Crítica do Filme “Huntsmen”

hutsmen_cartazNa indústria de produção de filmes hollywoodianos não é incomum que muitas produções tentem imitar o sucesso de algumas séries de televisão com o claro intuito de  ganhar dinheiro.

Séries de sucesso como “Arquivo X” com seus mistérios, “Lost” com os flashbacks entre muitos outras tiveram tentativas infrutíferas de virarem longa metragens.

Pelo que foi documentado no filme “Huntsmen” o mesmo tipo de fenômeno (confundir a linguagem de uma série com a de um filme) parece que começa a acontecer o mesmo equívoco com produções de filmes de escalada em relação a webséries.

Fosse dividida em pequenos pedaços, que os próprios editores fazem questão de marcar no decorrer do filme, e exibida na internet como uma websérie teria sido a aposta mais acertada.

“Huntsmen” é um filme realizado pelo diretor Max Krimmer, que com sua câmera sai viajando pelo estado americano do Colorado à procura de desafios de boulder em companhia de escaladores considerados de renome.

Na exibição de quase todo o filme, pode-se ver muitos grunhidos e movimentos plásticos e atléticos durante toda a exibição.

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Nomes de peso como Daniel Woods, Jimmy Webb exibem toda a técnica e força pelo qual são conhecidos, e reconhecidos, pela comunidade escaladora.

Entretanto durante a pouco mais de uma hora de exibição vê-se mais do mesmo em filmes que documentam o esporte de boulder: muitas cenas de “rock porn”, excesso de testosterona de escaladores, extensivas (e por vezes desnecessárias) cenas de tentativas e conversas desconexas.huntsmen-7

Fosse o filme picotado em várias partes e disponibilizado como uma websérie muito provavelmente o “Huntsmen” teria um outro ritmo, e não soasse tão repetitivo por toda a exibição como acontece no formato adotado.

Notadamente há um esforço de que exista um roteiro, e um desejo de contar uma história, mas não é implementado com muita boa vontade.

Inspirado pela como a frase de Don Corleone eno clássico Poderoso Chefão: “Mencione, mas não insista”, o mesmo se aplica ao desejo de existir uma história.

Tivesse o espectador assistido o filme em diferentes partes, não teria a sensação de ter perdido nada dada devido à falta de história ,enredo e roteiro.

Durante a exibição muitas partes passam a forte impressão de que poderia ser editado de maneira mais profunda, deixando todo o filme com pelo menos metade de sua duração.

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A mesma repetição acontece também com algumas das músicas que fazem parte da trilha sonora, e que aumentam bastante a sensação de repetição de cenas, e que colabora bastante para que o filme tem uma duração maior do que deveria.

Mesmo com personagens novos, que raramente aparecem em filmes de escalada, o diretor procura apostar mais em suas estrelas Webb e Woods.

“Huntsmen” é um filme que dificilmente pode ser considerado como imperdível, e corre o risco de ser esquecido tamanha a sua superficialidade.

Nota da Revista Blog de Escalada: 

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Engenheiro e Analista de Sistemas, começou a escalar em 2001 e escalou no Brasil, Áustria, EUA, Espanha e Argentina. É totalmente dedicado ao esporte de escalada em rocha e é apaixonado em filmes Outdoor. Para aproveitar melhor esta paixão fez curso de documentário na Escola São Paulo, além dos cursos de “Linguagem Cinematográfica” e “Crítica de cinema”. Foi jurado do Rio Mountain Festival. Já viajou de mochilão pelo Brasil, EUA, Áustria, República Tcheca, República Eslovaca, Hungria, Eslovênia, Itália, Argentina, Espanha, Uruguai e Paraguai, Holanda, Alemanha e Canadá.

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