Divulgado vídeo completo da primeira descida de esqui desde o cume do K2 da história

Apesar dos meios de comunicação, em sua maioria leigos no assunto de montanhismo, frequentemente frisarem a escalada ao Everest, o verdadeiro desafio que deveria ser valorizado é o K2 (8.614 m). Conhecido como “montanha selvagem”, por causa da extrema dificuldade de subida, o K2 possui a terceira maior taxa de mortalidade entre as montanhas com mais de oito mil metros de altitude.

Neste ano de 2018 a montanha teve a maior taxa de ascensões bem-sucedidas da história, com mais de 60 escaladores conseguindo subir ao topo. O recorde anterior, que totalizava 51 ascensões, tinha sido somente estabelecido em 2004. Os dados foram coletados pelo jornalista americano Alan Arnette. Ao todo, foram bem-sucedidos montanhistas da Mongólia, China, Bélgica, Suíça, Polônia, México e Irlanda. De todos os montanhistas, cinco mulheres fizeram cume do K2.

O destaque ficou por conta do polonês Andrzej Bargiel, que além de realizar cume, fez a primeira descida do K2 em esqui. A façanha foi noticiada por agências de notícias em todo o mundo. Muitas, claro, ao traduzir cometeram os equívocos, como divulgar um vídeo teaser como o definitivo de sua descida.

Para que ficasse comprovado à cética e exigente comunidade de montanha, Bargiel divulgou no final da semana passada o vídeo de sua descida. Toda cobertura foi feita por drones em imagens que, seguramente, irão ser utilizadas por vários canais de YouTube.

O número o qual deve-se buscar é a taxa de fatalidades por quantidade de escaladores que subiram aquela montanha (excluindo os visitantes e trabalhadores do Campo Base conhecidos como sherpas). Preferencialmente, analisando as taxas ao longo dos anos. Estes números podem ser obtidos pelos números obtidos no Himalayan Database, que atualmente pode ser consultado por qualquer pessoa no mundo. Se ali está registrado algum cume, não há contestação no mundo que prove o contrário.

O K2 (8.611 m) é a segunda montanha mais alta do mundo e fica na fronteira da China e Paquistão. Ironicamente a segunda montanha mais alta do mundo também é a segunda mais mortal. Apesar de todos reverenciarem o incidente que culminou vários livros como o “No ar rarefeito / Into a thin air”, o pior acidente da história do montanhismo mundial em 2006, quando vitimou 11 montanhistas e ainda deixou outros 3 seriamente feridos.

Sua taxa de fatalidade por conjunto de escaladores é de 25%,o que ignifica, em termos práticos, que uma em cada quatro pessoas que tentam subir o K2 morrem.

There are 4 comments

  1. Marcelo Belo

    Boa tarde,

    A matéria contem algumas incorreções

    1- “excluindo os visitantes e trabalhadores do Campo Base conhecidos como sherpas”

    Designar os Sherpas como “Trabalhadores do Campo Base” é um grande equivoco . Os Sherpas são carregadores e guias de ALTITUDE. Muito poucos escaladores no Himalaia chegam ao cume sem algum auxilio (nem que seja na colocação das cordas fixas) dos Sherpas
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    2- “Sua taxa de fatalidade por conjunto de escaladores é de 25%,o que ignifica em termos práticos que uma em cada quatro pessoas que tentam subir o K2 morrem.”

    Errado. Essa conta é feita entre mortes x pessoas que conseguem chegar ao cume
    Então não é um a cada 4 que TENTAM, é 1 morto para 3 que efetivamente escalam a montanha
    Se a conta fosse feita considerando todos que tentam o percentual seria BEM abaixo desses 25%
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    3- “Apesar de todos reverenciarem o incidente que culminou vários livros como o “Touching the void”, o pior acidente da história do montanhismo mundial em 2008, quando vitimou 11 montanhistas e ainda deixou outros 3 seriamente feridos.”

    O Livro “Touching the Void”, traduzido para o português como Tocando o Vazio conta a história de 2 ingleses no Siula Grande (peru)
    O Livro que o autor da matéria deve ter se confundido é “Into the Thin Air” No ar Rarefeito, do Krakauer
    Não obstante…
    A Tragédia foi em 2006 e não em 2008
    E apesar do evento de 2006 ser um dos mais famosos casos e estar descrito em inúmeros livros no terremoto de 2015 morreram muito mais pessoas entre alpinistas e sherpas

    1. Luciano Fernandes

      Marcelo

      Os equívocos foram arrumadas, obrigado por apontar. Com exceção da estatística, que esta infelizmente você é que está equivocado. 25%, não importando o espaço amostral, significa sempre um em cada quatro… E este valor foi levado em conta o Himalayan Database. Ou seja, o espaço amostral é de todos que subiram

      Abs

      1. Marcelo Belo

        Boa tarde Luciano,
        A ideia é colaborar ;-)

        Mas continuo acreditando no meu entendimento (na verdade acho que estamos pensando a mesma coisa mas expressando de maneira diferente) ;-)

        O Himalayan Database só cataloga os cumes feitos, não as tentativas
        Confesso que mesmo tendo o nome lá catalogado nunca acessei as estatísticas

        Vamos à um exercício de imaginação
        Em 2020 100 pessoas chegam ao cume e outras 10 morrem tentando
        A conta é feita em um universo de 110 pessoas onde houve 10 mortes (ou seja, cerca de 9,5%)

        Porém, neste mesmo ano havia + 300 pessoas que tentaram escalar e não conseguiram (a taxa de insucesso no K2 também é MUITO grande)
        Estas NÃO entram nessa estatística ou a conta seria 410 pessoas e 10 mortes o que daria cerca de 2,5%, um número BEM diferente (1/4 do outro)

        Você mesmo no texto em uma parta diz “O número o qual deve-se buscar é a taxa de fatalidades por quantidade de escaladores que subiram aquela montanha”
        Ou seja, o nº de fatalidade por cumes.

        Mas no ultimo parágrafo escreve “uma em cada quatro pessoas que tentam subir o K2 morrem” Aí, no meu entediamento estaria contando todos os que tentaram e é essa parte que não concordo

        Mas Ok, no stress !

        1. Luciano Fernandes

          Oi Marcelo

          A questão de “tentar” a subir a montanha e morrer no meio do caminho, já é estatísticas de quem sobe a montanha. Esta, ao menos, foi a interpretação que muitos usam para este número. Como eu afirmei, a estatística para esta mortalidade levou em conta um espaço amostral maior que apenas em um ano. Por isso o numero é assuntador para muitos. Ter uma taxa destas, entretanto, não é a certeza de que vai acontecer. Assim como em um jogo de futebol, que um time tem 75% de título, não quer dizer que está garantido, o mesmo acontece no montanhismo. Este ano mesmo, por exemplo, teve uma janela de tempo tão excelente que quebrou os recordes de ascensão, sem nenhuma morte.

          Abs

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