Entendendo a proeminência topográfica das montanhas – Você sabe o que é?

Alguns conceitos de montanhismo são conceitos diretos de algumas ciências como topografia, orografia, geografia e outros tipos de disciplinas. Estas áreas de estudos são responsáveis por analisar a superfície terrestre de diversas maneiras.

  • Topografia – O nome topografia tem origem na junção de duas palavras gregas : topos (“lugar”) e grapho (“descrever”). A topografia é a ciência que estuda todos os acidentes geográficos, definindo a sua situação e localização no planeta.
  • Orografia – Orografia é o estudo das nuances do relevo de alguma região.
  • Geografia  – Geografia  é a ciência que estuda o conjunto de fenômenos naturais e humanos, os quais são aspectos da superfície do planeta. Em linhas gerais a geografia estuda a superfície terrestre.

Foto : http://www.rangewestinc.com/

Como as montanhas são estudadas constante destas ciências, não há como analisar montanhas sem utilizar qualquer nomenclatura técnica delas. No caso de estudo de montanhas os conceitos mais importantes que existe são o de altura e proeminência. Grande parte dos meios de comunicação existentes no mundo exalta, com adjetivos superlativos muitas vezes, as alturas das montanhas mas esquecem, de maneira equivocada, a relevância da proeminência de uma montanha. Isso porque a proeminência é um dado tão ou mais relevante que a altitude para determinar a importância de um pico. Isso porque é uma medida com relação intrínseca com o significado subjetivo de uma montanha.

Antes de esclarecer este conceito é necessário uma pequena observação com relação ao conteúdo do texto. Este artigo tem o objetivo de esclarecer o que é proeminência de uma montanha e explicar porque é tão importante saber este conceito. Obviamente que neste artigo alguns aprofundamentos científicos não serão abordados, para não deixar a leitura maçante ao público em geral. Para aprofundamento científico e acadêmico há toda a literatura existente em cursos universitários de Geografia.

Proeminência

Vista do Sairecabur – https://www.denomades.com

A proeminência de uma montanha (do cume da montanha principal de um maciço) é o desnível entre o cume e a mais baixa curva de nível que o inclua e a nenhum outro ponto mais alto (uma montanha maior).

  • Proeminência = Altitude da montanha – Altitude do colo-chave

Portanto a proeminência nos dá a relevância com referência às montanhas que rodeiam um pico. Os picos de proeminência baixa costumam ser considerados subcumes de outros cumes principais. Desta maneira uma proeminência alta indica que uma montanha possui relevância perante os outros picos. Importante destacar desde já que “relevância de uma montanha” não tem nada a ver com dizer que um pico é “melhor” ou “pior” que outro.

O termo é usado para referências geográficas e não para designações subjetivas. Os picos de proeminência baixa costumam ser picos subsidiários (subcumes) de outros principais, e os de proeminência alta indicam que a relevância da montanha é elevada

Usando um exemplo grosseiro é como um edifício mais alto que os outros prédios que o rodeia. Desta maneira os últimos andares (o que seria equivalente ao cume) teria vista privilegiada de seu redor e seria o “referência”.

Um outro exemplo, agora utilizando o montanhismo os três cumes secundários do Kanchenjunga (todos acima de 8.000 metros) não estão na lista oficial das montanhas com mais de oito mil metros de altitude. O motivo alegado é que há entre a Kanchenjunga e seus picos “vizinhos” muito pouco desnível (ou seja, pouca proeminência). Desta maneira explicaria de maneira menos rebuscada porque o K2 ( 8.611 m e proeminência de 4.017 m) é considerado o segundo cume mais importante, à frente do cume sul do Monte Everest ( 8.749 m e proeminência 10 m).

Vista do Artesonraju

O cume principal de uma montanha é a referência para o cálculo da proeminência, consequentemente a relação inversa é denominada um subcume. No caso de um maciço, quando há diversos cumes de altitudes semelhantes, pode ser confuso o cálculo e a definição. Quanto mais mais complexo é o cálculo, maior a polêmica a respeito da relevância de um cume. Por isso alguns “criérios de desempates” foram adotados por órgãos governamentais, mas por motivos filosóficos ainda gera discussão e divergências entre a comunidade.

A maneira largamente utilizada para maciços (conjunto de montanhas muito próximas umas das outras) é ignorar a altura dos colos, medindo a proeminência desde a base. Tecnicamente falando um um maciço é a massa principal de uma montanha individual.

Como é medida

Durante muito tempo a altura das montanhas, assim como a proeminência, eram medidas através de técnicas de topografia. Hoje é largamente considerado como o método mais confiável de medir montanhas, altitudes e proeminências é o GPS Diferencial.

Este aparelho possui margem de erro inferior a 10 cm. Para se ter uma ideia da sua precisão, um aparelho de GPS convencional possui precisão de 10 metros.

O GPS diferencial (conhecido como DGPS) utiliza uma rede de esta rede de estações terrestres fixas que transmitem as diferenças entre as posições indicadas por satélites e essas posições fixas conhecidas. Sobre estas diferenças são efetuados cálculos e transmitidos sinais digitais para corrigir a posição final calculada.

Como interpretar uma proeminência

A medida de uma dificuldade passa pela proeminência de uma montanha.

Quando mais vertical for (baixa proeminência em relação a sua altura), a subida tende a ser mais difícil. Não necessariamente quer dizer que é certeza da dificuldade, pois este tipo de conceito demanda muito mais variáveis que somente a proeminência.

Sobre o Autor

Luciano Fernandes

Luciano Fernandes

Engenheiro e Analista de Sistemas, começou a escalar em 2001 e escalou no Brasil, Áustria, EUA, Espanha e Argentina. É totalmente dedicado ao esporte de escalada em rocha e é apaixonado em filmes Outdoor. Para aproveitar melhor esta paixão fez curso de documentário na Escola São Paulo, além dos cursos de “Linguagem Cinematográfica” e “Crítica de cinema”. Foi jurado do Rio Mountain Festival. Já viajou de mochilão pelo Brasil, EUA, Áustria, República Tcheca, República Eslovaca, Hungria, Eslovênia, Itália, Argentina, Espanha, Uruguai e Paraguai, Holanda, Alemanha e Canadá.

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