Crítica do filme “Climbing El Capitan”

Climbing-El-Capitan-6No processo de aprendizado de todos já passamos por situações nas quais uma ideia parecia brilhante em nossas cabeças, mas quando executada não correspondeu à expectativa.

Na produção de filmes e documentários este tipo de acontecimento parece ainda mais intenso e sensível pois é visível a todos.

Por mais que tenha a intenção de emocionar o expectador na tentativa de narrar uma história interessante e mostrar mínimos detalhes e qualquer fato como escaladas em montanhas inóspitas, ou escalada em lugares desafiadores, há a necessidade de estudar profundamente qual abordagem e maneiras com que o público irá digerir o conteúdo.

Este tipo de preocupação é que faz com que uma produção seja merecedora da palavra “filme” , se distanciando do que seria um “video para amigos e família”.

Por este tipo de preocupação é que filmes outdoor devam ser exibidos em salas de cinema para que o espectador tenha imersão total na história e personagens.

Contar história de pessoas comuns (leia-se não profissionais) realizando aventuras contém um grande charme pois abordará situações corriqueiras e terá fácil identificação com o público.

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Dependendo da abordagem feita o público terá fácil e rápida identificação com os personagens que vivenciam as dificuldades, dramas e redenção, como conseguiu o  excelente filme britânico “Push it”.

Coincidentemente no mesmo lugar que a produção citada, “Climbing El Capitan” é uma produção independente que procura contar a aventura de dois escaladores Ryan Lee Eubank e Voltaire Valle em uma das escaladas mais desafiadoras existentes.

Para vencer os 1.000 metros de escalada em rocha, é necessário dormir em porta-ledge, defecar em sacos plásticos e utilizar travessias em pêndulos, escalar por várias enviadas todo o dia, além do tradicional fato de ter de “engolir o choro” todo o tempo.

Climbing-El-Capitan-4Quando é documentado a escalada no “El Capitan”, poucas vezes são com escaladores que não são considerados a elite.

Filmes como “Alone in The Wall”, entre tantos outros, mostram muito poucos detalhes das dificuldades da via.

Adotando o formato de filmar os integrantes após a aventura narrando os acontecimento, e mesclando com as imagens captadas, “Climbing El Capitan” procura dissecar em mínimos detalhes a aventura.

Entretanto os produtores erraram um pouco a mão no formato e a produção se assemelhou muito a uma palestra com imagens captadas, do que um filme propriamente dito.

Há muitas declarações com “piadas internas” da dupla, e excesso de tomadas com a câmera goPro no capacete dos escaladores, falta de qualidade em várias tomadas, e , em certos momentos, ausência de linearidade que norteasse a historia.

O tempo é marcado por forma de legendas, mas não há uma marcação de qual enfiada estão os escaladores. Pontos interessantes como mostrar como está o corpo de cada integrante antes e depois poderia evidenciar o quão desgastante é a escalada.

O formato de “palestra filmada” o filme começa a se arrastar a partir de sua metade, e torna-se repetitivo e lento próximo ao seu final.

Por esta característica é inevitável que a atenção do espectador comece a dispersar em elementos fora do filme como conversas paralelas, conferência de redes sociais no telefone e assim por diante.

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A abordagem, contudo, é interessante apesar de não tão bem executada, pois há poucos filmes adotando a escalada em Yosemite por escaladores “não elite”.

O filme “Climbing El Capitan” parece ter esquecido também de dar mais atenção a detalhes como paisagem, preparação para o desafio e histórico de escaladas da dupla.

Detalhes estes que tornariam a dupla mais próxima do público, e que daria outro ritmo à produção.

“”Climbing El Capitan” é uma produção interessante, mas que carece de maior preocupação com o produto final e assim poderia ser muito mais profundo.

Nota Revista Blog de Escalada : 

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Sobre o Autor

Luciano Fernandes

Luciano Fernandes

Engenheiro e Analista de Sistemas, começou a escalar em 2001 e escalou no Brasil, Áustria, EUA, Espanha e Argentina. É totalmente dedicado ao esporte de escalada em rocha e é apaixonado em filmes Outdoor. Para aproveitar melhor esta paixão fez curso de documentário na Escola São Paulo, além dos cursos de “Linguagem Cinematográfica” e “Crítica de cinema”. Foi jurado do Rio Mountain Festival. Já viajou de mochilão pelo Brasil, EUA, Áustria, República Tcheca, República Eslovaca, Hungria, Eslovênia, Itália, Argentina, Espanha, Uruguai e Paraguai, Holanda, Alemanha e Canadá.

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