Critica do Filme “Valley Uprising”

valley-uprising-cartazTido por muitas pessoas, o filme “Dogtown and Z Boys” é um documentário que disseca o surgimento do movimento skatista no estado da Califórnia.

Nele é documentado de forma cronológica o surgimento de nomes e marcas que até hoje permanecem no skate.

Fosse definir o filme “Valley Uprising” seria exatamente esta uma definição mais simplista possível da produção da Sender Filmes, e direção de Peter Mortimer, Nick Rosen e Zachary Barr, com relação à escalada no Parque de Yosemite.

Entretanto a produção é muito mais que um retrato, e funciona também como um conteúdo introdutório para que leigos entendam um pouco da psiquê e da cultura de escaladores, além de explicar de maneira bem didatica a evolução do esporte.

O filme “Valley Uprising” procura documentar a evolução da escalada, assim como a popularização do uso do parque de Yosemite por comunidade, estado, escaladores e turistas.

Desde o início o filme procura por meio de fotos, com interessante animação, construir uma linha do tempo na qual os maiores expoentes e líderes de grupos de escaladores que mais se destacaram.

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Histórias de lendas como Royal Robins e Warren Harding são destacadas, além de evidenciar as primeiras disputas envolvendo ética e estilo na escalada.

Com histórias divertidas e depoimentos inéditos de personalidades como Royal Robins, Yvon Chouinard( Fundador da marca Patagonia), Lynn Hill, John Bachar, Alex Honnold e Dean Potter entre outros, o filme diverte e informa ao mesmo tempo.

A produção chega a ser exuberante e impecável até pouco mais da metade.

Não é exagero afirmar que “Valley Uprising” até próximo ao final é entretenimento garantido a quem procura saber mais sobre como era a escalada nos anos 60 e 70, especialmente quando desenha a evolução do esporte, especialmente para quem quer saber mais sobre o surgimento do conceito de estilo “livre” entre outros dogmas e paradigmas do esporte.ValleyUprising-2

Entretanto a produção derrapa em mostrar em demasia personalidades que já foram documentadas excessivamente pela produtora no passado se comparado com a geração dos anos 70 e 80, como Lynn Hill, além de pouco destaque para a conquista da escaladora em sua ascensão ao “The Nose”.

Na linha cronológica os anos 70 e 80 possuem documentação e abordagem muito reduzida se a compararmos com o que foi mostrado nos anos predecessores e sucessores à esta época.

Entretanto vale observar que foi negligenciado ainda a história de John Muir, o grande responsável pelo Parque Nacional de Yosemite existir, tendo ele somente uma menção honrosa ao final.

A opção ao final do filme de realizar uma “menção honrosa” para outros escaladores de destaque, com imagens apenas, deixou no ar um certo tipo de tratamento diferenciado a estes como se fossem “menores” em expressão e importância.

Os pequenos “protestos” e alfinetadas a respeito dos rumos para o qual o parque caminhou, além dos atos de rebeldia tomam espaço maior do que a sua importância para o local, assim como a documentação de saltos em base jump, não foram esquecidos e foram retratados  apesar de certa parcialidade de opiniões.

No geral a história é documentada de maneira eficiente, conseguindo evidenciar ainda o desejo de desobediência civil de alguns escaladores com as regras do uso do Parque de Yosemite.

As filmagens de mascarados realizando base jump pareceram mais uma extensão desnecessária à história, e próximo ao final fica a escalada em segundo plano.

O filme “Valley Uprising” é um filme que já nasce um clássico, e sem dúvida um documento vivo, além de bonita homenagem ao local e às pessoas que fizeram história por lá.

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Pela riqueza histórica e seu detalhamento do passado nos primórdios da escalada em Yosemite o filme é irresistível, tendo apenas máculas pela maneira resumida com que abordou a geração de Lynn Hill e amigos.

O filme “Valley Uprising” poderia, entretanto, ser muito maior do que é, caso optasse em deixar os amigos e companheiros em destaque e focar na importância histórica de cada escalador relevante.

Nota Revista Blog de Escalada

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Engenheiro e Analista de Sistemas, começou a escalar em 2001 e escalou no Brasil, Áustria, EUA, Espanha e Argentina. É totalmente dedicado ao esporte de escalada em rocha e é apaixonado em filmes Outdoor. Para aproveitar melhor esta paixão fez curso de documentário na Escola São Paulo, além dos cursos de “Linguagem Cinematográfica” e “Crítica de cinema”. Foi jurado do Rio Mountain Festival. Já viajou de mochilão pelo Brasil, EUA, Áustria, República Tcheca, República Eslovaca, Hungria, Eslovênia, Itália, Argentina, Espanha, Uruguai e Paraguai, Holanda, Alemanha e Canadá.

There are 2 comments

  1. Felipe Malaquias

    Olá! Chamo-me Felipe Malaquias e gostaria de deixar aqui um parecer do ponto de vista de um leigo. Nunca pratiquei escalada, apesar da vontade, por falta de oportunidades. Gostaria de dizer que eu gostei bastante do documentário e achei muito informativo, como eu não tinha consciência de quase nada sobre o esporte, o filme me agradou muito e “ensinou” muito ao meu ver. Sei que comentou em sua postagem que precisava ter mostrado outros escaladores importantes e mostrar menos o que não era tão importante, vi seu currículo e sei que entende de cinema mas, aos meus olhos de leigo, o documentário simplesmente foi o máximo! Fiquei com tanta vontade de escalar que marquei uma viagem para os paredões mais próximos de minha cidade, o Parque da Vila Velha próximo à Ponta Grossa – PR. Achei seu artigo muito consistente e muito bem escrito, obrigado por compartilhar seu conhecimento! Até mais!

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