Crítica do filme “When Limestone calls”

When-Limestone-calls-1Um cineasta uma vez declarou que existem três filmes que são realizados em uma produção: o que se imagina no momento de fazer o roteiro, o que está naturalmente acontecendo na filmagem e, finalmente, o resultado final após a edição.

Quanto mais estes três filmes e parecerem, melhor tende a ser o resultado final.

Mas na prática a teoria é outra, e isso é facilmente visto em filmes e webséries divulgadas na internet, nos quais, em sua grande maioria, não possuem sequer um roteiro definido.

Neste conceito, aparentemente, há um grande volume de imagens captadas (muitas a esmo e sem critério ou qualidade) e que por alguma razão acabou passando por uma edição até tornar-se um resultado final.

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Muito bem intencionado, os produtores de “When Limestone Calls” procuraram realizar um filme que pudesse mostrar a escalada em paredes de calcário na África do Sul.

Para a viagem cada personagem planejou a viagem e os gastos de maneira criteriosa, além de treinarem havidamente para que tirassem o máximo de proveito do lugar.

Assim os vários dias gastos pelo grupo durante a sua viagem são documentados em ordem cronológica, que mostra não somente a escalada de cada um, como também o ambiente de camping e os dias de descanso.

Com pouco mais de 50 minutos, o filme chega próximo de sua metade repetindo muitas cenas de escalada na mesma via, além de detalhar muito pouco a preparação de cada um para a via.

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Não é preciso uma análise profunda para perceber que o filme inicialmente não possuía um roteiro determinado, e se o possuía foi escrito de maneira superficial.

Mesmo sendo cada tomada devidamente bem executada, assim como a narração de cada personagem do filme ter bom som, o filme deixa a desejar no mais importante de uma produção: Contar uma história.

Sair filmando a esmo sem roteiro ou lógica é erro comum de webséries amadoras, e a internet está cheio de exemplos sendo publicado todos os dias. Somente por alguém trabalhar na edição de algum programa de TV, ou produtora de vídeos de publicidade, não necessariamente a faz apta a criar algo de qualidade.

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Chama atenção também no “When Limestone Calls” que há uma qualidade que o faz superior às citadas webséries amadoras feitas por quem acha que entende de vídeos, mas ainda assim deixa a desejar no quesito básico, e fundamental, de qualquer vídeo ou filme: roteiro e edição com desapego de imagens.

Longas cenas de escalada, assim como várias outras de convívio com os amigos, poderiam facilmente terem sido editadas e resultaria em um filme mais enxuto, e menos arrastado pela quantidade de cenas de escalada idênticas.

A produção “When Limestone Calls” é, em resumo, superior a vídeos de webséries, mais ainda está aquém de poder se destacar dentro o mondante de produtores que tiveram uma preocupação mais forte com a história em si.

Nota Revista Blog de Escalada: 

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Formado em Engenharia Civil e Ciências da Computação, começou a escalar em 2001 e escalou no Brasil, Áustria, EUA, Espanha, Argentina e Chile. Foi jurado do Rio Mountain Festival e já viajou de mochilão pelo Brasil, EUA, Áustria, República Tcheca, República Eslovaca, Hungria, Eslovênia, Itália, Argentina, Chile, Espanha, Uruguai, Paraguai, Holanda, Alemanha e Canadá. Realizou o Caminho de Santiago, percorrendo seus 777 km em 28 dias.

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