Crítica do filme “Raices Araucania”

Após o sucesso de “Encombialsur” e da websérie “Abriendo Caminos” os produtores da marca chilena Haka Honu lançaram um ambicioso curta de pouco menos de 10 minutos “Raices Araucania”.

Neste curta, os produtores procuraram seguir a mesma ideia de “Abriendo Caminos” de apresentar um lugar de escalada além de tentar utilizar o mesmo ambiente de road trip de “Encombialsur”.Raices-Araucania-6

“Raices Araucania” procura mostrar um local de escalada em rocha em basalto, o qual possui as famosas colunas que fascinam escaladores de todo o mundo, e ilustrar a simplicidade dos habitantes que vivem próximo a estes lugares.

Documentando lugares de bonita paisagem, escaladas desafiadoras e declarações em dialetos e perguntas pueris aos habitantes, o roteiro mostra-se sem nexo e parece ter sido encurtado às pressas.

Não é preciso muito tempo para o expectador perceber que elementos que soldariam cada parte da história são fracos, e até inexistentes, e o que se vê então é uma sucessão de imagens e músicas ao fundo.

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Este descompromisso, ou despreocupação, com uma história central que justificasse os motivos que levaram os escaladores até o local, assim como a localização (por meio de mapas e gráficos), foram deixadas de lado.

Por este motivo o filme se assemelha muito a um videoclipe da música colocada ao fundo.

Raices-Araucania-4O resultado final é um vídeo grande demais para a internet (10 minutos para web é uma eternidade) e pequeno demais para exibição em festivais e salas de cinema, pois mesmo sendo curto arrasta-se por não ter uma história.

Há de se destacar o amadurecimento na captação de imagens e na direção de fotografia dos produtores de Haka Honu em relação as seus trabalhos anteriores.

Mesmo ainda necessitando ajustes de contraste e cor, as tomadas das cenas de escalada e caminhada na mata merecem destaque.

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Porém a qualidade das imagens não salva a falta de roteiro, e certa despreocupação em contar uma história, e assim “Raices Araucania” deixa a sensação de ser uma obra muito aquém do que já foi realizado pela produtora.

Fosse mais preocupado com qualidade de roteiro, o filme poderia ter mais alcance e despertar mais interesse sobre o que queriam documentar.

Nota Revista Blog de Escalada:

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Formado em Engenharia Civil e Ciências da Computação, começou a escalar em 2001 e escalou no Brasil, Áustria, EUA, Espanha, Argentina e Chile. Foi jurado do Rio Mountain Festival e já viajou de mochilão pelo Brasil, EUA, Áustria, República Tcheca, República Eslovaca, Hungria, Eslovênia, Itália, Argentina, Chile, Espanha, Uruguai, Paraguai, Holanda, Alemanha e Canadá. Realizou o Caminho de Santiago, percorrendo seus 777 km em 28 dias.

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