Crítica do filme “Exposure Vol. 1”

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Muitos produtores de filmes (outdoor ou não) tendem a sempre realizar produções sempre usando um mesmo formato e desta a maneira estar na sua zona de conforto.

Isto pode ser facilmente observado quando as produções de um mesmo diretor parecem ser sempre iguais, modificando somente parte de uma mesma história.

Entretanto esta regra não se aplica a Chuck Fryberger, que vem procurando aplicar formatos e estilos diferentes a cada uma das suas produções.exposure-3

Fryberger ficou conhecido como um produtor especializado fazer filmes de escada que se pareciam uma mistura de propaganda de televisão e vídeos para a quase extinta MTV.

Neste estilo ganhou legiões de fãs mas também arrebanhou montanhas de críticos, especialmente pela insistência em querer tornar toda e qualquer cena épica.

Em sua nova produção, “Exposure Vol.1”, realizada em parceria com o canal de vídeos de ação EpicTV, procurou inovar após uma pequena mostra de amadurecimento em “The Network”.

O filme documenta vários escaladores na busca de sua “cadena pessoal” em vários lugares do mundo, e toca no assunto que impressiona muitos : a exposição ao perigo na busca pelo limite.

Durante a reprodução do filme há uma nítida preocupação em mostrar todos os estilos de escalada :esportiva, Boulder e tradicional.

Mas Chuck Fryberger parece ter se confundido com o que a EpicTV tenha pedido, e acabou por amontoar em pouco mais de uma hora três histórias que não se cruzam, e que parece se assemelha como uma tarde de maratona pelo canal.

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Inegavelmente o produtor americano teve um amadurecido em seu olhar sobre a escalada, e escaladores, mas esqueceu de economizar suas já conhecidas cenas em câmera lenta e closes que o fez ser nomeado inúmeras vezes como  “Michael Bay dos filmes outdoor”.

O diretor ainda insiste em usar com mão pesada cenas de câmera lenta até mesmo de maneira desnecessária.

exposure-2Com o já conhecido estilo pirotécnico, mas com uma regulagem de câmera mais natural cada escalada, procura agradar a quem aprecia a cada estilo sem parecer artificial como uma propaganda de cigarros.

Inicialmente as cenas em câmera lenta parecem de bom gosto, mas no decorrer do filme fica cansativo e repetitivo.

Próximo ao seu final é nítida a sensação de que fossem feitas as cenas em câmera lenta na velocidade normal, o filme teria metade da sua duração.

Tomadas dos detalhes como o aperto da mão em agarras, posicionamento do pé, e até olhar do escalador para cima utilizam o recurso.

Próximo à metade do filme sente-se falta de algum detalhe, e este é talvez o principal escorregão da produção : a completa ausência de história que uma cada um dos estilos de escalada.

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Por não haver história propriamente dita, a sensação de que poderia ser pequenos filmes vistos em ocasiões distintas, o espectador tende a prestar atenção em outras coisas.

Há uma tentativa de costurar um objetivo que ligue cada uma das histórias, mas naufraga em um mar de cenas em câmera lenta.

Fosse “Exposure Vol.1” dividido em séries distintas e exibidas separadamente teria maior aproveitamento de recursos e assuntos.exposure-1

O filme entretanto é um entretenimento seguro para quem deseja apenas passar o tempo à frente de uma tela, sem a necessidade de ter histórias para entender, nem se identificar com personagens.

Por possuir uma profundidade tão rasa “Exposure Vol1” é um filme para ser colocado em looping em lanchonetes temáticas ou academias de escalada.

Fica a esperança de que Chuck Fryberger vá aprendendo com cada experimento que faz em suas produções e que culmine em algo significativo e menos experimental, e que esqueça um pouco de usar o recurso de câmera lenta.

Nota Revista Blog de Escalada :

Sobre o Autor

Luciano Fernandes

Luciano Fernandes

Engenheiro e Analista de Sistemas, começou a escalar em 2001 e escalou no Brasil, Áustria, EUA, Espanha e Argentina. É totalmente dedicado ao esporte de escalada em rocha e é apaixonado em filmes Outdoor. Para aproveitar melhor esta paixão fez curso de documentário na Escola São Paulo, além dos cursos de “Linguagem Cinematográfica” e “Crítica de cinema”. Foi jurado do Rio Mountain Festival. Já viajou de mochilão pelo Brasil, EUA, Áustria, República Tcheca, República Eslovaca, Hungria, Eslovênia, Itália, Argentina, Espanha, Uruguai e Paraguai, Holanda, Alemanha e Canadá.

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