

Nos anos 90 havia uma propaganda de um banco (o qual nem existe mais) que vinculou em todas as mídias existentes a campanha “gente que faz”.

Nesta campanha eram mostradas pessoas que buscavam fazer a diferença na sociedade e na localidade em que estava inserida.

A campanha foi um sucesso e virou referência brasileira de engajamento entre público e marca.

Caso a campanha ainda estivesse em vigor, não há a menor dúvida de que a carioca Flavia Dos Anjos seria indicada para ser destaque.

Sempre falante, mas com uma seriedade singular Flavia consegue equilibrar como poucos a vida de escaladora dedicada com a de engajamento político dentro da escalada.

Foto: Arquivo pessoal Flávia dos Anjos

Foto: Arquivo pessoal Flavia Dos Anjos

Parafraseando um cronista esportivo, Flavinha, como é conhecida, é um algodão dentre cristais, por sua perseverança e por não deixar-se contaminar com a conversa e filosofia sobre política e suas nuances.

Flavia Dos Anjos mesmo em conversas descontraídas é sempre garantia de um ótimo assunto.

Para que pudéssemos compartilhar toda a admiração com a garota “gente que faz” da escalada procuramos Flavia Dos Anjos para uma entrevista e fomos presenteados com uma das mais fantásticas entrevistas realizadas até hoje pelo site.

Acompanhe abaixo todos os detalhes.

Flavia, você é uma das escaladoras mais engajadas do estado do Rio de Janeiro. Como consegue fazer tantas coisas pela escalada ao mesmo tempo?

Bem, não sei se essa afirmação é justa.

De fato fiz algumas coisas nos últimos anos que foram mais pelo bem do esporte do que para mim. Especificando o que são: Operei, com meu sócio, um muro de escalada e assumi a diretoria de competições do estado.

Foto: Leonardo Veigo

Foto: Leonardo Veigo

Se isso é muito, ou se é mais do que outros fizeram, não posso medir, pois tem muita gente atuando bem em diversas outras frentes.

Sobre como fazer?

Bem, infelizmente nada é de graça, sem perceber deixei minhas próprias escaladas e boa parte da vida social em segundo plano. Não deixei de escalar em nenhum momento, nem de estar com os amigos, mas a dificuldade e o comprometimento das vias que entrava sofreram um grande queda, meu perfil do 8a.nu que o diga.

Não me arrependo de nada, mas ninguém tem 4 braços. Se eu quero viver uma experiência, ou se eu quero realizar um sonho tenho que me dedicar ao máximo e inevitavelmente alguma coisa fica de lado.

Você organizou um dos campeonatos de escalada com uma fórmula mais inovadora no ano passado. Você acredita que esta seria uma boa  solução implantar nos campeonatos nacionais a mesma fórmula?

Não sei do que você está falando, não inovei nada, hehehe.

Sério, copiei tudo de coisas que já tinha visto no passado…

A ideia não só pode funcionar como é o modelo que acredito. O Pedro Leite acreditava nele, mas não conseguimos executar, infelizmente.

A ideia é simples e se repete em vários níveis:

Copa do mundo: A IFSC regulamenta o país executa com recursos próprios.

Campeonato Nacional: a Confederação regulamenta, as federações executam.

Campeonato Estadual: Federação regulamenta e municípios e/ou ginásios e empresas executam.

Só que temos que entender o que é “regulamenta”… vamos exigir que todos sejam federados naquele nível (no meu caso estadual) então em contra partida temos que oferecer algo.

Escrevemos as regras e os executores tiveram que obedecê-las, tentamos oferecer o máximo em staff especializada. Queríamos fornecer route-setter e juízes, mas o dinheiro só nos permitiu fornecer route-setter. Fornecemos medalhas, troféus e buscamos patrocínio para os prêmios.

Os ginásios forneceram o espaço, os juízes e ficaram com o dinheiro das inscrições.

Só não segui o formato de competição da IFSC por causa do nosso cenário, para garantir público presente fiz no formato festival que já é bastante popular aqui no Rio, muita gente participa mesmo sabendo que não vai pra final… É como correr a maratona sabendo que não vai vencer.

É superação pessoal e é divertido, simples assim.

Foto: Felipe Dallorto

Foto: Felipe Dallorto

Acho que a única inovação foi a competição por equipes, nela os atletas poderiam se unir em equipes. Qualquer coisa pode ser uma equipe, até a “equipe dos carecas”… mas naturalmente os ginásios formaram equipes. Isso gerou um espírito de união e incentivo, foi a coisa mais bonita que já vi.

Dá para fazer igual em nível nacional, mas nesse caso os estados serão os executores.

Em 2013 a FEMERJ tentou executar uma etapa, colocamos o regulamento do Pedrinho de baixo do braço e fomos atrás de patrocínio… mas não conseguimos. E se conseguíssemos, ainda assim faltaria os demais estados conseguirem também para termos várias etapas.

Não é fácil.

A… e por fim tem o lado do atletas, a única coisa que se pede deles é se federar. É triste ver que eles só se federam nas vésperas das competições. A qualidade do evento depende de planejamento e esse planejamento depende de dinheiro, se o atleta quer ver competição, ele tem que estar junto de verdade, o tempo todo, e não só quem lhe é conveniente.

Você recentemente teve de fechar a sua academia de escalada. Ter uma academia de escaladas no Brasil é um negócio viável?

É complicado. O que está sendo oferecido ali?

Espaço, quanto mais espaço mais gente porém quanto mais espaço, mais caro o investimento (aluguel, pessoal, equipo, etc). Então temos que conseguir o maior número de pessoas possível e não ter em nenhum momento espaço ocioso.

Eu tinha, muito até, não abria de manhã, e nos horários de pico não estava lotado. Estava bem cheio, mas não estava lotado.

Depois ainda existe uma questão ainda não definida na visão das pessoas sobre a escalada em ginásio que é: Esporte VS Recreação.

Num dos modelos temos horários, turmas, matrícula, vínculo.

Foto: Felipe Dallorto

Foto: Felipe Dallorto

No outro não há vínculo nenhum.

É possível ganhar dos dois modelos, eu preferia trabalhar com mensalidades, mas não tomei as decisões certas para isso. Veja bem, o dono daquela academia da moda que te impõem um semestral e cria a tal “taxa de matrícula” não faz isso por que é mercenário, faz isso por necessidade. Sem estabilidade não há planejamento.

É a garantia do retorno permite que o trabalho flua e a qualidade do serviço melhore. Além disso a academia tem que investir muito nos iniciantes, em mantê-los motivados, precisa ter coisas do nível deles e fazer com que eles se vejam evoluindo…. eu não tinha nenhum muro fácil por exemplo…

Mas tem o outro modelo o mais comum talvez, o brasileiro que pouco conhece a escalada procura o modelo recreação, isso pode funcionar, mas você precisa então mergulhar nele, garantir muita gente nova todos os dias, muita divulgação, muita promoção.

É muito trabalho, muito mesmo e pouca garantia, sua estabilidade vem de uma rotatividade alta de clientes, esse é mais dependente de estar no ponto certo na hora certa.

De todo modo ainda acho que falta uma coisa crucial, o lobby da indústria. Hoje o pilates é muito popular, há 10 anos era novidade, antes do pilates isso foi a yoga, já foi o sppining. Vou contar uma história: num jantar com 20 amigas, 6 disseram que já fizeram pilates, isso é 25%. Só eu já tinha escalado.

Quem abre um estúdio de pilates hoje só precisa divulgar seu ponto, mas não precisa mais divulgar como um todo, isso já foi feito.

Moda não existe à toa, moda é criada, alguém criou, alguém pagou para a artista fazer pilates, sim pagou sim, alguém pagou para aparecer na novela. Provavelmente foi quem fabrica e vende os aparelhos para os estúdios, primeiro foi alguém nos EUA e depois alguém que quis “franquear” isso aqui.

Mas esse “alguém” não precisa ser uma fada madrinha, pode ser uma união de todos os interessados, todas as federações, todos os fabricantes de equipo, todos os revendedores e claro todos os ginásios juntos. Ainda estamos no momento inicial, no momento em que uma matéria, ou melhor, uma propaganda sobre escalada é melhor que uma propaganda sobre o SEU muro de escalada.

A questão é que a progressão desse lobby não é linear, ao contrário, ele parece que não está dando certo por muito tempo, derrepente ele alavanca e vem com tudo.

Então, se é viável, é, mas depende de mais do que apenas do ginásio e do administrador, depende de todos nós, até mesmo dos alunos, para não perder o que têm precisam valorizar.

Você foi uma das participantes da reunião que tinha como objetivo decidir os rumos das competições de escalada no Brasil. Quais foram as suas impressões sobre o que ficou decidido?

Ótima, pelo menos na hora foi ótima.

Depois a coisa tomou outros rumos.

Foto: Felipe Dallorto

Foto: Felipe Dallorto

Chegamos lá com um cenário bem ruim, um descontentamento enorme, com duas causas justas: A CBME não pagou a IFSC e não teve competição em 2013.

Só que nada é tão simples assim e no meu ver, os membros da CBME esclareceram tudo muito bem.

A CBME é hoje a responsável pelas competições, é porque quer ser e porque tem que ser. A competição é um dos objetivos principais no estatuto dela.

Tivemos muitas competições no últimos dez anos, algumas até muito boas, então não há como dizer que a CBME não se interessa por isso.

A irregularidade vem principalmente da falta de dinheiro, mas apenas de CBME, mas das federações e dos órgãos executores.

Os próprios donos de ginásio presentes disseram que executam etapas por puro amor, na prática tem prejuízos enormes com o fechamento de sua operação naquele período de organização do evento.

Não da para ter um modelo de competição onde o esporte perde dinheiro. Então vamos as duas causas:

A) A decisão de não pagar o IFSC aconteceu porque a CBME não tem dinheiro e dentro do cenário competição que é uma das prioridades julgou-se mais interessantes usar esses R$8.000,00 para executar competições nacionais em vez de enviar atletas pro exterior.

Principalmente as categorias de base, essas precisam ganhar força. Afinal,precisamos formar substitutos para quando os atletas atuais se aposentarem, ou melhor, não adianta ser fonte de inspiração se não temos a quem inspirar.

B) Sobre não termos tido competição em 2013, bem, relembrando a pergunta 2, repito, a femerj até tentou…mas faltou dinheiro. Mas não ficamos parados não, a CBME se dedicou muito a competição em 2013, o Pedro passou metade do tempo dele escrevendo regras, modelo e um monte de coisa super importantes porém burocráticas que as pessoas esquecem que precisa ser feito.

No fim a reunião chegou ao ponto mais importante.

O Pedro fez tudo SOZINHO, o que é totalmente errado, uma diretoria não pode ser só um diretor, precisamos de vice-diretor, assistente, secretário, gerente de marketing, gerente financeiro e até advogado ajudaria, pois muito patrocínio pode vir das leis de incentivo ao esporte.

Eu sou diretora no RJ, em 2013 fiz tudo sozinha, os ginásios executaram muito bem, mas a parte da Femerj, ficou toda na minha mão. Só esse ano consegui formar um GT para ajudar, creio que tudo fluirá muito melhor.

Chegaram a sugerir uma nova associação…

Sinceramente, na minha humilde opinião, isso é totalmente desnecessário. Foi levantada a bola de que se existe a proposta de uma nova associação, então uma equipe para formá-la, e daí seria muito mais interessante colocar essas pessoas dentro da CBME do que perder tempo (e dinheiro) com a criação de uma nova entidade.

Na hora todos toparam.

Fundar outra empresa, sei lá… não posso ser contra nada, sou do tipo que só desejo o sucesso de tudo e de todos! Mas eu faria diferente, opinião pessoal… só o valor da IFSC vai embora em burocracia… para registro no Ministério dos Esporte a associação precisa existir há 3 anos. Então por 3 anos qualquer competição da associação é informal.

Foto: Fernanda Albino

Foto: Fernanda Albino

Olha, eu não pesquisei, mas aposto que para registro no IFSC deve ter exigência semelhante viu?

Enfim… A galera engajada entraria para a CBME e finalmente saímos com várias propostas, até de ter competição por equipes, de ter taxa anual para os atletas, e contribuição voluntária dos ginásios.

Vou ser sincera, na hora saí de lá muito feliz, mas parece que depois a coisa não foi pra frente, o grupo não quis de fato entrar para a CBME, então a Confederação está trabalhando em montar outra equipe, sem deixar de lado seus objetivos de realizar campeonatos ainda este ano.

Você acredita que o formato de competição elaborado pela CBME é viável? Porque?

Sim claro!! hehe, sim e talvez… vou explicar

Antes de mais nada, ano passado o Pedro passou 6 meses atualizando o antigo regulamento que era, de 98 ou 99 se não me engano.

Eu já li e reli este documento 3 vezes e é muito bom.

Foto: Cena do Filme Elas na Pedra

Foto: Cena do Filme Elas na Pedra

A única coisa demais que tinha era um nível de tecnicalidade enorme no formato dos muros a serem usados. Isso poderia implicar em termos Ginásios enormes precisando se reformar para atender, o que é impossível ($$$).

Então a única diferença da versão 2013 e da 2014 que já foi submetida ao ministéro dos esportes é que na nova versão essa tecnicalidade toda foi colocada como recomendação e não obrigação.

Sobre a execução, como disse na pergunta dois, é a replicação em outro nível do que fizemos no estado. Órgão nacional regulamenta e órgão estadual executa.

A ideia é ótima, por isso o sim!

E o talvez? É que fica dependente das federações que hoje tem ainda menos dinheiro que a CBME. Tirando a Femerj e a Femesp que estão um pouco melhor… fica difícil imaginar as outras tendo dinheiro para executar uma etapa.

Tudo no fim vai depender um excelente patrocinador, ou, para baixarmos os custos, da utilização dos ginásios já existentes.

Com a entrada dos ginásios na jogada é totalmente possível!!

Você no ano passado participou em um dos filmes o qual foi cercado de muita expectativa: Elas na Pedra. Como foi a experiência de participar do filme para você?

Incrível. Adorei.

Eu já tinha feito um filme antes, mas esse foi diferente. Nesse veio um pedido online, da escaladora Ana Lígia para que eu filmasse uma via de esportiva…

Foto: Cena do Filme Elas na Pedra

Foto: Cena do Filme Elas na Pedra

Primeira pergunta, porque eu??? Eu mal faço 8º grau sofrido e trabalhado…

Exatamente por isso, porque queremos mostrar pessoas se divertindo, mulheres se divertindo e muito independentemente do desafio que estão enfrentando.

Todo desafio é válido, se é desafio para você, se é superação para você, não importa se é fácil para outros, queremos democratizar a escalada!!

Pô… adorei!!!

Daí filmei, escolhi propositalmente uma via nova, pouco conhecida que iria sair do clichê 2000-Barrinha que as pessoas esperam do RJ. E uma via que além de tudo era especial para mim. Minha 2ª opção era a BlackBird, mas ir para Petrópolis vários dias para filmar ficou fora de condições….

Na Tomaton eu fui 3 vezes…

Só que eu não editei, não vi a imagem das outras meninas, não soube de nada.. foi loucura, eu estava num filme, mas que para mim também era inédito. Acredita? Eu vi o filme pela primeira vez no Odeon, junto com todo mundo!!

O filme tá muito bom e a Ana e o Rafael estão de parabéns!

Todo escalador sempre possui um estilo preferido. Qual é o seu? Porque?

Ahhh, Parede e esportiva.

Não curto gelo, não curto frio, nem tenho a menor paciência para boulder, por mais que eu goste um pouco, não consigo me dedicar.

Eu gosto é de passar o dia inteiro na pedra, sair de casa as 6h e voltar as 20h… ou depois… quando faço parede quero que ela seja longa, não precisa ser difícil, mas gosto que seja longa e eu adoro proteção móvel, escolher a proteção e proteger de acordo com seu critério não tem preço…

Flavia_dos_Anjos-10

Foto: Cena do Filme Elas na Pedra

Quando faço esportiva quero que esteja no desafio certo, odeio entrar em via muito difícil e ficar só isolando sem a menor chance de mandar. Gosto de mandar com um numero baixo de tentativas, que a via esteja claramente acima do meu limite, que exija esforço, mas não seja impossível.

Mas honestamente? Se eu pudesse eu acho que me dedicaria a esportiva com proteção móvel… Isso sim é muito bom! Pena que por aqui temos poucas opções.

Hoje no Brasil quais seriam os melhores lugares para escalar na sua opinião? Porque?

Pô… não faz pergunta difícil, eu nem conheço o Brasil todo… eu só conheço MG, RJ e SP…

Mas pelo que to vendo, não tem melhor, é tanta opção, tanta, mas tanta que se eu passasse todos os dias da vida escalando ainda não teria feito tudo.

Eu gosto de reglete, né? Sou do Rio, mas Minas por exemplo é pedra pra todos os lados… sei lá, vamos fazer o seguinte, depois que eu for para chapada, Paraná, Nordeste e outros lugares eu respondo, tá?

Há vários escaladores que classificam os escaladores pelo grau que escalada, tendo até mesmo preconceito com quem pratica em top-rope. Qual  a sua opinião a respeito disso?

Eu acho uma idiotisse enorme, classificar os outros pelo tipo de escalada, bem como é uma idiotisse enorme julgar idiotas os outros por classificar os outros, hahahahahaha

Bem sinceramente?

Foto: Felipe Dallorto

Foto: Felipe Dallorto

Cada um sabe o que te motiva… e cada um é dono de seus próprios pensamentos, não posso fazer ninguém pensar diferente do que pensa, só peço que a opinião não passe de uma opinião que a visão de uma pessoas sobre a escalada não interfira na liberdade dos outros em escalar na maneira que gostam.

Já conheci uma pessoa que não gostava de guiar, escalava 9c e não gostava de guiar, já conheci gente que não gostava de cadena, ou pelo menos não se importava, fazia a via com uma queda e passava pra próxima, pra que tentar de novo?

 

Já conheci a via, quero novidade…

Já conheci de tudo, e sabe o que posso dizer sobre todas elas? São FELIZES… isso que conta. Já vi o sorriso sincero e real de uma pessoa mandando seu primeiro sexto grau depois de entrar na via dez vezes, feliz, se superou, para ela, aquilo era desafio, e aquilo foi vencido… felicidade isso que importa.
Se alguém não faz o que você faz quer um conselho?

Finge que a pessoa faz judô… pronto, é outro esporte, cada um faz o esporte que quer.

Só, que por favor, faça seu esporte sem desrespeitar a montanha e a natureza, faça com ética e mínimo impacto. Pois isso vai além de eu e você, isso tá acima de nós.

 Muitas pessoas ainda insistem em começar a escalar sem realizar um curso. Qual é a sua opinião a respeito disso?

Bem, quando a pessoa conhece a escalada e tem noção do que é um curso, acho que não faz por preguiça, orgulho ou talvez até dinheiro.

Mas de modo geral é achar que não precisa?

Ele pensa que se já está escalando, se já sabe o que tá fazendo, pensa que agora é tarde, deixa pra lá… “agora já aprendi na marra”. Ele não pensa que o curso pode ser mais útil.

Grande engano, é muito comum esse tipo de escalador saber fazer e repetir perfeitamente bem um conjunto limitado de procedimento.

Foto: Cena do Filme Elas Na Pedra

Foto: Cena do Filme Elas Na Pedra

Faz correto, não erra, mas também não sai daquilo. E faz pior, usa aqueles poucos precedimentos o tempo todo e até em momentos inadequados onde outros procedimentos poderiam ser muito melhor. Daí vem o perigo, achar que sabe.

O curso mostra diferentes procedimentos, vantagens, desvantagens de cada. Ensina a fazer esse tipo de avaliação e até te deixa preparado para entender novos procedimentos que ainda podem ser inventados.

Quando a pessoa não é escaladora, acho que a culpa já é nossa, da comunidade, que aceita isso. E que não divulga no ambiente leigo a necessidade do curso. E não tem nada a ver com popularidade do esporte ou número de praticantes.

O mergulho, por exemplo, não é tão popular quanto o futebol no entanto eu nunca soube de um leigo que se aventurou a mergulhar de garrafa sem curso, ou só com “um amigo que vai me mostrar”.

Engenheiro e Analista de Sistemas, começou a escalar em 2001 e escalou no Brasil, Áustria, EUA, Espanha, Argentina e Chile. Foi jurado do Rio Mountain Festival e já viajou de mochilão pelo Brasil, EUA, Áustria, República Tcheca, República Eslovaca, Hungria, Eslovênia, Itália, Argentina, Chile, Espanha, Uruguai, Paraguai, Holanda, Alemanha e Canadá. Realizou o Caminho de Santiago, percorrendo seus 777 km em 28 dias.

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