Crítica do filme “Transpatagônia”

transpatagonia-3Todo ser humano sente necessidade de ter um tempo para meditar sobre suas idéias, repensar conceitos e obter respostas de si mesmo quando se dispõe a realizar uma viagem solitária.

O ciclista Guilherme Cavallari possuía uma inquietude interna que o chamava para uma longa viagem de bicicleta pela Patagônia na qual, além do esforço físico, haveria certo isolamento da civilização.

Uma viagem que seguramente muda a vida de qualquer pessoa de decide realizá-la.

Cada pedaço da viagem feita por Cavallari com foi filmada pelo próprio personagem, lembrando muito uma outra produção que utilizou do mesmo estilo e recursos, o ótimo filme  “Road to Karakol“.

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Apesar de utilizar a mesma técnica, a temática e objetivos as produções são muito diferentes, já que “Transpatagônia” é uma viagem mais intimista que faz reflexões sobre a vida, e decisões que foram tomadas no decorrer dela.

O filme é muito mais que imagens bonitas de bela direção fotográfica, mas sim um relato visual de uma peregrinação que traz o espectador a ser testemunha do personagem.

Pelas limitações da câmera goPro, as imagens captadas estão longe de ser exuberantes mas possuem algo singular que faz toda a diferença: sensibilidade.

transpatagonia-7Todo o conjunto de imagens captadas pelo protagonista no decorrer da viagem tinha de ser organizado de uma maneira que não tornasse o filme maçante e menos atrativo para o público.

A tarefa de transformar tudo isso em uma produção, e um filme propriamente dito, com roteiro e uma história  para contar, ficou por conta da Fábula Filmes.

A produtora procurou desenvolver um roteiro encorpado baseado em narrações e declarações de Cavallari, mas mesmo assim optou por não realizar um roteiro não linear, no qual mostra fatos acontecidos em ordem não cronológica.

Apostaram que o detalhe principal que  marca a passagem do tempo era o tamanho da barba e cabelo do personagem, o que ajuda, e muito, a localizar-se na linha do tempo da história.

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A escolha de não seguir a linha de humor, procurando uma postura de serenidade diante da peregrinação mostrou-se correta, até mesmo pela proposta declarada no início, proporcionando um ar mais introspectivo até mesmo para o espectador.

Procurando utilizar uma trilha sonora não convencional, e assim sair dos clichês de aventureiros heroicos, o filme “Transpatagônia” consegue envolver o espectador até próximo do seu final, pois cria uma atmosfera sensorial interessante utilizando imagens e sons.

transpatagonia-5Entretanto por sempre existir histórias recorrentes, cenas muito parecidas, além de situações semelhantes em alguns momentos, o filme parece se alongar mais que o necessário.

Esta sensação torna-se mais forte próximo ao terço final do filme, quando parece existir uma certa “barriga” na produção.

Este leve alongamento também faz com que o final seja levemente previsível, não atingindo a plenitude de clima catártico que a produção propõe a construir desde o início.

Mesmo assim “Transpatagônia” funciona como um convite às pessoas a viajarem para encontrar elas mesmas, e não somente para exercitar o lado perdulário que existe em todos nós.

A produção consegue, portanto, ao menos despertar aquele sentimento de “também quero fazer isso”, e isso já o grande mérito do filme.

Nota Revista Blog de Escalada: 

O filme “Transpatagônia” foi exibido no Rio Mountain Festival 2014

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Formado em Engenharia Civil e Ciências da Computação, começou a escalar em 2001 e escalou no Brasil, Áustria, EUA, Espanha, Argentina e Chile. Foi jurado do Rio Mountain Festival e já viajou de mochilão pelo Brasil, EUA, Áustria, República Tcheca, República Eslovaca, Hungria, Eslovênia, Itália, Argentina, Chile, Espanha, Uruguai, Paraguai, Holanda, Alemanha e Canadá. Realizou o Caminho de Santiago, percorrendo seus 777 km em 28 dias.

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