Crítica do filme “Caçadores de Emoção”

cacadores-de-emocao-1Logo no início de “Caçadores de Emoção” há um salto de paraquedas no qual é liberado uma montanha de dólares ao ar, causando uma chuva de dinheiro em uma pequena vila no interior do México, e esta é, sem dúvida, a maior metáfora do que o filme significa.

Aliás se tivesse uma fogueira imensa queimando barras de ouro, junto de outra montanha de dinheiro, talvez chegasse mais perto ainda do que representa verdadeiramente a produção dirigida por Ericson Core.

O filme é um remake da produção de mesmo nome com Patrick Swayze e Keanu Reaves, que em 1991 ainda houve uma preocupação com história, roteiro e personagens, além de pequenos conceitos, deturpados é claro, de amizade e fidelidade.

Até mesmo a motivação dos crimes que o bando de Swayze realizava no filme original havia uma explicação razoavelmente bem embasada.

Para esta nova versão os produtores tiveram além da ideia de remodelar, e modernizar, cada personagem, também de convidar grandes astros de esportes de ação como Chris Sharma, Jeb Corliss e outros nomes de peso.

Não fosse suficiente a modernização de personagens foi acrescido a ideia de criar o conceito de “poliatletas” de esportes de ação que, em palavras rápidas, são pessoas que fazem vários esportes de maneira extrema e melhor que a maioria dos praticantes dedicados.

Desta mistura maluca nasceu o inqualificável e novo “Caçadores de Emoção”.

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O filme procura contar a história de um jovem agente do FBI, Johnny Utah (Luke Bracey), que se infiltra em um time de “poliatletas” de esportes de ação liderados pelo carismático, e de franja ridícula, Bodhi (Édgar Ramírez),  que são os principais suspeitos em uma onda de crimes extremamente incomuns.

O agente Utah se esforça para provar que eles são os arquitetos dessa sequência de crimes inconcebíveis e cinematográficos.

Procurando emular os vídeos publicados pelo canal de youtube da empresa GoPro, há várias cenas de ação com atletas fazendo acrobacias, e efeitos de câmera que parecem risíveis de tão forçados.

Visivelmente os roteiristas se impressionavam com várias atrações circenses nos anos 80 e acreditam seriamente que atletas de esportes de montanha fazem o mesmo.

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Mesmo com uma premissa que quase cheira clichê a quilômetros de distância, e flertando com o ridículo todo o tempo, “Caçadores de Emoção” é, facilmente, o pior filme do ano de 2016 (e repare que estamos em seu início ainda).

Qualquer produção de Adam Sandler não consegue ser tão ruim, mesmo com as suas já conhecidas piadas escatológicas.

Com uma qualidade tão baixa o filme “Caçadores de Emoção” parece uma versão ruim do filme “Balls Pyramid”, de Luigi Cani que, diga-se, já é péssimo e de longe uma das piores coisas já produzidas de filme outdoor deste milênio.

Mas nem mesmo o péssimo diretor carioca de vídeos descerebrados, e de baixíssima qualidade, teria capacidade de realizar algo tão ruim quanto “Caçadores de Emoção” atual.

Próximo à metade do filme qualquer pessoa simplesmente conclui que não existe nem ao menos história, apesar de tanto diretor, e roteiristas, a se levarem a sério.

Mesmo o romance de Utah com Samsara (Teresa Palmer), na qual a atriz parece estar interpretando a porta do camarim, chega a ser constrangedora tamanha a artificialidade que é jogado na cara do expectador, e posteriormente sequer é desenvolvido no decorrer do filme.

Fazendo assim com que Samsara sequer tenha importância na história, sendo somente uma “peguete” de Utah, e caso fosse cortada nem faria falta para o enredo capenga de “Caçadores de Emoção”.

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Aliás, a atriz Teresa Palmer teve a “oportunidade” de protagonizar uma emblemática cena de “vergonha alheia” quando em uma parte do filme escala um boulder utilizando cadeirinha e costuras.

Enumerando as atividades do agente Utah, qualificado com o adjetivo de poliatleta (seja lá o que isso signifique), é perceptível que não há o menor conhecimento do que é, de fato, esporte de ação : o diretor teve a audácia de incluir briga de rua nos porões de Paris como prática corriqueira de montanhistas.

Caso o personagem Tyler Durden, do filme “Clube da Luta”, existisse na vida real morreria de desgosto ao assistir a cena.

Alguns momentos do filme a desorientação da direção e roteiro mostra outra cena, quando um dos bandidos do grupo morre em uma descida de Snowboard, e há uma grande fogueira para cremar o corpo do personagem no próprio pátio dos bungalows, próximo ao local da morte.

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As cenas de escalada parecem de um anúncio genérico de goma de mascar, e a intensão de fazer product placement do patrocinador de Chris Sharma (que foi o dublê do protagonista nesta cena) chega a ser ridículo.

Ao seu final qualquer pessoa conclui que a produção é uma bobagem tão grande, que serviu apenas para pagarem altos cachês para dublês de todas as cenas de ação além, é claro, de fazer anúncio de seus patrocinadores.

Assim como a saga “Crepúsculo” achincalhou com o mitologia sobre vampiros, “Caçadores de Emoção” faz o mesmo com os esportes de montanha, retratando seus praticantes como os mais óbvios, e batidos, clichês.

Não é nenhum exagero afirmar que o igualmente inqualificável “Limite Vertical” se pareça com o “Poderoso Chefão” quando comparado a “Caçadores de Emoção”.

Nota Revista Blog de Escalada : 

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Sobre o Autor

Luciano Fernandes

Luciano Fernandes

Engenheiro e Analista de Sistemas, começou a escalar em 2001 e escalou no Brasil, Áustria, EUA, Espanha e Argentina. É totalmente dedicado ao esporte de escalada em rocha e é apaixonado em filmes Outdoor. Para aproveitar melhor esta paixão fez curso de documentário na Escola São Paulo, além dos cursos de “Linguagem Cinematográfica” e “Crítica de cinema”. Foi jurado do Rio Mountain Festival. Já viajou de mochilão pelo Brasil, EUA, Áustria, República Tcheca, República Eslovaca, Hungria, Eslovênia, Itália, Argentina, Espanha, Uruguai e Paraguai, Holanda, Alemanha e Canadá.

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