Temporada de vias guiadas mostra amplo domínio de Europeus na Copa do Mundo

A oitava etapa da Copa do Mundo de Escalada (a segunda de vias guiadas), realizada na cidade francesa de Chamonix foi amplamente dominada por escaladores do continente europeu. Grande parte dos atletas mostrou força e técnica elevada, evidenciando o alto nível destas competições. Apesar do domínio de atletas europeus, o “domínio japonês” segue sendo incontestável. Nem tanto pelos resultados, mas pela quantidade de atletas classificados para as semifinais. A importância de atletas classificados para uma semifinal da Copa do Mundo de Escalada, deve-se ao fato de que estes, de um total de 25, possuem a real chance de participar dos Jogos Olímpicos de Tóquio em 2020.

A etapa contou com a participação de uma delegação brasileira de sete atletas que, infelizmente, não obtiveram resultados expressivos, sobretudo na categoria feminina. Além dos brasileiros, equatorianos e chilenos marcaram presença na Copa do Mundo de Escalada, sendo estes os sul-americanos melhores colocados na classificação geral da etapa entre os competidores.

O calendário para estes meses, que é verão na Europa, vai ser intenso. A próxima etapa está marcado para 20/21 em Briançon, também na França, a 211 km de Chamonix. Brainçon é a mais alta cidade francesa e a segunda da Europa com 1.325 metros acima do nível do mar. No final de semana seguinte, será em Arco di Trento, na Itália, distante 450 km de Briançon. Por estarem as etapas muito próximo às outras, está sendo esperado um recorde de participantes que de fato almejam chegar às olimpíadas. Na etapa de Chamonix, muitos atletas da Alemanha não compareceram, pois o país organizou um campeonato utilizando o formato adotado pelo IFSC nas Olimpíadas (lead+speed+boulder).

Chamonix, apesar de ficar nos Alpes franceses, fica a 1.035 metros acima do nível do mar. Nesta altitude, não houve reclamações a respeito da sensação do mal de altitude, que alguns atletas reclamaram na etapa de Vail, nos EUA. o IFSC também comemorou a audiência da transmissão da final: 35.000 views em seu canal de Youtube. No mercado de streaming, os números são considerados reais, enquanto os do Facebook nem tanto.

Como foi a etapa de Chamonix

Ao todo, participaram desta etapa 183 atletas (111 homens e 92 mulheres), oriundos de 26 países diferentes. Pela regra do IFSC, entidade máxima da escalada de competição, tanto na categoria feminina quanto masculina, classificam para as semifinais 25 atletas. Dos semifinalistas apenas 8 se classificaram para as finais.

O país com maior número de atletas foi a França, com um total de 25 atletas (15 homens e 10 mulheres), seguido do Japão com 17 atletas (10 homens e 7 mulheres) e Eslovênia com 12 (5 homens e 7 mulheres).

Os europeus marcaram presença no pódio em quase todas as posições. A austríaca Jessica Piltz venceu na categoria feminina, e o italiano Stefano Ghisolfi venceu no masculino. Os sul-americanos melhores colocados foram o equatoriano Carlos Granja (59º de 111) no masculino e a chilena Alejandra Contreras (76º de 92). O brasileiro com melhor classificação foi o paulista César Grosso, que ficou em 72º.

Ao final da oitava etapa da Copa do Mundo de Escalada, o pódio na categoria feminina ficou com a austríaca Jessica Piltz em primeiro, a eslovena Janja Garnbret e a coreana Jain Kim. As principais vencedoras das etapas de boulder, as japonesas Akiyo Noguchi ficou em 7º e Miho Nonaka em 14º. A grande sensação da competição foi o destaque que a jovem norte-americana Ashima Shiraishi que ficou em 4º com apenas 17 anos de idade.

Na categoria masculina o italiano Stefano Ghisolfi, de apenas 25 anos de idade, foi o vencedor, seguido pelo veterano Jakob Schubert em segundo e o alemão Alex Megos em terceiro.

Nesta etapa, a segunda da temporada, o destaque foi as vias guiadas. Muitos atletas acostumados a priorizarem boulder em sua preparação, sentiram a diferença no estilo implementado pelos route setters. Muitos atletas que treinam e se preparam em campeonatos com route setters alinhados com conceitos modernos implantados pelo IFSC flertaram com as últimas colocações na colocação. Ao que parece o estilo é mais apreciado pelos atletas europeus, que conseguiram classificar para as semifinais em grande número.

Os atletas do japão, entretanto, mesmo não subindo ao pódio, mostraram que são favoritos em todos os campeonatos que participam. Ao todo, a delegação japonesa era 17 atletas (10 homens e 7 mulheres), mas mesmo assim as semifinais tinha grande porcentagem deles. Ao todo 12 atletas (4 mulheres e 8 homens) se classificaram para as semifinais. Um aproveitamento de mais de 65%. Para as finais apenas dois atletas, tanto masculino quanto feminino, conseguiram se classificar. Apenas a Áustria, que também classificou duas atletas para as finais, conseguiu ter mais de um atleta na final. A façanha austríaca, entretanto, foi realizada somente na categoria feminina.

A Eslovênia, por outro lado, também pode ser considerada como grande potência mundial para a Olimpíada de Tóquio 2020. Com um total de 12 atletas, classificou nada menos do que sete (5 mulheres e 2 homens) para as semifinais. Já para as finais, a Eslovênia classificou apenas um atleta, de cada categoria.

Renovação de atletas

Um outro aspecto que chamou muito a atenção foi a evidente renovação da geração de atletas. Os atletas que estavam na final eram de 21,87 anos para a categoria masculina e 22,25 anos para a categoria feminina.

A média de idade dos atletas sul-americanos evidenciou uma discrepância, se comparada com os valores do pódio:

  • Brasil: 28 anos para a categoria masculina e 29,33 anos para a categoria feminina
  • Chile: 17 anos para a categoria masculina e 17 anos para a categoria feminina
  • Equador: 18,3 anos para a categoria masculina e 22 anos para a categoria feminina

Além disso, do total de atletas que participaram do evento, 13 estão registrados para participarem dos Jogos Olímpicos da Juventude em Outubro próximo, em Buenos Aires.

Atletas sul-americanos

A etapa de Chamonix, a segunda etapa da temporada de vias guiadas, pode também servir de alerta para os atletas sul-americanos. Atletas que ficaram entre os 10 últimos colocados, deverão ter em mente que com este tipo de rendimento, a probabilidade de chagar a participar dos jogos olímpicos de Tóquio é nula. Grande parte dos sul-americanos que conseguiram resultados relevantes, como a chilena Alejandra Contreras, estão participando de torneios internacionais, com route setters modernos e alinhados com a filosofia atual do IFSC.

Não foi anunciado também, se algum atleta brasileiro irá participar dos Jogos Olímpicos da Juventude, que acontecerão em outubro na cidade de Buenos Aires, e contará com presença de grande número de atletas sul-americanos. Especialistas, além de várias marcas e empresas, apostam que o evento servirá de parâmetro para quem realmente possui chances reais de ir à olimpíada de Tóquio. No evento será utilizado pela primeira vez o “formato olímpico” (atletas disputando lead/speed/boulder). Tanto Alejandra Contreras, quanto a argentina Valentina Aguado, confirmaram presença no evento.

A única atleta a destacar-se em torneios internacionais em 2018, a curitibana Camila Macedo não está participando. A atleta declarou estar focando sua preparação para o campeonato mundial de escalada que será realizado em setembro deste ano em Innsbruck.

Formado em Engenharia Civil e Ciências da Computação, começou a escalar em 2001 e escalou no Brasil, Áustria, EUA, Espanha, Argentina e Chile. Foi jurado do Rio Mountain Festival e já viajou de mochilão pelo Brasil, EUA, Áustria, República Tcheca, República Eslovaca, Hungria, Eslovênia, Itália, Argentina, Chile, Espanha, Uruguai, Paraguai, Holanda, Alemanha e Canadá. Realizou o Caminho de Santiago, percorrendo seus 777 km em 28 dias.

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