Crítica do filme “Froning: The Fittest Man in History”

froning-capaCada vez mais a produção de documentários a respeito de esportes de nicho cresce exponencialmente com a utilização da internet.

Muitos são os canais de youtube que se dedicam a cobrir as mais diversas modalidades e, assim, estes ganham popularidade dentre os praticantes além de uma identificação instantânea com o publico alvo.

À medida que estes canais de internet se dedicam à cobertura destes esportes, permitindo com que tenham um espaço na televisão (por meio das smartTV’s e chromecast’s) que antes não possuíam em emissoras que , em teoria , dedicavam sua programação à esportes, ídolos acabaram se formando.

Estes mesmo ídolos são homenageados constantemente, por razões óbvias, e a cada notícia a respeito deles rende boa audiência para o canal, e inspiração para o publico.

Esta “fama”que ilustres desconhecidos do grande público desfrutam pode ser constatada em nomes como Alex Honnold (Escalada), Chris Sharma (escalada), Kilian Jornet (Corrida de montanha), Fernanda Maciel (corrida de Montanha) e Rich Froning (Crossfit), dentre muitos outros esportes considerados de nicho.

Todos são atletas fantásticos, e ídolos dentre os praticantes, mas não possuem exposição como um Neymar, Cristiano Ronaldo, Michael Jordan e Coby Bryan.

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Apostando que a figura icônica de Rich Froning poderia render um documentário, ao invés de apenas apostar nas frequentes webséries de seu canal, a central administrativa do Crossfit (que é uma marca registrada e uma franquia) resolveu fazer uma homenagem ao seu maior vencedor do esporte e encomendou um documentário de quase 2 horas.

Assim nasceu a produção “Froning: The Fittest Man in History”, que procura contar a história de Rich Froning, o maior ganhador dos “Crossfit Games” desde que estes foram criados.

Todas estas vitórias com performances impressionantes e às vezes acachapantes.

Para isso coube à Heber Cannon dirigir e escrever um filme sobre o atleta que ganhou quatro vezes o campeonato máximo do esporte, e ostentar o título de “Homem mais em forma da história”.

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Utilizando o mesmo estilo de edição e narração utilizado largamente no canal oficial de Crossfit no youtube, o filme procura relembrar cada etapa, de cada ano, vencida por Froning, assim como mostrar um pouco da vida pessoal do atleta, seus métodos de treinamento e seu relacionamento com todos.

A produção procura, portanto, fazer uma biografia completa tanto da vida de Rich Fronin, quanto de sua personalidade tida como competitiva.

Aparentemente uma tarefa simples, e que parece ter uma estrutura já conhecida de documentário esportivo: declarações de personagens da vida do protagonista, imagens de suas conquistas e aclamação do público.

Mas talvez engessada pelo padrão de vídeos que o Crossfit emprega em seu canal, o filme se assemelha muito a um episódio de youtube muito extenso e, por isso, acaba se arrastando por 2 horas.

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Há várias cenas repetidas, e até mesmo diálogos dispensáveis pois poderiam ser aproveitados com apenas imagens.

Utilizando extensivamente, e excessivamente, recursos como câmera lenta (Michael Bay ficaria orgulhoso), filmagens em traveling, e excesso de cortes de tomadas em imagens e competições, a produção promete muito mais do que na verdade apresenta ao espectador.

A utilização de recursos clichês é tão grande que até mesmo imagens de Rich Froning bebendo água a câmera lenta é utilizada.

O filme “Froning: The Fittest Man in History” parece feito sob encomenda para ser exibido em academias de Crossfit, mas somente como ilustração, pois a utilização do padrão acelerado de vídeos para a internet não funcionou corretamente para uma produção que tem a ambição de documentar um atleta.

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Inegavelmente há boas intenções no filme, que ao contrário de vídeos que somente mostram pessoas praticante o esporte, mas não há nenhuma palavra (como se fossem pedaços de carne em movimento), a produção consegue inserir alguma emoção e humanidade em cada declaração de cada personagem.

Mas para um atleta da relevância de Rich Froning, era esperado ao menos alguma inovação de formato e de estrutura, afinal ele mesmo se reinventou a cada temporada de competições tornando-se o maior nome do esporte.

Espera-se que , ao menos, a Crossfit verifique que o produto final de um documentário com estrutura de capítulos de episódios de websérie de internet, ou de reality show, não funciona e que para cada formato de exibição há técnicas e objetivos diferentes.

Nota Revista Blog de Escalada: 

O filme “Froning – the fittest man on history”está disponível para visualização no iTunes.

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Formado em Engenharia Civil e Ciências da Computação, começou a escalar em 2001 e escalou no Brasil, Áustria, EUA, Espanha, Argentina e Chile. Foi jurado do Rio Mountain Festival e já viajou de mochilão pelo Brasil, EUA, Áustria, República Tcheca, República Eslovaca, Hungria, Eslovênia, Itália, Argentina, Chile, Espanha, Uruguai, Paraguai, Holanda, Alemanha e Canadá. Realizou o Caminho de Santiago, percorrendo seus 777 km em 28 dias.

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