Entrevista com Eduardo Geovane “Sorriso”

Foto: Acervo pessoal Eduardo Geovane

Foto: Acervo pessoal Eduardo Geovane

Eduardo como você visualiza a discussão dos conhecimentos de escalada pela mídia especializada?

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Foto: Acervo pessoal Eduardo Geovane

Olha, até onde sei no Brasil não existem mídias especializadas em escalada.

Poucos se aventuram a escrever sobre o esporte, nos trazendo o máximo de notícias nacionais e internacionais.

O grande desafio mesmo é trazer as informações corretas para nossa realidade, mas, muitas vezes o que vemos são os mesmos assuntos sendo abordados (o porque do uso do capacete, como montar um rapel, como fazer uma parada equalizada, etc.) e várias opiniões divergentes, o que não é nada interessante para o público.

Minha dica é rever o que vai publicar, para não ficar divulgando algo repetitivo e até mesmo errado.

No Brasil há uma verdadeira avalanche de encontros de escalada. Você saberia identificar o motivo deste crescimento?

O esporte vem crescendo e nada mais justo do que termos encontros de escalada.

São experiências importantes.

Nos encontros acontece a troca de informações, conhecemos a cultura do local, revemos e fazemos amigos, fazemos nosso esporte crescer, entre outras coisas.

Tudo isso que eu citei é o que faz com que os encontros aconteçam.

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Foto: Acervo pessoal Eduardo Geovane

Hoje muito se discute sobre a importância e o papel das federações. Qual a sua opinião a respeito disso?

Ao meu ver as Federações têm a função de promover nosso esporte.

Seja passando as diversas informações sobre escalada e montanhismo ou até mesmo organizando eventos (competições, caminhadas, etc.).

Ao apresentar a prática do montanhismo e/ou escalada para os iniciantes e curiosos, as federações ou associações devem lembrar que todo esporte realizado na natureza deve causar o mínimo de impacto possível ao meio ambiente.

Para nós, escaladores e montanhistas o apoio das federações e associações se torna indispensável, principalmente num país que respira futebol.

Nos últimos anos muitas marcas internacionais de equipamentos outdoor vieram para o Brasil. Como você visualiza este fato?

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Foto: Gisely Ferraz

Antes de mais nada, gostaria de deixar claro que possuímos produtos de ótima qualidade fabricados no Brasil.

E nada mais justo do que valorizá-los!!

As marcas estrangeiras são bem vindas, é claro, ainda mais diante da grande variedade existente.

O grande problema é que os produtos outdoor importados entram no Brasil e automaticamente são taxados com impostos abusivos.

E assim tudo fica caro demais.

Nossas marcas são boas e estão de olho não só nos praticantes da escalada, como também no público que simplesmente opta por utilizar produtos voltados aos esportes outdoor.

Conforto e qualidade é o que os atrai.

Na sua opinião quais são os melhores lugares de escalada da região sul? Porque?

Acredito que uma das coisas que mais atraem os escaladores é o nosso clima, além da variedades de rochas que temos por aqui.

Sem dúvidas o estado Paraná possui os picos mais famosos.

O Anhangava, próximo à Curitiba, pode ser considerado um ótimo ‘campo escola’ com escalada para todos os gostos.

O conjunto Marumbi por si só dispensa comentários, tenho amigos que falam que é um treinamento perfeito pra quem pretende ir à Patagônia.

Mas vale lembrar que, a escalada e/ou montanhismo no Marumbi definitivamente não é para leigos.

Outro pico ainda no Paraná que eu recomendaria TODOS os setores, é o São Luiz do Purunã!

Santa Catarina tem um dos picos que mais atrai escaladores na atualidade.

No município de Corupá encontramos o Parque Natural Braço Esquerdo.

Point de escalada esportiva da melhor qualidade, com vias variando entre 4° até projetos de 11° grau. Outro lugar que também vale a pena conhecer é São Francisco do Sul.

Lá podemos encontrar todas as modalidades de escalada: tradicional, móvel, esportiva, boulder, assim como na região da grande Florianópolis.

Garopaba e Laguna são outros dois lugares onde também rola um bom Climb.

Sobre o Rio Grande do Sul não posso falar, porque nunca escalei por lá, mas, muita gente fala ‘bem’ do Parque da Gruta em Caxias do Sul. Pelo o que falam é incrível!

Sejam bem vindos ao o nosso Sul!!! =)

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Foto: Acervo pessoal Eduardo Geovane

Muitas pessoas reclamam que no Brasil não há uma cultura de montanha disseminada. Como poderia ser modificado este panorama?

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Foto: Acervo pessoal Eduardo Geovane

Primeiro é preciso entender o que você quer dizer com ‘cultura de montanha’.

O que eu posso afirmar é que, no Brasil praticamos ‘montanhismo’ e não ‘alpinismo’ como muitos falam.

Acredito que hoje não temos como reclamar sobre a dificuldade de acesso ao montanhismo.

Está super fácil conseguir informações pelo Google.

Quem quer mesmo adentrar no esporte consegue achar associações, federações, praticantes, academias com escalada indoor, etc.

O que acontece é que, como não praticamos uma atividade esportiva com muita divulgação, as pessoas acham difícil o acesso, mas, o montanhismo existe praticamente em todos os estados do Brasil.

Vale lembrar que possuímos montanhas que atingem quase 3.000 metros.

Uma modalidade que esta sendo bem explorada nos dias atuais é o Trekking.

A Escalada, por sua vez é menos difundida.

Muitos dos nossos picos são poucos divulgados e, ainda existe muitos lugares a ser explorados.

Ao meu ver, a não comercialização da escalada é aceitável, pois, nosso esporte se praticado sem treinamento adequado pode vir a gerar situações de perigo.

Dentro da escalada utilizamos uma técnica vertical de descida, o famoso ‘rappel’, que é sempre bem comercializado por aí.

Essa técnica muitas vezes é subestimada, gerando acidentes, seguidos de Mortes .

Até mesmo escaladores experientes podem se machucar.

As competições de escalada está enfrentando um impasse com relação à organização de eventos. Como você visualiza esta realidade?

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Foto: Acervo pessoal Eduardo Geovane

Este é um assunto bastante polêmico!!!

Escalo desde 2001 e sempre que posso participo dos eventos relacionados a escalada.

Nos bastidores das organizações vejo que, grande parte dos conflitos se tornam particulares.

Todos sabem que organizar qualquer evento é difícil.

E muitos dos eventos que acontecem acabam sendo criticados.

Atletas deixam de comparecer porque possuem rixa com outros grupos de escalada, a galera de alguns ginásios e academias não se da bem.

No meu ponto de vista, todos deviam ir à merda!

Falam sobre a evolução do esporte mas não ajudam.

Ao invés de ficarmos falando mal, por que não tentamos ajudar a melhorar?

Poderíamos nos unir, não estou falando que todos deveríamos ser amigos, mas, que não é impossível que lutemos pelas mesmas ideias, achar soluções sem sermos ignorantes.

Somos seres humanos!

Cometemos erros mas, também sabemos solucionar de pequenos à grandes problemas.

Peço desculpas pela sinceridade, mas eu quero o melhor para o meu esporte e procuro fazer a minha parte.

Formado em Engenharia Civil e Ciências da Computação, começou a escalar em 2001 e escalou no Brasil, Áustria, EUA, Espanha, Argentina e Chile. Foi jurado do Rio Mountain Festival e já viajou de mochilão pelo Brasil, EUA, Áustria, República Tcheca, República Eslovaca, Hungria, Eslovênia, Itália, Argentina, Chile, Espanha, Uruguai, Paraguai, Holanda, Alemanha e Canadá. Realizou o Caminho de Santiago, percorrendo seus 777 km em 28 dias.

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