Crítica do filme “K2 and the invisible footmen”

K2-and-the-invisible-footmen-1Toda história possui dois lados que, segundo os conceitos de jornalismo, devem ser analisados para que todos os fatos sejam apurados.

Porém na história recente de filmes outdoor, que em sua maioria são pequenos documentários sobre lugares, pessoas e esportes, não foi muito seguida.

Por alguma questão que não cabe aqui discutir os carregadores que ajudam as expedições de montanhistas sempre foram excluídos de grande parte das produções que cobriam as escaladas no Everest e K2, as duas montanhas mais altas do mundo.

Assim como acontece com o ser humano que amadurece com  certo tempo, a sociedade , em especial a comunidade de produtores de filmes de montanha, também vem mostrando amadurecimento e procurado também mostrar a realidade de todas as pessoas envolvidas nas expedições de alta montanha.

Assim produções estão começando a documentar a vida das pessoas que carregam objetos pesados montanha acima sem se importar com sua saúde, dignidade e integridade. São coadjuvantes imprescindíveis da conquista alheia.

Com o claro objetivo de jogar uma luz sobre esta triste realidade que a experiente diretora Iara Lee realizou o filme “K2 and the invisible footmen”, que documenta todas as visões, e opiniões, a respeito dos afegãos que trabalham como carregadores para escaladas ao Monte K2.

O Monte K2 é a segunda montanha mais alta do mundo, e considerada por quem pratica escaladas em alta montanha como a mais difícil do mundo.

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Por quase todo “K2 and the invisible footmen”, todos os lados são procurados serem ouvidos para que a construção do problema (pessoas arriscarem a vida e saúde para trabalhar de carregadores) seja construído. Durante toda esta construção fica evidente que há sim um problema, mas que na verdade é bem mais complexo do que determinar quem é mocinho ou bandido na história.

Segundo o roteiro, muito bem conduzido pela diretora, o as causas passam desde o descaso dos próprios carregadores consigo mesmo, passando por ganância de agência de turismo sem escrúpulos, e ternando em uma solução complexa que exige várias variáveis para ao menos encontrar uma saída.

Aprestado de maneira linear, e ser dito abertamente pelos personagens, há ainda uma grande falta de vontade de todos em ao menos encontrar uma solução.

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Com direção fotográfica exemplar, o contraste das paisagens com os carregadores e montanhistas agrega bastante ao que está sendo documentado.

Em uma certa passagem uma pessoa comenta que é impossível até mesmo comentar sobre a graduação da temperatura, porque as pessoas aí não tem este conceito, o que por si só mostra o abismo que há entre eles e a realidade que a civilização vive hoje.

Ao final a sensação de resignação do expectador é gigante, assim como uma imenso sentimento de impotência em relação à sociedade e ao tipo de mundo que ainda existe.

Um mundo no qual pessoas que aceitam aproximadamente US$ 15,00 para carregar cargas com 30 kg por caminhadas de 6 a 8 horas, e ainda assim não ser considerado exploração.

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Ao seu final, sem querer dar lição de moral ou apontar soluções, “K2 and the invisible footmen” deixa um gosto amargo na boca de cada um por termos a oportunidade de confrontar um problema que poucos meios de comunicação se dignam a reportar.

A produção de Iara Lee é ao mesmo tempo que um alerta sobre o estado do ser humano naquela região do mundo, também funciona como um soco no estômago de pessoas que ainda insistem a mentir a si mesmo que não há exploração de pessoas na cordilheira do Karakoram e Himalaia.

Após o termino do filme dificilmente ninguém se sinta tocado pelo que foi documentado, e ,de maneira brilhante, Iara Lee resolve não dar solução mágica, deixando para o público decidir entre continuar a omissão que já ocorre, ou se começaremos a cobrar socialmente de quem explora estas pessoas.

Nota Revista Blog de Escalada :

O filme “K2 and the invisible footmen” foi assistido na 39º Mostra de Cinema de São Paulo

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Sobre o Autor

Luciano Fernandes

Luciano Fernandes

Engenheiro e Analista de Sistemas, começou a escalar em 2001 e escalou no Brasil, Áustria, EUA, Espanha e Argentina. É totalmente dedicado ao esporte de escalada em rocha e é apaixonado em filmes Outdoor. Para aproveitar melhor esta paixão fez curso de documentário na Escola São Paulo, além dos cursos de “Linguagem Cinematográfica” e “Crítica de cinema”. Foi jurado do Rio Mountain Festival. Já viajou de mochilão pelo Brasil, EUA, Áustria, República Tcheca, República Eslovaca, Hungria, Eslovênia, Itália, Argentina, Espanha, Uruguai e Paraguai, Holanda, Alemanha e Canadá.

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