Crítica do filme “Sufferfest 2”

sufferfest-capaNa psiquê de cada pessoa que foi no estádio Mineirão em Belo Horizonte em 2014 certamente está a grande decepção com o que assistiu na fatídica partida da Copa do Mundo deste ano, quando a seleção brasileira foi massacrada pelo placar de 7×1.

Todos os “artistas” e ingredientes que atrairia o grande público estavam lá : jogadores de renome, técnico autoritário paparicado pela imprensa, comentaristas ufanistas, enfim um clima totalmente favorável para uma provável vitória do time da casa.

Porém por mais que estes ingredientes apontassem para uma vitória certa (ao menos na míope imprensa esportiva brasileira), o que se viu foram 11 indivíduos de camiseta amarela correndo de um lado a outro como galinhas sem cabeça e sem saber ao menos o que fazer.

Uma grande decepção generalizada, pois para o apreciador de futebol, comprou-se um produto e o que foi entregue foi exatamente outra coisa, e de uma qualidade inqualificável.

Este mesmo sentimento se aplica ao assistir a “Sufferfest 2”, filme produzido por Cedar Wright e Alex Honnold sobre uma viagem da dupla pelo interior dos EUA de bicicleta escalando em torres de arenito.

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Procurando adotar um tom mais despojado, menor formal e com ritmo acelerado, a produção mostra em seus pouco menos de 18 minutos um rápido resumo de uma viagem aparentemente descompromissada da dupla de escaladores.

O filme também tinha como objetivo mostrar que tando Honnold quando Wright adotam a filosofia “Nós sofremos, mas nós gostamos”.

Entretanto o que se viu no filme é uma tentativa desastrosa de fazer humor, e uma inabilidade assustadora de tentar construir uma história.

Aparentemente construído às pressas “Sufferfest 2” parece mais uma mostra de pequenos vídeos aleatórios de viagens ao ritmo do último filme de Mad Max, mas sem história e qualidade mostradas na produção hollywoodiana.

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Visivelmente sem roteiro, nem intenção de construir um enredo que fizesse o público se identificar, e se interessar, o produtor Cedar Wright esquece por muitas vezes no filme de capturar detalhes que possam dar o um ritmo de uma viagem feita de bicicleta.

Por diversos momentos o público parece estar vendo diversos capítulos de uma websérie uma colada à outra, por vezes utilizando pirotecnia de drones a esmo e sem agregar muito à história.

Caso o protutor Adam Sandler, autor de filmes hollywoodianos de gosto duvidosos e prestigiado por um público descerebrado, fizesse uma produção outdoor seguramente criaria algo do mesmo quilate que “Sufferfest”.

Por diversas vezes o  produtor parece acreditar que somente por participar Alex Honnold do filme o público se sentiria atraído e de haver uma história seria esquecida.

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As cenas de escalada são relativamente bem filmadas e editadas, mas como foram realizadas em ritmo de “full-on” o público acaba por não apreciar nem o lugar, muito menos o processo de subida.

Ao final é evidente que Cedar Wright repete os mesmos erros primários de seu fraco “Pra Caramba”, porém desta vez apostando todas as fichas no prestígio de Alex Honnold, acrecido da “ousadia” de não liberá-lo ao público gratuitamente e sim cobrando um preço salgado do público até mesmo para o aluguel do mesmo.

Não fosse por sua nítida amizade com revistas de escalada, e alguns sites menores nos EUA, “Sufferfest” teria passado despercebido pelo público tamanha a sua irrelevância e baixa profundidade.

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A produção possui um ar daquela redação clichê que professores primários pedem a seus alunos após as férias para que elas a as descrevam do que um filme propriamente dito.

Algumas piadas internas da dupla, assim como acontecimentos e cenas pós créditos são totalmente dispensáveis.

“Sufferfest” é um filme esquecível e, em alguns momentos, constrangedor para quem o assiste e para quem o realiza.

Nota Revista Blog de Escalada :

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Sobre o Autor

Luciano Fernandes

Luciano Fernandes

Engenheiro e Analista de Sistemas, começou a escalar em 2001 e escalou no Brasil, Áustria, EUA, Espanha e Argentina. É totalmente dedicado ao esporte de escalada em rocha e é apaixonado em filmes Outdoor. Para aproveitar melhor esta paixão fez curso de documentário na Escola São Paulo, além dos cursos de “Linguagem Cinematográfica” e “Crítica de cinema”. Foi jurado do Rio Mountain Festival. Já viajou de mochilão pelo Brasil, EUA, Áustria, República Tcheca, República Eslovaca, Hungria, Eslovênia, Itália, Argentina, Espanha, Uruguai e Paraguai, Holanda, Alemanha e Canadá.

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