Crítica do Filme “Tiny : A Story About Living Small”

tiny_capaDefinida como uma exagerada auto-estima das pessoas em  suas crenças e/ou poderes chegando até mesmo a ser delírios de seu próprio narcisismo, a megalomania pode ser refletida em várias filosofias de vida que alguns escolhem em torno destes mesmos devaneios da psiquê humana.

Este tipo de delírio pode ser “medido”, especialmente onde há um programa habitacional mais sério e difundido como nos EUA, pelo tamanho médio das casas e imóveis vendidos no país nos últimos 10 anos foi duplicado.

Muito deste desejo desenfreado de possuir grandes espaços para vivermos é difícil de definir, já que é da ambição de cada um viver em um lugar do tamanho que desejar.

Existe a diferença entre a necessidade, o luxo e o desnecessário em termos de tamanho de casas.

Muitas pessoas após uma crise pessoal (financeira ou sentimental) afirmam sem medo de errar que não precisam de muito para viver, nem para serem felizes.

Muito se define como felicidade a sensação de satisfação com o que temos ao redor, não com o tamanho ou valor das posses que possui.

Motivados por esta linha de pensamento, os produtores Merete Mueller e Christopher Smith resolveram produzir o auto-biográfico e reflexivo “Tiny : A Story Living Small”.

Casas no estilo “tiny” (estilo de casas com menos de 20m²) é um o movimento existente nos EUA sobre morar em casas menores e minimalistas com 11 m² em média.

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O filme começa do ponto que Christopher Smith compra um pedaço de terra em uma cidade do interior dos EUA de 20,000m² e acabou por comprometer boa parte de seu orçamento para pagá-la.

Com a ajuda da namorada Merete Mueller decide construir uma casa no estilo “tiny” desde o início mesmo sem possuir experiência em construção.

Para buscar idéias, e partilhar a experiência com os espectadores os produtores procuram pessoas que também construíram casas neste estilo, e vivem nestas casas pequenas e minimalistas.

Com várias declarações e documentação dos detalhes são narrados os objetivos, conclusões e o que pensam sobre o mercado imobiliário atual.

tiny_4Algumas destas pequenas casas são construídas sobre rodas, permitindo aos proprietários viver em várias localidades durante toda a sua vida.

Com uma premissa simples, o filme vai mostrando com eficiência que a duplicação área média das casas comercializadas nos EUA é uma megalomania imobiliária.

Convidando a refletir sobre a possibilidade de viver em lugares menores, com mais qualidade de vida, e, principalmente, menos objetos e eletro-eletrônicos pouco usados “Tiny : A Story About Living Small” é muito mais que uma produção simpática.

Após vários moradores de casas no estilo Tiny  refletirem sobre seus estilos de vida, o filme surpreende em seu final mostrando como ficou a vida do casal após a construção da casa.

Merete Mueller faz uma comparação surpreendente sobre a vida em pequenos apartamentos em Nova York que na verdade são menores que casas no estilo Tiny, e somente por esta reflexão vale a pena ser assistido.

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Mesmo não tendo pretensão de ser um filme para marcar época, ou se tornar cult, “Tiny : A Story About Living Small” é uma excelente reflexão a respeito do que necessitamos para viver em termos de posses imobiliárias e objetivos de vida.

De maneira simpática ensina ao espectador que para ser feliz não é necessário grandes casas e sim um lugar que nos abrigue e que possamos guardar o essencial.tiny_1

Um grande mérito da qualidade apresentada no filme está na ausência de qualquer tentativa de fazer pirotecnia com imagens, ângulos ou fotografia, optando pela simplicidade como a própria temática exigia.

Com um roteiro bem escrito, e um final fora do lugar comum “Tiny : A Story About Living Small” é muito mais que um relato de vivência pessoal, é também um chamado à reflexão sobre o que necessitamos para viver e o que pensamos necessitar.

Nota da Revista Blog de Escalada :  

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Sobre o Autor

Luciano Fernandes

Luciano Fernandes

Engenheiro e Analista de Sistemas, começou a escalar em 2001 e escalou no Brasil, Áustria, EUA, Espanha e Argentina. É totalmente dedicado ao esporte de escalada em rocha e é apaixonado em filmes Outdoor. Para aproveitar melhor esta paixão fez curso de documentário na Escola São Paulo, além dos cursos de “Linguagem Cinematográfica” e “Crítica de cinema”. Foi jurado do Rio Mountain Festival. Já viajou de mochilão pelo Brasil, EUA, Áustria, República Tcheca, República Eslovaca, Hungria, Eslovênia, Itália, Argentina, Espanha, Uruguai e Paraguai, Holanda, Alemanha e Canadá.

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