Crítica do filme “Foxcatcher – Uma História que Chocou o Mundo”

foxcatcher-7Todo esporte, seja ele outdoor ou não, pode ser medido pela sua popularidade (número de praticantes e entusiastas) e pela quantidade de capital que move em seus investimentos.

Os esportes de ação (ou em português jornalístico “esportes radicais”) possui a fama de que é uma modalidade de nicho, e que possui uma fatia pequena do mercado esportivo.

Consequentemente escalada e outros esportes de montanha detém uma porcentagem baixa desta fatia.

Por conta disso alguns esportes dependem de Mecenas para que sejam investidos recursos no esporte para que continue existindo.

Estes Mecenas investem na infra-estrutura que nem mesmo as federações destes esportes possuem capacidade de construir ou manter para treinar os atletas de destaque.

Nesta matemática cruel aparecem pessoas de baixa auto-estima, e pouca capacidade técnica, que procuram viver pela glória de atletas bancado por eles capitalizando-as como se fossem de si mesmo.

Não faltam histórias em todos os esportes dos nascidos em berço de ouro que adotam atletas ávidos por uma change de um “padrinho e que por impulso econômico e força política possibilitem  saborear glórias, mesmo que sejam artificiais.

O filme “Foxcatcher – Uma História que Chocou o Mundo” aborda este assunto retratando a trágica história de John Du Pont e os irmãos Schultz os quais eram medalhistas de ouro em luta greco-romana.

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A produção tem a direção de  Benett Miller ,  o qual já dirigiu um outro filme tendo esporte como pano de fundo para um drama, o bom “Moneyball – O homem que mudou o jogo”.

“Foxcatcher”  procura contar toda a tragédia que chocou os EUA e que mostrou a força e fragilidade que acometeu a multimilionária família DuPont à época.foxcatcher-4

John du Pont era um milionário e filantropo que à procura de mais títulos sociais e veneração de todos por sua pessoa acaba por interessar em treinar uma equipe de luta greco-romana para se tornar referência mundial.

A luta greco-romana é um esporte considerado pequeno nos EUA e no mundo, tendo quase sendo retirado da olimpíada de Londres.

Para isso Du Pont monta toda uma estrutura inimaginável para atletas à época, convocando e contratando atletas e auxiliares técnicos de ponta para que fosse  formado uma espécie de “Dream Team” do esporte.

Com uma atuação soberba de Steve Carell, que em muitas cenas está tão caracterizado como Du Pont que parece o próprio, evidenciando de maneira impressionante o quanto o ego do personagem era inflado e frágil.

Não menos inferior está a atuação de Mark Ruffalo em David Schultz, em uma caracterização assombrosa, acompanhado por um esforçado, mas ainda assim com atuação mediana, Chaning Tatum.

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A megalomania de John Du Pont é retratada de maneira discreta, mas sufocante, que vai crescendo com o decorrer da história.

Esta mesma megalomania disfarçada de desejo de vencer certamente pode ser vista em vários Mecenas que apoiam esportes de menor expressão para preencher grandes buracos existentes em suas almas.

Para o público que não tem conhecimento da história, o final é chocante e surpreendente.

O roteiro, entretanto, deixa a entender que o protagonista é o personagem de Tatum, porém ele acaba por virar vapor próximo ao final do filme, e o destino reservado a seu personagem parece descolado de toda a construção do personagem por todo o filme.

foxcatcher-9A maneira com que se deteriora o relacionamento entre Du Pont e  Mark Schultz é bem construído, mas pouco desenvolvido ao seu final.

Porém o forte da produção está nas interpretações impactantes dos personagens John Du Pont e Dave Schultz.

Várias cenas de Steve Carell interpretando o milionário solitário é fácil perceber o estado de perturbação mental o qual estava Du Pont à época.

O filme “Foxcatcher – Uma História que Chocou o Mundo” é muito além de uma boa história, e sim um pequeno retrato da realidade que vivem esportes que dependem de Mecenas para bancar atletas e desenvolvimento do próprio esporte.

Muito além do desfecho da história, é o incômodo de saber o quão frágil é a estrutura de federações e associações de qualquer modalidade, e que podem facilmente ser controlado por quem na verdade deseja afagos no ego e alimentar sua abalada auto-estima.

Histórias como a de John du Pont sobram em todas as modalidades esportivas.

Nota Revista Blog de Escalada : 

O filme “Foxcather – Uma História que chocou o mundo” foi exibido na 38º Mostra de Cinema de São Paulo

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Sobre o Autor

Luciano Fernandes

Luciano Fernandes

Engenheiro e Analista de Sistemas, começou a escalar em 2001 e escalou no Brasil, Áustria, EUA, Espanha e Argentina. É totalmente dedicado ao esporte de escalada em rocha e é apaixonado em filmes Outdoor. Para aproveitar melhor esta paixão fez curso de documentário na Escola São Paulo, além dos cursos de “Linguagem Cinematográfica” e “Crítica de cinema”. Foi jurado do Rio Mountain Festival. Já viajou de mochilão pelo Brasil, EUA, Áustria, República Tcheca, República Eslovaca, Hungria, Eslovênia, Itália, Argentina, Espanha, Uruguai e Paraguai, Holanda, Alemanha e Canadá.

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