Crítica do filme “Road from Karakol”

the-road-from-karakol-screenshot2[1]Produções de expedições que são filmadas com uma câmera somente não são propriamente uma novidade em filmes outdoor.

Muitas produções de qualidade foram feitas usando a técnica da pessoa virar a câmera, apontar a si mesmo  e produzir o material que será apresentado no decorrer do filme.

A mesma técnica é usada por alguns repórteres na televisão. Featured_5PointBestFest2-940x530[1]

A ciclista Renata Falzoni foi uma das precursoras deste tipo de novidade técnica, porém somente na televisão.

O interesse por desafios inusitados em lugares que nunca estão nas revistas outdoor “popularescas” e que estão em iminente fechamento) sempre são atração para público sempre hávido por novidades.

rest-with-a-view-karakol-lake[1]Com todos estes ingredientes à mão o escalador Kyle Dempster abraçou a idéia “maluca” de ir até Quirguistão, percorrer o país de bicicleta e escalar nas montanhas lindíssimas que existem no país.

O Quirguistão é uma república da Ásia Central e ex-integrante da antiga União Soviética.

Com todos estes dificilmentes dificilmente deixaria de ser uma obra interessante de assistir

Dempster com seu carisma , aliado a um trabalho de pós produção impecável, elevou sua produção a um degrau acima do que um filme outdoor tem ambição de ser.

O filme começa com uma cena bem inusitada, e que faz parte de seu trailer: Kyle Dempster totalmente nu apenas abraçado a sua bagagem e planejando atravessar um rio de forte  correnteza explicando o porque daquilo tudo.

A partir daí seguem as memórias gravadas por Kyle nas situações mais inusitadas possíveis.20110807_DEM_HX9V_01269[1]

Por inusitadas entenda: cenas com o protagonista completamente embriagado com vodka e explicando o porque do porre.

Conduzindo todas as cenas com bom humor e simpatia  a produção envolve o espectador com facilidade.

Com a identificação do espectador o ápice da produção  fica ainda mais carregada de emoção e cumplicidade.

Um detalhe: todas imagens do filme foram captadas por uma GoPro, jogando por terra todos que road-to-karakol3[1]acreditam que seja difícil a execução de um filme de qualidade com este material (incluindo a mim nesta preconceito)

Com tantas qualidades é fácil concluir ao final que o filme é envolvente por seu roteiro muito bem conduzido e por uma edição primorosa e inovadora.

Demonstrando com maestria que não necessariamente um feito heróico como uma cadena de grau alto, ou campeonato mundial conquistado são assuntos determinantes para um filme ser considerado bom.0[1]

Um bom filme outdoor se baseia em sua história, e não em cenas aleatórias.

Por isso ‘Road from karakol” se destaca dentre produções outdoor, pois documenta com documentado com qualidade e harmonia.

O conjunto disso tudo é uma história cativante e bem contada com imagens de qualidade mediana  mas que passam despercebidas por causa da força e qualidade do roteiro.

“Road from Karakol” é sem dúvida nenhuma um filme que pode (e deve) ser visto e revisto por muitas “tribos” de esportes de aventura, porque agrega em todas suas imagens os melhores sentimentos vivenciados em desafios outdoor.

Kyle Dempster fez o filme com o mínimo de recursos possível  mas provou elegantemente que com roteiro e edição de primeira qualidade produções de orçamento humilde podem tornar-se obras de qualidade indiscutível.

Dempster realizou não somente um filme, criou uma obra que deve servir de referência a todos.

Nota do Blog de Escalada

Engenheiro e Analista de Sistemas, começou a escalar em 2001 e escalou no Brasil, Áustria, EUA, Espanha, Argentina e Chile. Foi jurado do Rio Mountain Festival e já viajou de mochilão pelo Brasil, EUA, Áustria, República Tcheca, República Eslovaca, Hungria, Eslovênia, Itália, Argentina, Chile, Espanha, Uruguai, Paraguai, Holanda, Alemanha e Canadá. Realizou o Caminho de Santiago, percorrendo seus 777 km em 28 dias.

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