Crítica do filme “30 Days In Nepal”

30-days-in-nepalUm dos países que mais tiveram filmes outdoor realizados, especialmente quando se trata de expedições, sem dúvida é o Nepal.

O pequeno país que fica espremido entre Índia e China, tem entre seus tesouros a cadeia montanhosa do Himalaia como seu grande patrimônio.

Por conta dela o PIB do país depende da exploração do turismo montanhista, e do trabalho dos Sherpas em expedições farofeiras ao Monte Everest.

Porém pouco da vida dos habitantes do país é mostrada e documentada, fazendo assim com que produções de montanhistas pareçam grandes “selfies em movimento” do que um filme propriamente dito.

Toda uma realidade de pessoas, clima, cultura e pensamentos são ignorados como se fossem menores que outra cultura.

Observando esta lacuna deixada por muitas produções de filmes outdoor realizadas no Himalaia, o filme “30 Days on Nepal” incorporou mais o espírito mochileiro e descobridor de culturas.

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O filme documenta a viagem de um grupo de amigos ao Nepal, no qual realizariam um trekking pelo país, o clássico circuito Annapurna.

Porém os produtores se preocuparam em documentar detalhes do país raramente mostrado em produções do gênero.30-days-in-nepal-4

Desde os primeiros minutos fica claro que “30 Days in Nepal” não há muitas pretensões de realizar um material épico, mas mesmo assim sério e com um olhar mais real para tudo captado pelas câmeras.

Este mesmo olhar diferenciado consegue ganhar a empatia do expectador e a ausência de momentos efetivamente cômicos ganham corpo e mostra um lado mais real do Nepal.

Algumas cenas, como a preparação de um jantar matando um bode é de uma crueza espantosa, e faz com que vegetarianos e veganos se revoltarem.

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Os integrantes do filme, entretanto, ajudam os moradores locais em tarefas cotidianas, e aproveitam para mesmo mostrando bodes decapitados, respeitar a cultura sem questionar ou condenar.

Por ser um filme no qual amigos filmam uns aos outros detalhes com câmera tremendo, grande quantidade de filmagens em caminhadas fazem parte da produção.

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É perceptível também que mesmo sendo uma produção despretensiosa, havia um planejamento de captar os detalhes contidos no filme.

O filme “30 Days on Nepal”  não possui como ponto forte a qualidade de fotografia, com paisagens bonitas e timelapses, nem tampouco tenta artificializar ou criar pequenos “dramas” para cativar o expectador.

A produção é um relato de viagem real, mas de qualidade muito superior à média de filmes realizados no Nepal e funciona bem como um convite a conhecer o país.

Nota Revista Blog de Escalada

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Formado em Engenharia Civil e Ciências da Computação, começou a escalar em 2001 e escalou no Brasil, Áustria, EUA, Espanha, Argentina e Chile. Foi jurado do Rio Mountain Festival e já viajou de mochilão pelo Brasil, EUA, Áustria, República Tcheca, República Eslovaca, Hungria, Eslovênia, Itália, Argentina, Chile, Espanha, Uruguai, Paraguai, Holanda, Alemanha e Canadá. Realizou o Caminho de Santiago, percorrendo seus 777 km em 28 dias.

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