Entrevista com Andrea Cartas

Apesar de pouco conhecida do público brasileiro, a espanhola Andrea Cartas é reconhecidamente uma das maiores escaladoras de seu país. Em toda Espanha é uma das pessoas mais respeitáveis quando o assunto era competições de escalada esportiva. Seus melhores resultados foram em 2008 e 2009 quando venceu duas vezes seguidas a Copa de España de Dificultad além de ter vencido o Campeonato de España em 2009.

Atualmente as competições não ocupam todo o tempo de Andrea Cartas, Pelo menos não como competidora, mas sim com o Centro de Tecnificación en Escalada de Madrid. A escaladora espanhola atualmente está a serviço de formar e treinar os escaladores mais jovens para criar a futura geração de atletas. Além disso Cartas se dedica a escalar em rocha, notabilizando vários encadenamentos de vias de alta dificuldade.

Sem sombra de dúvida Andrea Cartas é verdadeiramente uma escaladora de alto nível. Dentre o seu currículo de escaladora em rocha, a qual é declaradamente apaixonada pelas chorreras, é presença constante em Rodellar onde espanhola já encadenou vias como “Der fan tutte” 8c/8c+ francês (11a/11b brasileiro).

A Revista Blog de Escalada procurou Andrea Cartas para uma conversa rápida e mostrar um pouco da psiquê de uma das maiores escaladoras da Espanha.

Foto: Carlos Padilla

Andrea, você é escaladora e mora na Espanha. O país é o melhor lugar para um(a) escalador(a) viver?

Depende para que. Si faz boulder, talvez os melhores lugares estejam em outros países, mas para a escalada esportiva de alta dificuldade acredito que no momento é dos melhores.

Existem muitíssimas vias para experimentar, de todos os estilos e relativamente perto.

Você foi reconhecida como a mulher esportista do ano de 2018. Como se sentiu coom este reconhecimento?

Foi uma surpresa total, porque agora estou focada nos atletas que treino consigam este tipo de coisa, mas não eu (hehehehe). É certo que 2017 foi um dos meus melhores anos esportivos, mas não planejei isso.

Simplesmente fluiu a energia para que as vias que escolhi fossem apropriadas e a motivação que me acompanhou suficientemente grande para conseguir encadenar todos meus projeto. Foi um ano estupendo!

Atualmente você tem 35 anos e encadenou algumas vias de 8c+ francês (11b brasieiro). Os escaladores são como vinhos e ficam melhores com o tempo?

Bem, acabo de completar 36, assim que… hehehehe, suponho e espero que seja assim. É verdade que treinei muito durante toda minha vida esportiva e me conheço muito bem. Sei potenciar para conseguir um objetivo, sei o que me sai bem e o que me sai mal.

Conheço meu corpo e como trata-lo para que obedeça minhas ordens. Isso não é fácil quando tem 22 anos de idade ainda que esteja no auge de sua força, ainda hoje em dia, com os treinadores, internet, ginásios de escalada e todos os meios que existem, é bastante mais simples.

A rocha de todas as maneiras é outro jogo e a idade não é tão importante.

Foto: Carlos Padilla

Você poderia explicar em poucas palavras o que é o PROTES?

PROTES é o Programa de Tecnificacion de Escalada de Madrid que administro já faz sete anos, com 20 crianças entre 10 e 18 anos.

Na última copa do mundo de escalada (realizada na Suíça) a Espanha não tinha muitos escaladores entre os 20 melhores. Saberia explicar o por quê?

Existem vários fatores. As novas gerações (os que tem em torno de 14 a 15 anos agora) chegarão ao pódio seguramente, mas é necessário fornecer muito mais meios em forma de trabalho de equipe, facilidades econômicas, instalações adequadas e motivá-los.

É verdade que a rocha tira muito, mas a chave é ter uma base muito ampla para que exista meninos(as) que escolham a competição em relação à escalada em rocha mesmo que sejam alguns pouco anos.

É um trabalho lento que nunca foi feito, mas como faz pouco tempo que está sendo feito, passo a passo, ajudado pela escalada olímpica, esperamos que a evolução não pare se queremos ter resultados.

Foto: Javi Pec

Se puder escolher cinco lugares para escalar em Espanha, quais seriam? E por que?

Andalucia é o primeiro, pela sua rocha de alta qualidade, quantidade de locais e setores tranquilos

Oliana eu gosto porque me saio muito bem, pura continuidade, mas está muito saturado de pessoas e a rocha está começando a ficar polida.

Rodellar, porque adoro as chorreras. É um lugar incrível com o rio e cada vez encontro novas joias para escalar.

Margalef pela originalidade dos buragos e porque é um lugar precioso

O Barranco del Fin del Mundo, porque não me saio bem e me ensina boas lições de humildade.

Foto: Carlos Padilla

A última pergunta é muito clichê, mas… Possui algum plano de vir escalar por América do Sul? Onde?

Eu adoraria conhecer a América do Sul: México, Brasil, Chile… Mas é muito longe e muito caro! heheh

Se eu pudessse viver somente escalando seguramene que iria, mas trabalho constantemente e não tenho férias longas… Mas algum dia!

Foto: Carlos Padilla

Engenheiro e Analista de Sistemas, começou a escalar em 2001 e escalou no Brasil, Áustria, EUA, Espanha, Argentina e Chile. Foi jurado do Rio Mountain Festival e já viajou de mochilão pelo Brasil, EUA, Áustria, República Tcheca, República Eslovaca, Hungria, Eslovênia, Itália, Argentina, Chile, Espanha, Uruguai, Paraguai, Holanda, Alemanha e Canadá. Realizou o Caminho de Santiago, percorrendo seus 777 km em 28 dias.

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