Crítica do filme “Pantani – The acidental death of a cyclist”

marco-pantani-filme-1Quem gosta de acompanhar esportes, não importando a modalidade, sem dúvida um dos maiores prazeres que existe é observar o surgimento de um grande atleta.

Quem acompanhou ícones surgirem, e se firmarem, como Pelé, Maradona, Michael Jordan, Mark Spitz, Michael Phelps, Mike Tyson, entre muitos outros, lembra com brilho nos olhos de como foi ser testemunha ocular de seu surgimento.

São poucos os que alcançaram o patamar de serem mitos e até mesmo parâmetro de perfeição dentro do esporte.

Uma destas pessoas era Marco Pantani, um forte ciclista especializado por “escalar” com sua bicicleta montanhas na Europa e pulverizar marcas nas duas mais tradicionais corridas europeias “Tour de France” e “Giro d’Italia”, tornando-se um fenômeno instantâneo.

Porém a carreira do italiano acabou marcada por superações, tragédias e pela sua morte prematura, já em decadência, em 2004, em decorrência de uma overdose de cocaína.

Procurando traçar os motivos que levaram ao promissor ciclista ainda em atividade a utilizar drogas e jogar sua carreira no lixo, o diretor James Erskine realizou o filme “Pantani – The acidental death of a cyclist” para não somente homenagear mas também refletir sobre vários aspectos da vida de um atleta de elite.

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Traçando a carreira do ciclista italiano desde o início, o filme é rico em imagens de cada etapa da vida do ciclista e consegue construir um retrato fiel da pressão e ganância que envolve os bastidores dos circuitos de corridas na Europa.

Por optar a usar uma linguagem mais perto dos fãs do ciclismo, Erskine também consegue adotar um ritmo quase ininterrupto para contar a trajetória e decadência do atleta, sem apresentar nenhuma “barriga” no seu roteiro.

Com uma edição dinâmica, utilizando recursos pouco usados em documentários, como divisão de telas, o diretor consegue traçar uma linha contínua na vida de Marco Pantani.

Para quem não conhecia nada sobre o ciclista, até a metade é muito difícil que não se empolgue com os feitos do atleta, incluindo uma superação de fratura exposta que quase o tirou do ciclismo.

Inegavelmente o espectador sinta-se desolado a partir da metade ao acompanhar Pantani a optar por drogas e acreditar menos em seu potencial.

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Considerado pelos especialistas de ciclismo como um atleta de físico ideal para provas de subida (1,74m mas com 57kg) Marco Pantani foi por muito tempo considerado imbatível, e elevado a astro nacional do ciclismo italiano.

Ao construir este retrato, o diretor consegue habilmente deixar o expectador atônito com todas as revelações que explicam, mas ainda assim não justificam, as opções feitas pelo ciclista.

O diretor deixa claro que todas foram opções do ciclista, e não imposição de nenhuma outra pessoa.

Importante levantar que o filme em nenhum momento tenta ser sentimental, ou apelar para a dramaticidade.

Muitos dos relatos são até mesmo cruéis com os fãs, e até mesmo com a história de Pantani, mas colaboram para que a reflexão sobre o acontecido seja quase obrigatória.

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Mesmo falando de um ciclista que optou utilizar drogas e por isso entrar em decadência, não há julgamento moral, nem criminalização de doping, e sim um testemunho aparentemente imparcial sobre uma pessoa que em teoria teria um futuro brilhante mas fez escolhas erradas.

Trilhando o caminho de uma razoável neutralidade, mas procurando propositalmente emocionar o público e ao mesmo tempo homenagear o ciclista, James Erskine realiza um filme obrigatório para quem gosta de esportes em geral, não somente ciclismo, além de trazer para o centro do debate o impacto das más escolhas que fazemos.

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“Pantani – The acidental death of a cyclist” é uma produção destinada à pessoas que se encontram pressionadas no trabalho, adolescentes em formação de caráter, e a quem está optando por jogar as infinitas possibilidades da vida na privada por algo de pouco valor.

O filme transcende assim não somente ser um retrato da vida de Marco Pantani, mas também do que pode ser a vida de alguém que não soube realizar as escolhas ideais para a própria vida

Nota Blog de Escalada:

O filme “Pantani – The acidental death of a cyclist” está disponível para visualização no Netflix

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Engenheiro e Analista de Sistemas, começou a escalar em 2001 e escalou no Brasil, Áustria, EUA, Espanha e Argentina. É totalmente dedicado ao esporte de escalada em rocha e é apaixonado em filmes Outdoor. Para aproveitar melhor esta paixão fez curso de documentário na Escola São Paulo, além dos cursos de “Linguagem Cinematográfica” e “Crítica de cinema”. Foi jurado do Rio Mountain Festival. Já viajou de mochilão pelo Brasil, EUA, Áustria, República Tcheca, República Eslovaca, Hungria, Eslovênia, Itália, Argentina, Espanha, Uruguai e Paraguai, Holanda, Alemanha e Canadá.

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