Crítica do filme “Denali – The real spirit of high mountain expedition”

Apesar de haver uma produção de filmes outdoor razoavelmente grande no Brasil, poucas se dedicaram a expedições de alta montanha. Pode ser que com o tempo haja uma explosão no número de produções, espera-se, mas atualmente ainda é uma raridade a exploração deste gênero.

Mesmo com poucas produções disponíveis é inegável que há uma disparidade grande na qualidade do que é produzido no Brasil e no exterior. Por terras brasileiras há produções como o indefensável “Natural Born Climber” e o interessante “Chimborazo: Escalando a trança forte“.

Este último produzido pelo paulistano Alexandre Haigaz. À época a produção obteve menções honrosas dos meios de comunicação especializados.

O diretor neste ano trouxe mais uma produção para ser apreciada pelo público montanhista, o filme “Denali – The real spirit of high mountain expedition“, que documenta uma expedição de seis pessoas inteira à montanha mais alta da América do Norte.

Para esta nova produção o diretor Alexandre Haigaz procurou implementar todas as influências que teve desde seu último filme. O ritmo mais lento, mas sem ser arrastado, mesclando cenas captadas no local com narrações posteriores pontuam o roteiro linear, lembrando muito o estilo do programa “MasterChef” de apresentar a história. Que fique claro que isso não é um defeito, mas sim uma característica. A semelhança com o reality show não é propriamente um ponto ruim da produção, mas uma característica e estilo seguido. Este formato também foi usado em séries de sucesso como “Once and Again“, além de ser adotada largamente nas produções de Crossfit como a série “Fittest on Earth“.

Logo de início do filme fica evidente a disparidade de preparação técnica entre cada um dos integrantes do grupo, assim como o guia. Já pelos diálogos e declarações fica evidente oq ue cada personagem espera com relação a objetivos e ambições. Há alguns que abusam de querer aparecer para a câmera sempre com frases recheadas de adjetivos superlativos semelhante a personalidades de canal de televisão. Outros, que sabiamente foram mais destacados na edição, demonstraram claramente mais vontade em fazer montanhismo do que criar personagens.

Apesar de possuir boa estrutura de roteiro e história, que se sustenta bem sem estender em dramas e tensões, o filme possui alguns pontos fracos que o impede de se destacar dentre as produções do gênero. Uma das derrapadas do diretor está em aspectos técnicos como qualidade das imagens, sobretudo as captadas após toda a aventura na montanha. Outros detalhes importantes como foco, composição fotográfica, nitidez, contraste e principalmente, qualidade de imagem não tiveram um cuidado necessário que a produção de um filme como “Denali” merecia. Estes descuidos não comprometeram o conjunto da obra, mas também não deixa o expectador empolgar-se.

Um outro ponto fraco, que aprece não ter tido a mesma atenção, foi a da trilha sonora a qual parecia inserida às pressas e sem uma curadoria cuidadosa. Mesmo a edição de som também carecia de alguns ajustes como, por exemplo, momentos de tensão existir algum silêncio com o som do vento na montanha ou que a fala e cada um dos personagens não oscilasse.

De positivo em “Denali” há a evolução e amadurecimento do produtor quanto à estrutura de um documentário, que em sua produção anterior era latente não existir. A edição de todas as imagens captadas e algumas editadas estratégicas em personagens que não agregavam profundidade à história fizeram a produção ter mais qualidade.

Quem tem curiosidade de experimentar praticar uma alta montanha, mais pelo espírito de estar em um lugar único, “Denali” é uma boa opção de entretenimento e referência. A produção também serve de documento do amadurecimento de um produtor outdoor brasileiro com potencial ainda por ser explorado em sua plenitude.

Nota Revista Blog de Escalada:

Engenheiro e Analista de Sistemas, começou a escalar em 2001 e escalou no Brasil, Áustria, EUA, Espanha e Argentina. É totalmente dedicado ao esporte de escalada em rocha e é apaixonado em filmes Outdoor. Para aproveitar melhor esta paixão fez curso de documentário na Escola São Paulo, além dos cursos de “Linguagem Cinematográfica” e “Crítica de cinema”. Foi jurado do Rio Mountain Festival. Já viajou de mochilão pelo Brasil, EUA, Áustria, República Tcheca, República Eslovaca, Hungria, Eslovênia, Itália, Argentina, Espanha, Uruguai e Paraguai, Holanda, Alemanha e Canadá.

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