Entrevista com Charlotte Duriff

French Nationals | Foto : Thomas Durif

French Nationals | Foto : Thomas Durif

A escaladora francesa Charlotte Duriff possui um currículo impressionante na escalada : 5 vitórias em 6 participações no campeonato Francês de escalada, e 5 vitórias em 6 participações na Copa do Mundo de Escalada.

Na escalada em rocha Charlotte Duriff foi a primeira mulher a escalar um 8c francês (11a brasileiro), e a segunda mulher da história a escalar um 9a Francês (11c brasileiro).

Escaladora desde os 9 anos de idade, optou por se afastar das competições, mas não da escalada, para dedicar-se à carreira acadêmica na Escola Nacional de Mecânica e Microtecnologia Besancon (École Nationale Supérieure de Mécanique et de Microtechniques de Besançon).

Hoje Duriff treina para competições enquanto estuda para o sou doutorado.

A Revista Blog de Escalada procurou Charlotte Duriff para sabermos um pouco mais desta escaladora fenomenal, em uma entrevista inédita no Brasil.

Charlotte, você foi cinco vezes campeã mundial juvenil. Como era a vida de atleta de competição ?

Competir nas categorias foram as melhores anos de competições de minha carreira. Não exatamente pelos meus resultados, mas muito pelo ótimo ambiente que havia no time, quando criei numerosas amizades e experiências inesquecíveis com todos.

Durante meus 18 anos, viajei por toda Europa, Ásia e América do Sul. Isso é um privilégio para não muitos adolescentes devo dizer, e eu sou muito grata por ter tido estas oportunidades.

Chamonix World Cup | Foto : Eddie Fowke - The Circuit

Chamonix World Cup | Foto : Eddie Fowke – The Circuit

A vida de atleta de competições é uma parte interessante de minha maneira de escalar, porque a diversidade de novos desafios que tenho na minha frente em um breve momento. Eu tenho uma vida dupla já que formei em engenharia 3 anos atrás, e agora estou fazendo doutorado em ciência.

Isso não me da muito tempo para viagens, porque competições demandam compromisso e motivação para treinar Durante a semana, e ir às competições no final de semana.

Talvez em no futuro, quando eu tiver mais tempo livre, eu deixe as competições de lado e escale mais na rocha.

Você é uma atleta da Petzl. Como é a vida de uma escaladora profissional ?

Eu sou atleta da Petzl desde 2006… São mais de dez anos ! É um privilégio para mim ter acesso a equipamentos tão bons, e também conhecer ótimos escaladores e conhecimentos todos estes anos.

Petzl Roctrips é um ótimo exemplo de uma oportunidade fantástica de conhecer novas pessoas e viver loucas aventuras com os amigos.

Piedra Parada, Argentina | Foto : Mayan Smith-Gobat

Piedra Parada, Argentina | Foto : Mayan Smith-Gobat

Agradeço ao meu comprometimento e aos meus patrocinadores, Petzl é claro, Volx-Holds (agarras de escalada), EB (sapatilhas de escalada) and Gramicci (roupas), porque eu me sinto abençoada por viver uma vida fantástica com viagens e descobertas para ir escalar.

Eu não posso aproveitar totalmente a vida de escaladora profissional por conta dos meus estudos, mas eu sou muito feliz com este equilíbrio, mesmo querendo ter mais tempo para poder escalar no futuro.

Você esteve no Petzl Roc Trip na Argentina em 2012. Você está planejando viajar novamente para a América do Sul ?

Bishop, USA | Foto : Josh Larson

Bishop, USA | Foto : Josh Larson

Eu de fato estou pensando em voltar à América do Sul, em especial para o Cabo Horn (ponto mais meridional da América do Sul).

Eu também gostaria muito de visitar o Brasil para escalar… Você teria algumas sugestões ?!

Eu sempre sonhei em algo como ir para Machu Picchu.

Você é uma das escaladoras mais fortes de sua geração. Como você consegue ter motivação para seguir progredindo ?

Eu acho que a escalada está em meu sangue e eu não consigo me ver vivendo sem ela. Meu envolvimento no campo das competições me ajudou a ficar em forma e sempre tentar subir meu nível.

Isso ajuda muito para meus projetos na rocha também. A respeito desdes projetos na rocha, eu me permito ficar tentada pela beleza, ou pela história, da linha de uma via mais que o número do seu grau.

Por isso é meio que o dia-a-dia, ou viagem-a-viagem, e com isso sempre vem novas motivações e diversão.

 Você tem algum projeto especial para 2016 ? Qual seria ?

Meu projeto principal para este ano é o campeonato mundial do IFSC (IFSC World Champion) que será em Paris no mês de setembro. Pretendo participar em todas as categorias, como eu fiz no mundial de 2014.

Paris será um grande passo na minha carreira de competições.

Croácia | Foto : François Lombard

Croácia | Foto : François Lombard

Para escaladores do Brasil, e América do Sul, quais lugares você recomendaria que visitem na Europa ? Por que ?

Meu lugar favorito de escalada é “Les Gorges du Verdon“, na França. Eu amo este lugar porque é bem selvagem e oferece diversos tipos de escalada.

Desde várias enfiadas até aderência e enormes negativos. Tem de tudo.

Sugiro também lugares como Turquia e Grécia também tem grande potencial para escalada esportiva, porque possui calcário de ótima qualidade.

Foto : Josh Larson

Foto : Josh Larson

O número de escaladoras aumentou muito nos últimos anos. O que você acha disso ?

Eu acho ótimo e é a evolução lógica de nosso esporte também.

Estou muito feliz por ter seguido o caminho de meus pais e conseguido alcançar tantas coisas (competições / encadenamentos) ao longo dos anos que provavelmente mudou a maneira das jovens garotas pensarem em um lugar na escalada profissional.

Devo dizer que escalada é um esporte para todos, que pode ser aproveitado por qualquer idade em qualquer nível, por isso as pessoas nunca devem colocar limites nelas mesmas ou as outras pessoas irão.

Flatanger, Noruega | Foto : Thomas Durif

Flatanger, Noruega | Foto : Thomas Durif

Sobre o Autor

Luciano Fernandes

Luciano Fernandes

Engenheiro e Analista de Sistemas, começou a escalar em 2001 e escalou no Brasil, Áustria, EUA, Espanha e Argentina. É totalmente dedicado ao esporte de escalada em rocha e é apaixonado em filmes Outdoor. Para aproveitar melhor esta paixão fez curso de documentário na Escola São Paulo, além dos cursos de “Linguagem Cinematográfica” e “Crítica de cinema”. Foi jurado do Rio Mountain Festival. Já viajou de mochilão pelo Brasil, EUA, Áustria, República Tcheca, República Eslovaca, Hungria, Eslovênia, Itália, Argentina, Espanha, Uruguai e Paraguai, Holanda, Alemanha e Canadá.

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