Entrevista com Benjamin “Kombi Life”

Imagine estar na estrada durante mais de 2.693 dias, podendo estar em vários lugares do mundo. Podendo conhecer novas pessoas, colecionar histórias interessantes e, acima de tudo, ter um crescimento pessoal gigantesco.

Parece a vida dos sonhos de muitos mochileiros e pessoas que prezam muito mais seus dias de viagens que seus dias de trabalho.

O britânico Benjamin idealizou viver na estrada, sem endereço fixo, a não ser a certeza de que está em algum lugar no planeta Terra conhecendo algo novo e inimaginável.

Benjamin viajou para o sul do Chile com um sonho relativamente simples : Comprar uma Kombi e com a ajuda de doações realizadas por meio da internet, realizar uma websérie de sua viagem desde o extremo sul da América, e chegar ao topo do continente.

Foto : Arquivo Pessoal Benjamin

Foto : Arquivo Pessoal Benjamin

Uma viagem que não tinha um data definida para terminar, nem um percurso definido, a não ser viajar e conhecer, de fato, o mundo.

Porém, como noticiado aqui na Revista Blog de Escalada, uma decisão estapafúrdia da imigração americana fez com que Benjamin , ao sair do Canadá e adentrar o Alasca fosse barrado.

Por que estapafúrdia ? Se Ben realmente fosse uma ameaça aos EUA, e suas leis de imigração, como conseguiu entrar pela Califórnia legalmente, sair dentro da lei pelo norte do país ao Canadá ?

Enquanto tenta resolver este imbróglio com a imigração americana, Benjamim está lançando um livro no qual conta todas as suas aventuras, e distribuído de forma gratuita.

Fomos conversar com este viajante profissional e saber mais detalhes e conselhos que poderia dar a alguém que tem vontade de fazer a mesma aventura.

Foto : Arquivo Benjamin

Foto : Arquivo Benjamin

Ben, por que você escolheu viver na estrada, conhecendo um monte de lugares longe de sua casa ?

Eu acho que é estranho a noção de viver a sua vida em um lugar, aceitar que aquele lugar que você nasceu é o melhor lugar que o mundo pode te oferecer.

Eu nasci em uma ilha bem pequena na Europa (chamada Jersey) e talvez é por isso que me senti tão curioso sobre o mundo.

Entretanto eu sinto que é importante pelo menos ver o mundo o máximo que eu puder, então saberei seguramente onde eu serei mais feliz.

Foto : Arquivo Pessoal Benjamin

Foto : Arquivo Pessoal Benjamin

Se você pudesse fazer uma lista, o que você mais aprendeu na sua vida de viajante ?

Viajar é a universidade da vida. A oportunidade de aprender é limitada apenas pela sua imaginação. Então seria uma lista bem longa, mas eu posso compartilhar com você duas lições que aprendi :

Primeiro, as pessoas são essencialmente as mesmas. As mesmas coisas são importantes para nós, não importando seu passado, idade, raça ou religião : somos essencialmente os mesmos. É da natureza humana ficar com medo do que não compreendemos : a próxima cidade, os países vizinhos.

As pessoas tem medo do desconhecido. Eu tenho também e é por isso que eu enfrentei meus medos para entender o mundo melhor e crescer como humano.

Foto : Arquivo Pessoal Benjamin

Foto : Arquivo Pessoal Benjamin

Segundo, estamos bem confusos a respeito do termo “sucesso”. Sucesso não é medir sua riqueza, ou posição social. Sucesso pode ser medido apenas em felicidade.

A pessoa mais bem sucedida do planeta é aquela que tem a vida equilibrada e suas prioridades definidas.

Para 99% das pessoas eu acredito que é sobre construir conexões pessoais com as pessoas próximas a você.

Sua websérie é um dos maiores hits no youtube, você pensou que era possível ter esta popularidade ?

Popularidade é um termo interessante. Quando as pessoas primeiro descobrem que sou um youtuber, eu já tenho a primeira pergunta : “quantos seguidores você tem no seu canal” ?.

Considerando que eu produzo vídeos em uma Kombi e em lugares remotos, e que comecei o canal pedindo emprestado uma câmera e laptop, além de nunca ter editado um vídeo antes, fico surpreso e feliz que tenho quase 50.000 pessoas que assinam o Kombi Life.

Foto : Arquivo Pessoal Benjamin

Foto : Arquivo Pessoal Benjamin

Entretanto vivemos em um mundo onde a popularidade e sucesso em mídia social é medida em “likes”.

Eu tento não ser sugado para este mundo, e meço o sucesso de meu canal pelo número de pessoas que eu inspirei, que é o que me leva a continuar compartilhando nossas aventuras no Youtube.

Em um de seus últimos vídeos você descreveu que teve problemas ao tentar entrar novamente nos EUA. Poderia explicar o porque você cruzou o país, e logo após isso não conseguir entrar no Alasca?

Depois de 4 anos, 80.000 quilômetros e 10 reconstruções de motor eu finalmente cheguei ao Alasca.

A celebração teve vida curda como a minha caixa de câmbio (que morreu imediatamente) que precisei instalar uma nova para terminar os últimos 1.600 km até o top da estrada Pan-americana (PanAmerican Highway)

Tive de esperar até o inverno passar no Alasca para fazer o reparo na kombi e terminar a viagem.

Então fui até a embaixada dos EUA em Londres para pedir mais 6 meses de visto para turista, para então retornar e terminar a viagem no verão de 2016.

Foto : Arquivo Pessoal Benjamin

Foto : Arquivo Pessoal Benjamin

A embaixada negou meu vista dizendo que eu não estava autorizado a voltar porque tinha de provar os compromissos como trabalho, residência e carro, fora dos EUA.

Por isso eles acreditavam que eu estaria tentando entrar como imigrante ilegal.

Resumindo : tive de efetivamente quebrar os vínculos com o meu país porque eu estaria fora viajando por 4 anos nesta jornada. Agora eles dizem que eu tenho de ter um trabalho, casa e carro, além de viver na Europa por um tempo até que eu possa continuar…

Eu estou a apenas 1.600 km de terminar a jornada.

Quantas pessoas estão ajudando você a terminar o seu projeto ?

Pessoas por todos EUA tem escrito para o governo do país para que considere minha situação.

Uma escola de direito na Florida pegou o meu caso, e está apelando à embaixada para revisar o meu caso.

A resposta tem sido incrível, mas ainda não estou autorizado a terminar minha viagem.

Foto : Arquivo Pessoal Benjamin

Foto : Arquivo Pessoal Benjamin

Depois de resolver este problema com os EUA, você pensa em realizar alguma outra grande viagem?

Eu ainda tenho bastante apetite por aventura, seguramente eu vou continuar explorando e compartilhando nossas aventuras com o mundo.

Para o próximo projeto estou planejando ir até a Índia. Será algo com velejar e viajar de moto no futuro.

Foto : Arquivo Pessoal Benjamin

Foto : Arquivo Pessoal Benjamin

Você escolheu sair do Chile e ir até o Alasca. Por que escolheu não visitar o Brasil ?

Eu sempre quis viajar para o Brasil para a minha lua de mel. Então eu aformo que é um lugar especial para um momento especial no futuro.

Eu já fui muito empolgado para visitar o Brasil por uns 10 anos.

Um dia vai acontecer e este pensamento já me faz sorrir.

Foto : Arquivo Pessoal Benjamin

Foto : Arquivo Pessoal Benjamin

Sobre o Autor

Luciano Fernandes

Luciano Fernandes

Engenheiro e Analista de Sistemas, começou a escalar em 2001 e escalou no Brasil, Áustria, EUA, Espanha e Argentina. É totalmente dedicado ao esporte de escalada em rocha e é apaixonado em filmes Outdoor. Para aproveitar melhor esta paixão fez curso de documentário na Escola São Paulo, além dos cursos de “Linguagem Cinematográfica” e “Crítica de cinema”. Foi jurado do Rio Mountain Festival. Já viajou de mochilão pelo Brasil, EUA, Áustria, República Tcheca, República Eslovaca, Hungria, Eslovênia, Itália, Argentina, Espanha, Uruguai e Paraguai, Holanda, Alemanha e Canadá.

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