Entrevista com Christian Vasquez

Foto : Acervo Pessoal Christian Vasquez

Foto : Acervo Pessoal Christian Vasquez

O esporte de escalada vem nos últimos anos evoluindo de maneira exponencial no Chile e em não demorará muito tempo para que as principais competições e atletas seja de lá.

Andando na direção contrária do Brasil, que vem se apequenando em matéria de competições e eventos competitivos de escalada (no Brasil há um racha na cúpula organizadora), o Chile possui toda uma geração de atletas que vem conquistando a cada ano mais e mais espaço no cenário da América do Sul.

Um destes expoentes é Christian Negront Vasquez, forte escalador chileno que nas últimas competições relevantes frequenta o pódio sempre nas primeiras posições.

Mas qual é o segredo de tanto desenvolvimento ? Quem são estes atletas que despontaram por lá ?

Para saber mais sobre o assunto a Revista Blog de Escalada procurou Christian Vasquez para uma entrevista e fomos gentilmente atendidos.

Christian Vasquez é hoje um dos maiores nomes da escalada chilena, e possui grande potencial para se destacar na escalada mundial.

Leia na íntegra a entrevista abaixo

Christian, você é um dos escaladores chilenos que mais se destaca. Quando começou a escalar esperava chegar ao nível que está agora?

Comecei a escalar perto do ano 2006, e mal conhecia e no meu país era um esporte desconhecido, aliado a isso uma má situação financeira e apoio nulo da minha família pensei que não havia lugar para mim nas competições e muito menos chegar a um bom nível.

Foto : Acervo Pessoal Christian Vasquez

Foto : Acervo Pessoal Christian Vasquez

Mas me apaixonei por este esporte e com um pouco de sorte (misturada com constância e força de vontade) pude crescer nele e chegar ao nível que hoje estou.

Mas ao começar jamais imaginei chegar tão longe nem muito menos fazê-lo minha forma de viver.

Olhando daqui do Brasil parece que a comunidade de escaladores do Chile é muito unida. Isso corresponde à realidade?

Na verdade que sim, somos uma comunidade que se encontra em crescimento e que está recentemente distribuído.

Entretanto segue sendo uma comunidade que se conhece, que se gosta, seja em alguma competição ou seja em alguma rocha é muito cordial, amigável e unida, com exceções de alguns problemas pontuais.

Diria que pelo menos no Chile os escaladores se caracterizam por ser muito cordiais e motivados entre nós.

Sempre é um prazer ir a um ginásio ou rocha e poucas vezes me encontrei com alguém indesejável.

A Maioria das grandes competições de escalada na América do Sul está acontecendo no Chile. Você saberia dizer se foi como Chile trabalhou e se organizou para conseguir ?

Ufff…  Na verdade, pessoalmente tenho muitas observações neste aspecto.

Considero que este grande “boom” de competições importantes se devem a motivações de empresas privadas, como marcas de grande capital ou ginásios, ou de escaladores que se jogam diante de projetos de maneira “comunitária” impulsivamente.

Tristemente do lado do estado e das federações não se vê uma organização, nem se ela existiu, deixando muito a desejar porque necessita de planejamento e concretização.

Foto : Acervo Pessoal Christian Vasquez

Foto : Acervo Pessoal Christian Vasquez

Por exemplo, nosso circuito nacional se encontra por um lado muito motivado por parte das marcas que fazem competições importantes (Mountain Hardware realiza uma de dificuldade em Mall Sport, e The North Face realiza o famoso Master de Bouldering), o ruim é que tirando estes eventos o circuito é um completo mistério, às vezes temos 3 campeonatos por ano, outros 8.

Não existem temporadas de dificuldades ou Boulder muito claras.

Os campeonatos avisam as datas muito em cima da hora não permitindo organizar treinamentos e etc.

Diria que como circuito existe algo graças à intervenção de iniciativa privada.

Por outro lado o circuito escolar esteve muito motivado nos anos anteriores e teve um trabalho desde a federação muito importante e destacável, mas que não se trabalha igualmente nos Nacionais (adultos) e existe um circuito universitário nulo, por exemplo, de pouca projeção a um atleta e no ajuda a progredir com isso.

Na sua opinião, quais são os locais de escalada em Chile que os estrangeiros deveriam conhecer? Porque?

Foto : Acervo Pessoal Christian Vasquez

Foto : Acervo Pessoal Christian Vasquez

Para mim sem dúvida é “Cuarta región de Coquimbo”, se trata de uma região que se caracteriza pelo bom clima, ser muito turístico, por la balada e suas praias, mas possui muitas, mas muitas zonas gigantes de boulder, muito perto da cidade (15 minutos).

Conheço quatro lugares pertos entre si, de potencial infinito, perto de praias muito agradáveis para acampar onde existe tanta rocha que sempre se pode ir encontrar novas linhas de boulder e vias.

Esta é o setor dos “Monters”, “Totoralillo” (não se recomenda no verão por conta do lixo), ”La Pampilla” e “The Golden Zone”, cada uma a menos de 10 minutos de carro entre si.

Além destes existem pelo menos outros cinco lugares mais de boulders e vias igualmente  perto que ainda não visitei, e seguem aparecendo sendo abertos mais e mais, realmente um paraíso com um potencial que parece não ter fim.

Também recentemente foi aberto um ginásio com muros no estilo do Master (The North Face), o qual para mim é muito bom,  porque gosto de alternar minhas viagens entre rocha e resina.

Você alguma vez visitou o Brasil, ou pelo menos planeja vir alguma vez?

Infelizmente não tive a oportunidade, não por falta de vontade, muito pelo contrário, mas sim por tempo e dinheiro.

Sem dúvida é um dos lugares que se tivesse oportunidade gostaria de conhecer.

Foto : Acervo Pessoal Christian Vasquez

Foto : Acervo Pessoal Christian Vasquez

Ouvi muitos comentários não somente da beleza tanto em paisagens e clima, mas também pelo grande nível que possuem seus atletas e pela quantidade de rocha e Boulder (meu favorito) que tem próximo à praia.

Adoraria poder realizar uma viagem e conhecer os boulders e ginásios.

Muitos lugares de escalada no Brasil foram cuidados e sujos e acabaram sendo fechados para escaladores. No Chile há problemas como este?

Na verdade que sim, pela ignorância creio, e pelos projetos novos como estradas.

Esse é o caso de “Las Chilcas” que se viu ameaçada por hidroelétricas e mineração, como é o caso de “El Cajon” de “Las Arenas”, ou “Totoralillo” que para o verão está sendo transformado pelas pessoas comuns em um depósito de lixo.

É triste, pois assim nota-se a falta de conhecimento das autoridades as quais poderiam aproveitar o potencial turístico e seu capital cultural para proteger e ajudar para seu conhecimento inclusive, porque no  no Chile não existe uma cultura esportiva e nem ecológica.

Desta maneira, estes espaços terminariam sendo protegidos, limpos e mantidos pela própria comunidade escaladora, por isso muito se perdeu, e se perde, em certas temporadas devido ao mau uso.

No Brasil é muito difícil para os escaladores conseguir patrocínio das marcas. Como está esta questão no Chile?

Isso me toca em um ponto sensível e poderia dar uma resposta um tanto atravessada.

Na minha experiência, na verdade, os apoios existem e não é raro no meu país, tem regras pouco claras ou pouco “corretas”.

Vários apoios no Chile (pelo que comentam alguns conhecidos) são insuficientes e/ou abusivos.

A grande maioria garante um pouco de equipamentos e muito pouco apoio econômico (ou nenhum) para realizar viagens ou para poder competir nem sequer nas competições nacionais.

Foto : Acervo Pessoal Christian Vasquez

Foto : Acervo Pessoal Christian Vasquez

Nesse sentido considero que as marcas se perderam os grandes escaladores do meu país, onde o maior potencial visto nas escolas mais humilde, tristemente este é meu segundo ponto a critica nesta temática, que muitos apoios se entregam a “ao conhecido de”, “amigos de” ou porque “fui com a cara”, mas pensando em critérios como o ranking de competições o grau real lançado ou seu real potencial.

Foto : Acervo Pessoal Christian Vasquez

Foto : Acervo Pessoal Christian Vasquez

Minha experiência no e muito boa com este tema, tenho mais de 10 anos de escalada e nunca recebi nenhum apoio de nenhuma marca e vi escaladores realmente natos por não possuir uma boa situação financeira, ainda por não ser de a “panelinha” escaladora e não ter apoio se perderam .

Para o ano de 2014 tem algum projeto de via? Qual seria?

Eu me caracterizo por ser um amante e especialista do Boulder, e tenho uns projetos guardados.

Gostaria viajar a ” Jurasick Parck ” encadenar novamente “Osama” (V10) e poder tentar “Dinonicus” que tem o mesmo grau.

No setor “The Monster” quero encadenar uma proposta de V12, sem repetições chamado de “Monsters de monsters”, este para mim é o que mais me interessa.

Ainda no setor “las Chilcas ”  malhar o “me gustas cuando callas”.

No momento me encontro focado nas competições e pelos meus estudos na universidade tenho pouco tempo e dinheiro ahahahahaha

Então no verão poderei trabalhar meus projetos

Sobre o Autor

Luciano Fernandes

Luciano Fernandes

Engenheiro e Analista de Sistemas, começou a escalar em 2001 e escalou no Brasil, Áustria, EUA, Espanha e Argentina. É totalmente dedicado ao esporte de escalada em rocha e é apaixonado em filmes Outdoor. Para aproveitar melhor esta paixão fez curso de documentário na Escola São Paulo, além dos cursos de “Linguagem Cinematográfica” e “Crítica de cinema”. Foi jurado do Rio Mountain Festival. Já viajou de mochilão pelo Brasil, EUA, Áustria, República Tcheca, República Eslovaca, Hungria, Eslovênia, Itália, Argentina, Espanha, Uruguai e Paraguai, Holanda, Alemanha e Canadá.

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