Crítica do Filme “Dialectic of Balance”

DialleticOfBalance-capa

Os estudiosos de linguística costumam dizer que os idiomas possuem vida própria e vai evoluindo com o tempo.

Assim podemos dizer da produção de filmes outdoor, que vai se desvinculando a cada dia do aspecto filmes publicitários e ganhando ares de identidade própria procurando unir a documentação de um lugar, pessoas e esportes.

O amadurecimento tanto do público quanto dos produtores é o caminho natural de qualquer expressão artísticas e daqueles que a apreciam.

Talvez assim seja entendido de maneira geral que produções do gênero mereçam serem exibidas em um cinema, para permitir a imersão do público na história contada.

A velocidade deste amadurecimento é acelerada ou retardada por modismos e por gerações de produtores mais ou menos talentosos.

Pouco explorado filmes de highline ainda são uma raridade dentro do gênero de “documentários de aventura”.

Fosse definir o filme “Dialectic of Balance” a metáfora mais apropriada seria a de um diamante bruto, que mesmo com alguns pontos a melhorar e lapidar, ainda assim possui um alto valor.

A produção procura contar em formato de atos , como em um teatro, que se entrelaçam com histórias e imagens no clássico formato de prólogo, passado presente, viagem e fim.

DialleticOfBalance-4

Buscando ser sempre sutil para mostrar o surgimento do esporte highline narrado pelas próprias pessoas que o criaram
e as que a vivem atualmente.

Procurando focar no Highline, que em linhas gerais é um Slackline realizado a uma altura que usando um eufemismo seria para “desestabilizar a concentração do praticante”, o filme tenta ao mesmo tempo contar a história do esporte assim como o que representa aos praticantes.DialleticOfBalance-2

Durante os pouco mais de 40 minutos de exibição consegue determinar uma linha do tempo do esporte que mesmo
quem não tenha interesse consegue absorver com facilidade.

“Dialectic of Balance” sem dúvida durante todo o filme se leva a sério sem procurar fazer humor ou provocar vertigem no espectador.

Grande parte do foco do filme está nas sensações e sentimentos, mas com a intensão de não parecer piegas nem apelar a clichês, e sim causar a imersão do espectador no esporte.

Este mesmo foco em sentimentos causa uma certa lentidão por volta da metade do filme por conta de muitas divagações de praticantes e a produção tem uma leve quebra de ritmo e parece perder um pouco o rumo.

Este deslize é disfarçado elegantemente com imagens de bonita fotografia, tomadas realizadas por drones (mas sem abusar deste recurso) e uma trilha sonora bem estudada e de fazer inveja à filmes de Quentin Tarantino.

DialleticOfBalance-6

Mesmo possuindo pontos um pouco soltos de roteiro, e ausência de explicações mais profundas acerca de escolhas, lugares o que causa certa ausência de aprofundamento de personagens “Dialectic of Balance” chega ao seu final agradando praticantes e não praticantes.

Com uma direção de fotografia muito bem executada, que soube balancear filtros de luz e cores, assim como boa composição fotográfica agrada o público apreciador de imagens bonitas.

Mas”Dialectic of Balance” teve também a preocupação de não usar a qualidade fotográfica como muleta e apoiar-se somente nisso , e sim teve preocupação com história e sentimentos de personagens.

DialleticOfBalance-5

Mesmo tendo a necessidade de ajustes de roteiro para que cada uma das histórias, ou atos , sejam mais conectadas uma a outra é um filme interessante de assistir.

Detalhes que acaba vindo com a prática e amadurecimento a cada produção realizada acabam por serem aceitos até pela simplicidade e simpatia com que a produção vai avançando.

Assim como o descrito no próprio filme por um personagem: o processo de atravessar um Highline demanda experiência, concentração e força de vontade, e isso os produtores de “Dialectic of Balance” demonstraram estar determinados.

Nota Revista Blog de Escalada: 

DialleticOfBalance-3

DialleticOfBalance-7

DialleticOfBalance-1

Engenheiro e Analista de Sistemas, começou a escalar em 2001 e escalou no Brasil, Áustria, EUA, Espanha, Argentina e Chile. Foi jurado do Rio Mountain Festival e já viajou de mochilão pelo Brasil, EUA, Áustria, República Tcheca, República Eslovaca, Hungria, Eslovênia, Itália, Argentina, Chile, Espanha, Uruguai, Paraguai, Holanda, Alemanha e Canadá. Realizou o Caminho de Santiago, percorrendo seus 777 km em 28 dias.

Comente agora direto conosco

Comment moderation is enabled. Your comment may take some time to appear.